agosto, 2017

04ago(ago 4)8:00 PM15nov(nov 15)9:30 PMGrupo TAPA estreia As Criadas, de Jean Genet, no Teatro Maison de France(agosto 4) 8:00 PM - (novembro 15) 9:30 PM Teatro Maison de FranceAgenda cultural:Teatro

Detalhes

O espetáculo As Criadas, clássico da dramaturgia francesa escrito por Jean Genet (1910 – 1986) em 1947, estreia dia 04 de agosto no Teatro Maison de France. A direção é de Eduardo Tolentino de Araújo, e no elenco estão as atrizes Clara Carvalho (indicada ao Prêmio APTR 2017 por seu trabalho em “Anti-Nelson Rodrigues”, também com o Grupo Tapa), Mariana Muniz e Emilia Rey.

Depois de 36 anos, o texto de Jean Genet volta à casa de sua montagem histórica, em 1981, com Dina Sfat, Jacqueline Laurence e Suzana Faini, dirigidas por Gilles Gwizdeck.

Amplamente reconhecido como escritor de extraordinário talento, admirado por escritores como Jean Cocteau e Jean-Paul Sartre, Genet escreveu a maioria de seus textos durante os anos em que esteve preso, o que confere características bastante únicas a sua obra. Sua inspiração para “As Criadas” foi um caso real ocorrido na França, das irmãs Papin, que mataram a patroa e sua filha no ano 1933.

É o diretor Eduardo Tolentino de Araujo quem explica: “Entre o psicodrama, improviso teatral e perversos jogos infantis, as criadas sublimam, através de uma cerimônia fúnebre, o processo de opressão comandado por sua patroa/mãe, nesse tipo de relação promiscua presente em nossa cultura. Jogo situado para além da luta de classes e de Freud, cuja arena é um inferno Sartreano, que flerta com o surrealismo de Buñel e o expressionismo de Bergman, sem esquecer o travestismo tão caro a Genet. Fuga e evasão poética de alto teor lírico e poesia barata que nos remete a Mishima, Fassibinder e Manuel Puig”.

A peça conta a história das irmãs Clara (Clara Carvalho) e Solange (Mariana Muniz), empregadas no luxuoso apartamento de Madame (Emilia Rey), por quem nutrem ao mesmo tempo ódio e adoração. Basta que Madame saia de casa para que as criadas iniciem um jogo de submissão e poder em que usam as roupas, jóias e maquiagens da patroa, imitando sua voz e seus gestos, em requintados e perversos rituais de “faz-de-conta”.

Dia após dia, planejam a morte de sua patroa. Através de cartas anônimas com denúncias, acabam por levar o amante de Madame para prisão. Mas, inesperadamente, ele é libertado e vai ao encontro de Madame, e logo as tramoias das duas serão descobertas pelo casal. Sem saída, as criadas levam seu jogo perverso ao limite.

A encenação transita pelo drama e pela tragicomédia para tratar de uma incômoda relação entre opressor e oprimido.

FICHA TÉCNICA

Texto: Jean Genet
Tradução: Pina Coco
Diretor: Eduardo Tolentino de Araujo
Elenco: Clara Carvalho, Mariana Muniz e Emilia Rey
Cenários e Figurinos: Marcela Donato
Iluminação: Nelson Ferreira
Fotos: Ronaldo Gutierrez
Comunicação Visual: Gus Oliveira
Produção Executiva: Ariel Cannal
Realização: Grupo TAPA
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

Serviço

ESTREIA: dia 04 de agosto
LOCAL: Teatro Maison de France
Avenida Presidente Antonio Carlos, 58
Centro / RJ (estacionamento Valet no local)
Tel: (21) 2544-2533
HORÁRIOS: 6ª e sábado às 20h, domingos às 18h
DURAÇÃO: 90 min
GÊNERO: drama
INGRESSOS: R$50,00 (6ªf ) e R$60,00 (sábado e domingo)
CAPACIDADE: 353 espectadores
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 14 anos
TEMPORADA: até 10 de novembro

