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Entre sua densidade e superficialidade, “Evereste” comove

A relação de magnetismo que o Monte Evereste suscita em um número considerável de seres está muito ligada ao que isso representa metáfora e objetivamente como desafio pessoal.

Nesse ponto, o filme Evereste é ainda mais rico como biografia sobre o que aconteceu com os dois grupos de alpinistas naqueles primeiros meses de 1996 e que depois foi tido como um dos maiores desastres da maior e mais famosa montanha do planeta. Tanto superlativo caberia inteiramente no gênero de filme catástrofe. A direção firme de Baltasar Kormákur torna essa desventura vertiginosa numa investigação sobre os limites da condição humana frente as complexidades da realização pessoal.

Baseado no livro No Ar Rarefeito, o filme narra os acontecimentos dos dias 10 e 11 de maio de 1996, quando dois grupos de alpinistas fizeram uma excursão ao topo do Monte Everest, o pico mais alto do mundo, com 8.848 metros de altitude. Naquela tarde, uma forte nevasca fez com que oito pessoas, entre guias, auxiliares e esportistas de maior ou menor experiência, morressem na tentativa de alcançar o topo da montanha, que fica na Cordilheira do Himalaia, na fronteira entre a China e o Nepal.

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Para um blockbuster de entretenimento até que a pretensão se mostrou bem legítima e azeitada. Por mais que sacrifique (um pouco) o aprofundamento dos seus muitos personagens (com um elenco surpreendentemente estrelado e, claro, subaproveitada com nomes como Jason Clarke, Jake Gyllenhaal, Josh Brolin, John Hawkes, Michael Kelly, Emily Watson, Keira Knightley, Sam Worthington, Robin Wright entre outros) o roteiro é bem sucedido em envolver o espectador pela assimilação que se faz desse confronto entre homem e natureza, ainda mais pela perfeita utilização do CGI recriando a deslumbrante e perigosa paisagem do lugar.

Evereste é um filme triste. Mas uma tristeza melancólica, bem reforçada quando no fim, conhecemos os personagens reais daquela história. É como se sua aparente superficialidade fosse substitutiva por sua densidade emocional. Por isso que, dentro do que é como cinema, é um filme que não deve ser subestimado. Levem seus lenços e marquem com seus analistas…

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Publicado por Renan de Andrade

Renan de Andrade

A paixão pelo audiovisual me pegou de assalto desde o berço. Assim como a necessidade de desbravar o alcance da comunicação. Formado em Jornalismo e atuando nas áreas de roteiro e direção na TV, sinto-me cada vez mais imerso nos matizes da arte (audiovisual) e da vida (comunicação).

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