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A aritmética da relação conjugal no interessante “Pendular”

São pelos acordes da intensa “Love will tear us apart” (“O Amor Vai Nos Dilacerar“, em português) do Joy Division, que a diretora Julia Murat pontua um dos clímax de seu libelo sobre a intimidade refletida no cotidiano de um casal. “Pendular” é seu segundo longa e o primeiro após “Histórias Que Só Existem Quando Lembradas” (2011), filme da qual também lançou mão do artifício de evocar uma catarse através de um canção (no caso, “Take Me Out” de Franz Ferdinand).

2017. Crédito: Eduardo Amayo/Vitrine Filmes. Filme Pendular de Julia Murat.

O casal, interpretado por Raquel Karro (num interessante trabalho e entrega) e Rodrigo Bolzan, se muda para um galpão abandonado, onde pretender conviver com as demandas espaciais de seus ofícios: ele, escultor e ela, dançarina. O título remete ao pêndulo íntimo e pessoal que se estabelece entre os dois que vão desde questões de estatura e anseio profissionais até o lugar de uma possível gestação, dentro daquela relação. Julia escreve o roteiro junto com o marido, Matias Mariani, e isso traz exatamente o adensamento necessário entre o conflito e o desejo impresso na tela.

 

Julia tem uma maneira muito sutil de expressar os sentimentos em seus filmes e, até quando faz um longa justamente sobre isso, seu olhar está mais interessado nas cisões de individualidades do que em enfrentamentos previsíveis. Do título ao desenvolvimento, o filme se nutre de signos para se desenrolar e até o aproveitamento de espaço físico capta isso (loiros para o sensível trabalho fotográfico de Soledad Rodríguez). Os limites físicos propagam os limites conjugais. Essa aritmética é muito bem bolada. E mostrada. Por mais que Julia mostre o sexo e o conflito de maneira bem diretas, é no desequilíbrio de suas matizes que o filme mostra-se mais pungente. Ao som de Joy Division

Filme: Pendular (Idem) 
Direção: Julia Murat
Elenco: Raquel Karro, Rodrigo Bolzan, Neto Machado
Gênero: Drama
País: Brasil/Argentina/França
Ano de produção: 2017
Distribuidora: Vitrine Filmes
Duração: 1h 48min
Classificação: 18 anos

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Publicado por Renan de Andrade

Renan de Andrade

A paixão pelo audiovisual me pegou de assalto desde o berço. Assim como a necessidade de desbravar o alcance da comunicação. Formado em Jornalismo e atuando nas áreas de roteiro e direção na TV, sinto-me cada vez mais imerso nos matizes da arte (audiovisual) e da vida (comunicação).

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