JEAN GENET (1910 – 1986)

Francês nascido em Paris, autor de uma obra literária em que expôs uma explícita crueza unida a um profundo lirismo, fruto de atormentada existência. Filho de pai ignorado, foi entregue pela mãe à assistência pública, que por sua vez a deu em adoção a um casal de produtores rurais. Assim conheceu, desde a infância, os mais sórdidos aspectos da sociedade. Aos dez anos de idade começou a cometer pequenos furtos, aparentemente inocentes, primeiro em casa e, com o tempo, fora dos limites familiares, e foi internado num reformatório. Durante a adolescência continuou sua vida de pequenos delitos, o que o levou para instituições correcionais e, mais tarde, para a cadeia. Aos 20 anos, ainda em sua vida de vadiagem, entregue a atividades delituosas, terminou na prisão, condenado por roubo. A cadeia, paradoxalmente, tornou-se sua fonte inspiradora de grande parte de sua obra literária e conseguiu o milagre de transformar toda uma existência de miséria, humilhação e sofrimento extremo em literatura de incontestável qualidade, partindo do seu primeiro poema Le Condamné à mort (1942). Então escreveu o romance Notre-Dame des Fleurs (1944), que chegou ao conhecimento e ganhou elogios de escritores como Jean Cocteau e Jean-Paul Sartre. Amplamente reconhecido como escritor de extraordinário talento, a polêmica em torno de sua figura aumentou com o romance Miracle de la rose (1945-1946). Publicou Querelle de Brest (1947), que Fassbinder transformou em filme, e com a peça Les Bonnes (1947) revelou-se um dramaturgo de profundidade intelectual, precursor do teatro do absurdo. Com a autobiografia Journal du voleur (1949), confessava-se aberta e escandalosamente ladrão e homossexual. Depois escreveu alguns romances e peças teatrais curtas que mostravam a influência do existencialismo de Sartre. Com Le Balcon (1956) e Les Paravents (1961) aprofundou um estilo expressionista de denúncias sobre os preconceitos políticos e sociais, que firmaram seu temperamento anárquico e rebelde. Diagnosticado com câncer na garganta em 1979, o escritor morreu em um hotel de Paris em 1986, depois de exigir em seu testamento que fosse enterrado no Marrocos, país onde o escritor e compositor norte-americano Paul Bowles viveu a maior parte de sua vida. Um dos mais originais escritores e dramaturgos franceses do século XX, Genet foi enterrado em um cemitério espanhol simples ao lado de Tânger, entre campas de jovens soldados da Legião Espanhola.

GRUPO TAPA

O grupo TAPA, fundado em 1974 no Rio de Janeiro, mudou-se para São Paulo em 1986, quando ocupou o Teatro Aliança Francesa por 15 anos. Durante esse período foram apresentados mais de 50 espetáculos, entre eles Shakespeare (“A Megera Domada”), Bernard Shaw (“Major Bárbara”), Anton Tchekov (“Ivanov”), AugustStrindberg (“Camaradagem”), Oscar Wilde (“A Importância de Ser Fiel”), Nicolau Maquiavel (“A Mandrágora”) e Luigi Pirandello (“Vestir os Nus”); e também grandes autores brasileiros, como Arthur de Azevedo (“A Casa de Orates”), Nelson Rodrigues (“Vestido de Noiva) e Jorge Andrade (“Rasto Atrás”). Vários prêmios do TAPA também ocorreram durante a residência no Aliança Francesa como os 03 Molière por “Vestido de Noiva”, Mambembe de melhor atriz para Clara Carvalho por “Ivanov”, além de diversos Shell e APCA.

Horário

Agosto 4 (Sexta) 8:00 PM - Novembro 15 (Quarta) 9:30 PM

Localização

Teatro Maison de France

Av. Pres. Antônio Carlos, 58 - Centro, Rio de Janeiro

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