em , ,

“A Cabana” explora o questionamento da fé com extremo simplismo

A Cabana é um romance bem sucedido comercialmente, escrito pelo canadense William P. Young. Vendeu mais de um milhão de cópias nos EUA quando publicado, em 2008, ficando até 2010 na lista de mais vendidos do New York Times. No mundo inteiro foram 25 milhões de cópias vendidas. Não precisava ser gênio ou vidente para saber que cedo ou tarde, Hollywood faria uma adaptação. Até que demorou.

Quase dez anos depois, “A Cabana” (The Shack, EUA/2017) chega aos cinemas. Seguindo o mesmo fio condutor da matriz literária, vemos a jornada espiritual de um pai, Mack Phillips (Sam Worthington) após uma tragédia familiar. Em uma profunda depressão, ele questiona suas crenças pessoais e, diante de uma crise de fé, ele recebe uma carta misteriosa convidando-o para ir a uma cabana abandonada no deserto de Oregon. Apesar das suas dúvidas, Mack vai ao local e encontra um enigmático grupo de estranhos liderados por uma mulher chamada Papa (Octavia Spencer). Por meio deste encontro, Mack encontra verdades significativas que irão transformar o seu entendimento sobre a tragédia que abalou sua família e sua vida mudará para sempre.

O material original abordava questões filosóficas de cunho existencial no que tange a fé e compreensão do mundo material e espiritual. Porém, feito sob medida para o entendimento do americano médio branco e protestante (o WASP). E o filme vai pelo mesmo caminho. A frustração fica mesmo por conta da forma burocrática e retilínea com a qual o diretor Stuart Hazeldine transferiu as páginas do livro para a telona. Certamente visando o mesmo público que tornou o livro um best seller, ele evitou qualquer ousadia ou sofisticação na linguagem estética. Na maior parte do tempo fica a sensação de estarmos assistindo a um telefilme.

A trilha sonora de Aaron Zigman também não se desloca do lugar comum, se apoiando na velha alternância entre o pomposo e o emotivo. O trunfo acaba sendo a carismática presença da ganhadora do Oscar Octavia Spencer. A atriz, que esteve no Brasil divulgando o longa, foi o nome de peso necessário para o papel-chave da trama, e o desempenha de maneira triunfante. E fica no ar a pergunta: por que o cantor country Tim McGraw foi escalado para viver o vizinho amigo de Mack? E a resposta mais plausível é servir como mais um chamariz para o público-alvo da produção.

A estreia no Brasil próximo ao feriado da Páscoa foi uma boa estratégia do distribuidor. O filme tem potencial de arrebanhar também o público cristão brasileiro (que também contribuiu para as polpudas vendas do livro). Ainda há um outro dado interessante para o espectador nacional, a participação de Alice Braga. Por fim, ao término da sessão de “A Cabana” fica a certeza de que o tema proposto é pertinente, mas um pouco menos de simplismo na abordagem e um pouco mais de intrepidez na direção não fariam mal.

Filme: “A Cabana” (The Shack)
Direção: Stuart Hazeldine 
Elenco: Octavia Spencer, Sam Worthington, Tim McGraw, Radha Mitchell
Gênero: Drama
País: EUA
Ano de produção: 2017
Distribuidora: Paris Filmes
Duração: 2h 13min
Classificação: 12 anos

Deixe uma resposta

Publicado por Cesar Monteiro

Cesar Monteiro

Um viciado em cultura pop que adora compartilhar seu vício com o maior número de pessoas possível

“Cães Selvagens” mostra submundo do crime de forma enfadonha e inconsistente

Jamiroquai se sai bem com sua fórmula habitual em “Automaton”