Baby (ANSEL ELGORT) and Bats (JAMIE FOXX) on the way to the post office job with Buddy (JON HAMM) and Darling (EIZA GONZALEZ) as cops pull up next to them in TriStar Pictures' BABY DRIVER.
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“Em Ritmo de Fuga”: a cadência de um excelente entretenimento

Quando Baby Driver (título original da banal versão brasileira “Em Ritmo de Fuga“) começa, no compasso sonoro de “Bellbottoms“, do Jon Spencer Blues Explosion, numa espécie de coordenação coreografada de uma espetacular cena de fuga de um grupo de bandidos, com Ansel Elgort – o Baby do título – rasgando avenidas, dirigindo um possante, já começamos a ficar intrigados com a proposta do hábil diretor Edgar Wright.

Ainda mais sabendo de antemão que, apesar de não ser necessariamente um musical, o filme contou com os serviços do coreógrafo Ryan Heffington, premiado criador dos movimentos eternizados nos clipes da cantora Sia. Pois Em Ritmo de Fuga é o resultado desse estranhamento prévio.

O introvertido Baby está sempre envolto com músicas de seus fones de ouvido em vários ipods (usados de acordo com seu humor), vive com o padrasto e trabalha como o motorista de fuga dos crimes de assalto planejados por Doc (Kevin Spacey), delito que comete por ter uma dívida do passado com o mesmo. Quando está perto de se livrar de tal obrigação, Baby conhece a jovem garçonete Debora (Lilly James) por quem se apaixona e deseja fugir da cidade sem rumo. O problema é que sua impressionante expertise faz com que Doc não queira dispensa-lo e isso se complica em meio ao novelo que se envolve no último “serviço” prestado.

Wright é um diretor inquieto. Seus filmes sempre parecem querer potencializar o viés “cinemão” para além de suas facilidades. Por isso Scott Pilgrim contra o mundo (2010) fez tanto barulho e é tão representativo, para não citar seu “cartão de visitas” Todo Mundo Quase Morto (2004).

Cadência é uma palavra que pode explicar bem o quanto Wright foi feliz ao buscar um frescor para seu filme. A narrativa é ritmada numa harmonia entre som (trilha selecionada e constante) e imagem (montagem em consonância) absolutamente fluente e sedutora. Com essa habilidade, ele pode até fazer com que seu roteiro – um tanto simples e diria até que frágil em seu fim – funcione dentro de sua montagem brilhante.

Pode parecer que Em Ritmo de Fuga seja só uma elegia técnica do diretor, mas na verdade ele faz de um planejamento estrutural toda a alma de uma história que é até bem sensível em seus elementos humanos. E divertido em tudo o que se propõe. Ainda que esse tipo de cinema (com tutano) seja exceção, e não regra, no que se faz hoje para as massas, há de se enaltecer que haja espaço hoje para compreender o real valor do entretenimento. Aperte o play!

Filme: Em Ritmo de Fuga (Baby Driver)
Direção: Edgar Wright
Elenco: Ansel Elgort, Lily James, Jamie Foxx
Gênero: Ação, Suspense
País: EUA/Reino Unido
Ano de produção: 2017
Distribuidora: Sony Pictures
Duração: 1h 53min
Classificação: 14 anos

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Publicado por Renan de Andrade

Renan de Andrade

A paixão pelo audiovisual me pegou de assalto desde o berço. Assim como a necessidade de desbravar o alcance da comunicação. Formado em Jornalismo e atuando nas áreas de roteiro e direção na TV, sinto-me cada vez mais imerso nos matizes da arte (audiovisual) e da vida (comunicação).

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