setembro, 2017

9set - 2outset 97:00 PMout 2Euforia, de Julia Spadaccini e direção de Victor Garcia Peralta, no Espaço Sérgio Porto7:00 PM - (outubro 2) 8:00 PM Espaço Municipal Cultural Sergio PortoAgenda cultural:Teatro

Detalhes

Euforia, que estreia dia 09 de setembro, às 19h, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Humaitá, é um espetáculo híbrido, onde ator, texto, corpo e voz estão em constante processo. A direção e dramaturgia foram criadas em conjunto, conforme a demanda da interpretação. Michel Blois (ator), Julia Spadaccini (autora) e Victor Garcia Peralta (diretor) se entrelaçam criativamente de modo a misturar as linguagens, dando origem a uma montagem performática. A luz, o som, o cenário são mutantes e articulados pelo próprio ator, que interpreta os dois personagens da montagem.

Esta é a segunda peça que Michel Blois é dirigido por Victor Garcia Peralta. A primeira foi “The Pride”, em 2016. Já, com Julia Spadaccini, a parceria vem desde 2006, quando fez assistência de direção de Kiko Mascarenhas, na peça “Por enquanto é isto”, que Julia fazia como atriz. Depois dirigiu outras duas peças da dramaturga, “A Sônia é que é feliz”, solo com Rodolfo Mesquita, em 2007; e, ao lado da diretora de cinema Sandra Werneck, “E se eu não te amar amanhã”, com Luana Piovani, Leonardo Medeiro e Marcelo Laham, recentemente em cartaz. E, como ator, fez “Aos Domingos”, em 2013, indicada ao prêmio Shell e Cesgranrio de melhor dramaturgia; e “Os Inocentes”, em 2010, texto de Julia em parceria com Rodrigo Nogueira. Euforia é a 40ª peça de sua carreira. Foram 2 assistências de direção, 16 direções e 34 como ator (das 16 direções, atuou em 12).

DOIS PERSONAGENS E SEUS DESEJOS INVISÍVEIS:

UM SENHOR DE 87 ANOS HOMOSSEXUAL

A sexualidade dos mais velhos é um dos aspectos do envelhecimento que mais sofre preconceito, muitas vezes avaliada como um período assexual e de renúncia. A libido não se apresenta somente no ato sexual em si, mas nos pensamentos, na observação, nos sonhos, no desejo constante.

Foi constatado que os indivíduos, quando vão para um asilo, escondem suas sexualidades. Homossexuais, assumidos socialmente quando jovens, voltam a vestir a máscara social para não passar “constrangimentos”.

Esse personagem vai se desenvolver justamente nesse ambiente e com essa inquietação: viver num asilo e ter que se distanciar novamente de sua própria identidade. Porém, dentro de si, o que ainda persiste é a euforia do desejo que se mantém vivo, jovem e pleno. Um universo pulsante ainda está ali, querendo, sentindo e sendo o que sempre foi.

A sexualidade em toda sua amplitude, não sendo restrita ao ato sexual, ganha contornos simbólicos que falam do desejo de permanecer vivo, da persistência exigida quando o vigor do corpo declina. Mesmo tendo superado os medos e os conflitos gerados pelo desejo homossexual ao longo da vida, este é um  momento de entender que a vida sexual pode ser realizada de várias formas contradizendo a norma conservadora.

Agora, ele vê emergir imagens da infância e da adolescência. Os choques entre desejo e aceitação, beleza e envelhecimento perduram assim como o medo do abandono. A situação fica mais delicada com a perda da independência financeira e da saúde, normalmente associada à permanência de idosos nos asilos.

Em contrapartida, a tenacidade de realizar seus desejos plenamente é fruto de uma construção de identidade pessoal preciosa e possível para algumas pessoas.

UMA MULHER TETRAPLÉGICA

Uma publicação britânica sobre deficiências, que entrevistou mais de mil pessoas nessas condições, aponta que 85% já fizeram sexo alguma vez na vida e metade tinha um parceiro. Mas, por outro lado, um levantamento divulgado por um jornal do país revelou que 70% dos britânicos não iriam para a cama com alguém com algum tipo de deficiência física.

Esse é um preconceito comum. O deficiente é visto como uma vítima eterna, um “coitado”, um ser completamente assexuado.

Através do olhar dessa jovem personagem que ficou tetraplégica em função de um acidente, vamos ser levados numa viagem onde a sexualidade é tão ou mais explorada pelo corpo e suas incríveis terminações nervosas.

No início, envolta pela percepção dos limites que o novo corpo lhe tr

razia, em meio a raiva e tristeza, não chegou a pensar em sexo. O seu foco era reaprender o cotidiano, como comer, lidar com a sonda, escovar os dentes. Até que um dia começa a ficar encantada pelo seu acupunturista, de uma certa maneira sente que ele lhe desperta a consciência sobre áreas de seu corpo que se tornaram mais sensíveis após o acidente. Ela fica obcecada pelas próprias bochechas, pescoço e outras partes não convencionais do corpo, aprendendo também a decifrar aos poucos um novo mundo de fantasias e sensações.

FICHA TÉCNICA

Elenco: Michel Blois
Dramaturgia: Julia Spadaccini
Direção: Victor Garcia Peralta
Assistência de Direção: Flavia Milioni
Pesquisa Dramatúrgica: Marcia Brasil
Iluminação: Wagner Azevedo
Cenografia: Elsa Romero
Figurino: Ticiana Passos
Trilha Sonora: Pedro Guedes
Designer Gráfica: Raquel Alvarenga
Assessoria de Imprensa: Daniella Cavalcanti
Direção de Produção: Aline Mohamad e Michel Blois

SERVIÇO

Temporada: de 09 de setembro a 02 de outubro
Local: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto (R. Humaitá, 163 – Humaitá – RJ)
Tel.: (21) 2535-3846 / 2535-3927
Bilheteria: de quinta a segunda, das 17h às 21
Horário: Sábado, Domingo e Segunda, às 19h
Ingresso: R$ 20,00
Classificação: 14 anos
Capacidade: 20 lugares
Duração: 50 minutos

Horário

Setembro 9 (Sábado) 7:00 PM - Outubro 2 (Segunda) 8:00 PM

Localização

Espaço Municipal Cultural Sergio Porto

Rua Humaitá, 163 Rio de Janeiro

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