Nunca o Brasil esteve tão perto de Salvador Dalí. A exposição no CCBB do Rio de Janeiro é a maior do artista que o país já recebeu, e o entusiasmo do público pode ser medido pelo tamanho da fila para entrar na mostra, que é gratuita e ficará por aqui até dia 22 de setembro. Quer motivos para ir conferir? Então prepare-se para ser surpreendido pelo mestre do surrealismo.

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Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí i Domènech nasceu em 11 de maio de 1904 em Figueres, na Catalunha, e faleceu em 23 de janeiro de 1989 na mesma cidade. Mostrando grande gosto pela Arte desde cedo, fez sua primeira exposição de desenhos aos 15 anos no teatro de sua cidade natal. Mais tarde, Dalí deixaria suas marcas artísticas peculiares na Escultura, Pintura, Cinema, Teatro, Moda, Arquitetura e Literatura.

Todos sabemos que bons amigos são um fator importante na vida, e Dalí podia se gabar de ter ótimos amigos. Aos 18 anos conheceu o poeta Federico García Lorca e o futuro cineasta Luís Buñuel, quando moravam todos na mesma república. Com o tempo e a fama, desenvolveu amizades e projetos com as estilistas Coco Chanel e Elsa Schiaparelli. Nas recepções feitas nos Estados Unidos, estavam presentes nomes do entretenimento como Mia Farrow e Cher. Mas foi com os dois amigos de república estudantil que tudo começou: Dalí desenhou cenários para as peças de García Lorca e escreveu roteiros para os filmes de Buñuel.

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Podem ser vistas no CCBB até 11 de agosto as colaborações de Dalí e Buñuel, os famosos filmes “Um Cão Andaluz” (1928) e “A Idade do Ouro” (1930). O primeiro, um curta-metragem ícone do surrealismo, começou a ser delineado quando os dois amigos compartilharam estranhos sonhos que tiveram. Contendo a famosa cena em que um olho é cortado com uma navalha, o filme foi considerado “amaldiçoado” depois que alguns atores morreram em circunstâncias trágicas, e a própria amizade de Buñuel e Dalí estava fadada à desgraça: ao ouvir de Dalí que Buñuel era comunista e ateu, um cardeal forçou o Museu de Arte Moderna de Nova York a demiti-lo, e o diretor espanhol jamais perdoou seu antigo colaborador.

Dalí também trabalhou no cinema ao lado de pessoas muito improváveis: Alfred Hitchcock, para quem desenvolveu a complexa e cara sequência de sonho em “Quando fala o coração” (1945), e Walt Disney, com quem iniciou uma parceria em 1946 para a realização de uma animação, “Destino”, que só foi concluída em 2003. Antes disso, desenhou o cenário do filme “Brumas” (1942), do francês Jean Gabin. Mas a maior coisa que o Cinema lhe proporcionou foi decepção, pois, ao ver a estreia do curta “Rose Hobart” (1936), em que Joseph Cornell faz uma montagem obcecada com cenas exóticas de uma atriz americana (e ao som de samba!), Dalí viu seu filme ideal afundar: parece que Cornell havia roubado sua ideia! Isso causou uma pequena confusão quando Dalí deu um soco no projecionista, e a decepção não foi esquecida.

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O Cinema foi muitas vezes inspiração para Dalí, inclusive na escultura de um sofá que imitava os lábios da atriz Mae West. Outra famosa escultura, também exposta no CCBB, consiste em um telefone com um receptor de lagosta… que funciona de verdade!

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No ramo das palavras, Dalí foi capa de inúmeras revistas e escreveu o romance “Faces Ocultas” em 1944, uma autobiografia em 1942 e publicou seus diários em 1963. Ele também trabalhou como ilustrador, isso desde antes da fama internacional, mas só muito depois foi convidado para ilustrar clássicos como “A Divina Comédia”, “Romeu e Julieta” e “Alice no País das Maravilhas”. Em 1973, ele ilustrou um livro de receitas de sua esposa e musa inspiradora, Gala. Em 1975, gravou um LP com entrevistas. Já no ramo alimentício, estrelou um comercial de chocolate e desenhou o logo do Chupa Chups… sim, aquele pirulito!

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Espalhafatoso e bastante polêmico, Dalí colecionou caretas por onde ele e sua obra passavam. Por mais que intelectuais, pesquisadores e professores tentem interpretar o significado de seus trabalhos, como a famosíssima tela “Persistência da Memória” (de 1931), é impossível dizer com exatidão o que cada elemento, cada detalhe significa. Mesmo assim, seu estilo é inconfundível, merece ser conferido de perto e pode ser resumido em uma única frase deste artista multifacetado:

“Todas as manhãs quando acordo, experimento um prazer supremo: o de ser Salvador Dalí”

Para ler nossa cobertura da Exposição Salvador Dalí no CCBB, clique neste LINK.