Cada vez mais o chamado cinema indie americano está virando um tipo e não um gênero em si, o que quer dizer que muitas vezes se dilui em derivações próprias. “O Plano de Maggie” é um exemplo dessa máxima, mas também há o seu porém: o carisma dos personagens é mais válido que o próprio desenvolvimento da trama.

A diretora Rebecca Miller busca fazer um cinema que é exatamente o cruzamento entre a verborragia filosófica cool de Woody Allen e a “estética do despojamento” de Noah Baumbach. E ainda conta com Greta Gerwig, atriz assinatura do “gênero” e numa composição complementar a seu papel mais icônico, Frances Ha (um dos melhores filmes da deliciosa “modinha” hipster).

Cansada de relações frustradas, Maggie (Greta) decide ter um filho por conta própria. A estratégia é convencer um amigo que produz pepinos em conserva, a doar esperma para a empreitada. Só que o projeto de Maggie falha, já que ela conquista um antropólogo ficto-crítico (Ethan Hawke), que larga sua neurótica e dinamarquesa mulher (Julianne Moore, como sempre atriz com A maiúsculo), para ficar com ela.

AE10SCMAGGIE.jpg

Quando enfim consegue marido e filha que tanto queria, a realidade começa a ser bem diferente da expectativa: já cansada do egocentrismo do marido, Maggie trama um esquema mirabolante para devolvê-lo à ex. E assim o filme vai transcorrendo.A trama ajuda a condensar suas óbvias referências, principalmente pela interessante premissa de que os problemas da protagonista começam exatamente no casamento.

Rebecca doura a pílula na forma, mas não desenvolve o carisma que tem em mãos com o entrelaçamento de seus personagens. É como se o filme se resumisse a premissa. Com isso, o ritmo fica comprometido e a história redundante. Apesar de, em muitos aspectos, fofo e engraçadinho, “O Plano de Maggie” acaba se resumindo a um tipo.