Quando a Shonen Jump (a maior revista de quadrinhos do Japão)  sai nas bancas todo domingo (a edição semanal), uma corrida começa na internet entre os chamados scanlators para traduzir o material da revista. O tempo é um fator determinante nessa geração atual de tradutores  que já foi apelidada pelo Inside Scanlation de Geração Jump. Isso porque títulos da editora como Naruto, Bleach e One Piece são famosos no mundo inteiro tornando-se os preferidos para a maioria dos tradutores. Quanto mais rápido esses títulos principais forem traduzidos, melhor para os scanlators que terão seus websites inundados com visitas de fãs ávidos pelo próximo capítulo de sua série favorita.

Indiferente da qualidade do material final, o objetivo aqui é conseguir acessos. E não estamos falando de poucos não, falamos de acesso em escala mundial com grupos que parecem verdadeiras empresas.

A dois dias atrás surgiu a notícia de que  36 editoras americanas e japonesas se uniram contra a pirataria combatendo mais exatamente os grandes agregadores de scans, sites que possuem uma quantidade imensa de títulos vindos de diversos grupos de tradução diferentes.

O combate contra os scans foi muito discutido quando a dois meses atrás a  Weekly Shonen Jump da editora Shueisha (que agora também está entre as 36 editoras que se uniram) fez um pedido em seu editorial que os leitores parem de contribuir com material pirata porque é ruim para o mangaká que lucra com suas criações. Misteriosamente após o pedido, grandes sites que distribuem os scans ainda não traduzidos (arquivos de qualidades variáveis mais conhecidos como Raw) como Ritual Scan Forge, Raw Paradise e Manga Helpers passaram a não mais distribuir esse material. O site Raw Paradise chegou ao cúmulo de fechar, redirecionando seu link para a página da editora Shueisha.

Na época achei muito estranha essa atitude. Um pedido em um editorial da revista seria o suficiente para fazer grandes distribuidores desse material digitalizado fecharem suas portas ou mudarem suas políticas assim, de um dia para o outro? Na época conversei com uma das pessoas ligadas ao grande portal Manga Helpers e  descobri que a Shueisha entrou em contato diretamente com a maioria dos grandes sites e portais que distribuíam raws de suas revistas e pediu (com certeza de forma nada gentil) que retirassem de seus sites.

Coincidência ou não,  na mesma época alguns agregadores famosos por disponibilizar mangás japoneses traduzidos de forma totalmente online (outra moda comum dessa nova geração de scanlators para aumentar a velocidade de acesso aos capítulos ) como o One Manga e o Manga Fox, foram notificados pelo Google Adsense por possuir conteúdo pornográfico e proibido pelas leis americanas poucos dias depois. A alegação era a presença de vários mangás tachados com a categoria “maduro” contendo homossexualismo e cenas de sexo e abuso com menores. Lembrando que se a renda desses sites vem da publicidade, ter a conta cancelada desestimula o seu trabalho. E mais, se o Google está fazendo vista grossa agora e antes isso não era feito, alguém andou reclamando com a empresa…

Em vista disso o site One Manga tomou a ousada solução redirecionar a pessoa que acessa o link do capitulo desejado pelo usuário para um outro site (provavelmente pago pela própria equipe do One Manga), esse sem publicidade para evitar problemas com relação ao conteúdo. Nem precisa dizer que no final fica tudo na mesma e tal decisão só vem a contribuir com a atitude que as editoras prometem tomar agora.

Já foi a época em que todos os grupos especializados em scans eram apenas fãs interessados em divulgar o trabalho de seus autores prediletos. Lembro da época quando um mangá era licenciado no país do scanlator e ele parava automáticamente com seu trabalho. Seu público já seria capaz de ter o previlégio de ler seu autor de forma legal, então a idéia de “divulgação” já era desnecessária. Não se vê hoje tal iniciativa e a ausência dessa atitude é uma das principais alegações – mesmo daqueles que defendiam o quanto os scanlators ajudaram a divulgar os mangas pelo mundo – de que as coisas andam passando um pouco do limite.

Se as editoras entrarem com força nessa proibição, os scans tendem a voltar para seu local como divulgação do trabalho dos japoneses e passarão a ganhar locais da internet menos acessíveis e que eram comuns a eles no começo das traduções como o IRC e os Torrents. Por enquanto os agregadores continuam a todo vapor, mas vamos ver até quando eles continuarão resistindo e até que ponto as editoras chegarão para garantir seus direitos.

Mais notícias sobre o assunto você podem aguardar que eu divulgarei aqui no Ambrosia!

  • Eu acho isso uma bobeira pois em muitos países os mangás não chegam ou são interrompidos no meio do caminho, como foi o caso de One Piece no Brasil. Com esses sites de scan pude acompanhar até hoje as histórias.

    Ao invés de boicotarem ele deveriam diminuir a quantidade de site irregulares e trabalhar em parceria com os que levam o serviço a sério.

    • Teoricamente Victor isso é que vai acontecer. Repare que o incomodo deles não é com toda a pirataria, mas sim os agregadores. Pode ser mais fácil achar por eles, mas ao invés da ajuda a coisa está virando pirataria descarada. Não é pouco dinheiro que um site desses está ganhando com acessos e estão ganhando dinheiro sem dividir nada com quem criou esses mangás. Isso é sacanagem!

  • Patricio

    Acho isso um pouco chato, nós que moramos em regiões mais isoladas, no interior, não temos acesso as versões originais impressas. Nossa salvação são os scans.

    • Muppy Man

      Mas os scans são prejudiciais ao autor, a melhor maneira de apoiar o mangá é comprando-o

      • Sid Flame Master

        são poucos mangas publicados no Brasil, sem os scans como conseguiríamos ver outros títulos em nosso idioma?