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Ney Matogrosso fala de “Olho Nu” em coletiva com Joel Pizzini e Paloma Rocha

Aconteceu em 29 de Abril, no Espaço Itaú de Cinema, a coletiva do filme/documentário “Olho Nu” que tem como protagonista o artista multifacetado Ney Matogrosso.

Juntamente com Ney estavam presentes também o diretor Joel Pizzini e a produtora Paloma Rocha, que conversaram descontraidamente com os jornalistas presentes a respeito do projeto, da carreira de Ney entre outros assuntos.

“Olho Nu” trata a carreira de Ney de uma forma pouco convencional e nada linear. Com passagens importantes em sua carreira, o filme foi uma iniciativa do próprio artista e do Canal Brasil ao propor um programa de televisão sobre o mesmo. Grande parte do material utilizado é do acervo pessoal do cantor, além de imagens cedidas de outras emissoras. Quando Joel Pizzini entrou para participar, convidou a produtora Paloma Rocha para se unir ao filme e de lá para cá, o projeto final, foram quatro anos.

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Foto por Célio Silva

Paloma atribui o longo tempo da montagem ao fato de que Joel queria captar a alma e essência do Ney, e também que o mesmo pudesse aprovasse tudo o que eles estavam fazendo, e ficar a vontade com o projeto. Ela ainda afirma que “foi um trabalho difícil, mas foi um prazer muito grande e estou muito gratificada pelo fato de ter conseguido produzir isso em termos artísticos e em termos de qualidade cinematográfica.” A produtora ainda agradece ao Canal Brasil pela oportunidade e também, por ter podido conhecer melhor o próprio Ney Matogrosso.

Pizzini começa falando do convite que teve do Paulo Mendonça, que além de diretor do Canal Brasil foi também letrista para o Secos e Molhados e é amigo de 40 anos do Ney Matogrosso. Com o Ney, Joel já havia trabalhado num curta-metragem de 1988 chamado “Caramujo Flor” no qual o cantor interpreta livremente o poeta Manoel de Barros. Fala também da liberdade que tiveram para alcançar um resultado que fosse o que planejaram desde o princípio e que é isso que vai para as telas. Em sua definição “o filme é uma espécie de auto-retrato em terceira pessoa. Um auto-retrato imaginado do Ney.” Pizzini afirma ainda que o mais importante de tudo era ser um filme com o qual Ney se identificaria.

Como o filme não é algo inteiramente comercial, será produzida uma série em cinco capítulos para o Canal Brasil que irá abordar de uma maneira mais tradicional a vida do artista, que de acordo com o próprio Joel, não caberia em apenas 1h30 de filme.

Quando questionado sobre seu processo artístico, Ney disse que sempre foi muito apaixonado por cinema e costumava matar aula para assistir aos filmes. Então, quando subiu ao palco pela primeira vez, procurou fazer a mesma coisa que via nos filmes, utilizando dessa colocação de personagens e apresentação ao público. No quesito performance, afirma também que costuma ensaiar muito, para assim poder ter mais controle e liberdade do que fará no palco.

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Foto por Célio Silva

O cantor conta também que descobriu esse outro Ney, sua outra versão quando subiu no palco, e em suas palavras “no momento em que pintei uma máscara no meu rosto, adquiri uma coragem de exposição física que eu jamais no mais louco delírio da minha cabeça, eu pudesse… Perdi o rosto e virei uma coisa, eu virei aquilo. E como era um momento de confronto com as autoridades e com a ditadura, então eu surgi de uma maneira muito agressiva, minha nudez era para agredir, eu me requebrava para agredir.” Ney continua dizendo “…minha arma era a minha libido. Que era uma coisa que não era exposta e homem não podia expor.”

O Ambrosia perguntou ao Ney se existe alguma faceta dele como artista a qual o público desconheça ou que ele ainda desconheça?
“Olha eu não sei. O princípio é o mesmo, mas ele vem sendo elaborado com o tempo. No começo, eu não sou dançarino, então eu entrava dançando de uma maneira que hoje em dia eu olho e acho hilário. Pareço um inseto.” O que arrancou algumas risadas da platéia ali presente. E ele continua “…fui elaborando isso, a mesma coisa com a sexualidade. A sexualidade do Secos e Molhadas não foi mostrada porque não há registro. Que era muito mais agressiva, então hoje em dia, olho para o público como se fosse alguém que eu namoro há 40 anos. Não existe mais a agressividade de antes, não há mais necessidade.” 

O filme “Olho Nu” estreou dia 08 de Maio em Portugal e obteve uma resposta muito boa de público. No Brasil ele estréia hoje nos cinemas.

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Publicado por Melissa Andrade

Fotógrafa, Roteirista, Crítica e futura Jornalista que acha impossível ser apenas uma única coisa, então escolheu ser muitas ao mesmo tempo. Tão mais Geek que Nerd, não sabe viver sem tecnologia, ou livros, ou filmes, ou televisão, ou quadrinhos...que acaba sendo algo tão Nerd quanto Geek...ai! Acredita que ser curioso é o que move o mundo e está sempre pronta a aprender sobre novos assuntos.

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