Um dos indicados a Premiere Brasil do Festival do Rio 2011, A Novela das 8 trouxe um pouco de cor e música para o festival. O longa é ambientado em 1978, no fim da ditadura e auge da novela Dancing Days. Na trama, Claudia Ohana interpreta a ex-jornalista política Dora, que foi torturada e vive escondida da família e da polícia, assumindo outra identidade. A co-protagonista da história é a atriz Vanessa Giácomo que vive uma garota de programa, companheira de fuga de Dora. A personagem é obcecada por novelas e deseja que sua vida seja como “Dancing Days.

Talvez o argumento da trama, casando a febre setentista por uma novela que marcou época e ditou o comportamento social e o período de ditadura política que tomava o país, além das ótimas atuações do elenco (Ohana e Giácomo estão ótimas, assim como Mateus Solano) sejam as melhores coisas do filme. O roteiro não amarra bem esses matizes o que resulta numa mal ajambrada mistura de melodrama com thriller mas tudo um tanto inverosímel e esquemático. Para piorar, a montagem pouco (ou nada) contribui para a narrativa que soa deslocada, assim como as subtramas que se pautam pelo discurso, mas se repelem na narrativa.

Dirigido por Odilon Rocha, A Novela das 8, acaba sendo muito mais uma plástica rasa desse emblemático período do que uma análise ampla de como esses dois extremos (novela X política) se convergem na cultura nacional, como bem denotou o letreiro do fim.

Acaba que o filme se resume muito mais pela intenção do que pela execução em si.

[xrr rating=2.5/5]