Talvez nos últimos meses, um filme que foi tão alardeado pela crítica tenha me feito sair totalmente decepcionado do cinema. Hoje, “O Mordomo da Casa Branca” não só fez isso, mas foi a prova máxima de que a fórmula de filmes contando a história das lutas dos negros norte americanos pelos direitos civis já está sobrecarregada. Esta frase foi escrita com peso no coração, mas é a verdade.
De filmes como “A Cor Púrpura”, “Malcolm X”, “Histórias Cruzadas” e tantos outros, chegamos a este que poderia muito bem ter sido feito para a televisão, com qualidade infinitamente superior, sem todas as falhas absurdas de roteiro, direção e direção de atores, todos extremamente decepcionantes em papéis claramente escritos as pressas para os diversos artistas convidados.

A verdade é que alguém pensou que este roteiro seria uma espécie de mistura de todos os filmes que eu citei ali acima e mais uma penca de atores, cantores e apresentadoras de televisão que pediram um espaço no elenco. Desde Forest Whitaker, que faz um esforço hercúleo para interpretar um papel mal escrito, com péssimos diálogos e que não irão lhe render mais um Oscar de Melhor Ator à Mariah Carey, interpretando a mãe estuprada pelo dono de plantação, que só sabe gritar e acaba sem falar sequer uma frase completa no filme, bem, ela faz isso na carreira dela, então, nada de novo.
mariah

A história de Eugene Allen, e não o ficcional Cecil Gaines é bem diferente daquela contada no filme, mostrando mais uma vez que Hollywood quer nos vender uma mentira, baseada de longe na vida real de uma pessoa, como se esta fosse por demais importante e tenha testemunhado os grandes avanços sociais pelo qual os EUA passaram, tentando criar uma nova consciência de luta em todos os espectadores. De todos os fatos narrados no filme, 90% são ficção e não aconteceram como foram contados. Ainda assim, mesmo se tivessem ocorrido, o filme sequer te faz ter tempo para remoer as situações, jogando-nos a outro local e tempo, atropelando nossos sentimentos e poder de analise.

A colocação de atores como James Marsden, Alan Rickman, Robin Williams e John Cusack para interpretar diversos presidentes americanos não só foi equivocada, como no caso de Cusack e Marsden, totalmente absurdas, pela falta de personalidade que os mesmos não tem com seus personagens. As poucas e boas surpresas são Lenny Kravitz e Cuba Gooding Jr. interpretando outros mordomos ao lado de Whitaker e fazendo muito bem seus papéis.

o mordomo

Uma das poucas coisas que salvam no filme é a trilha sonora, deveras perfeita em alguns pontos. Para aqueles que tem interesse em saber um pouco mais da verdadeira história de Eugene Allen, recomendo ler este artigo da revista Time. É bem melhor que o filme e você não precisa ficar mais de duas horas sendo obrigado a engolir a luta racial dos negros norte americanos de uma forma insossa e sem o verdadeiro sentimento de ódio, revolta e tortura que cada uma daquelas pessoas sofreu durante todos aqueles anos.
Este filme, neste ponto, é uma falta de respeito com todos os filmes já feitos e que mostram, muito melhor do que este, o que realmente foi a luta pelos direitos civis e ainda, faz uma clara campanha pró Obama no final, dando a entender que após tantos anos um homem negro chegou ao poder e salvou os Estados Unidos da América, desrespeitando tantos outros homens e mulheres negros que chegaram a governar naquele país, seja como prefeitos, seja como secretários de Estado.

A luta pelos direitos civis e a liberdade dos povos negros não só da América, mas do mundo todo, é por demais importante para ser tratada de forma tão leviana, com o claro intuito de tentar oscarizar o ator principal e o diretor. A falta de respeito e sensibilidade do filme é tamanha que até o momento ainda estou tentando achar algo melhor para falar, porém, infelizmente, a arrogância de seus idealizadores me proíbe moralmente de faze-lo. Não vá assistir este filme ou apenas espere ele passar na televisão, você economizará tempo e dinheiro.