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Os filmes que “bugaram” em 2016 (com direito a menções desonrosas)

O ano de 2016 teve tantas coisas ruins em diversas áreas que muita gente gostaria que ele nunca tivesse existido. No cinema, isso não foi muito diferente. É claro que sempre vai haver filmes bons ou ruins sendo lançados anualmente. Mas neste ano que terminou a quantidade de produções que ficaram muito abaixo do esperado foi consideravelmente grande. Seja por bilheteria quanto em qualidade. Tanto que fazer uma lista do pior que surgiu na telona em 2016 não foi difícil. O complicado foi deixar algumas “preciosidades” de fora para não deixar a lista muito extensa. Confira abaixo as pérolas (não é um ranking!) que, com certeza, deixaram muita gente arrependida de ir ao cinema nos últimos meses.

1) “A 5ª Onda”

(de J Blakeson)A ideia parecia infalível no papel. Adaptar mais um livro estrelado por adolescentes que lutam contra uma terrível ameaça capaz de destruir o mundo, com uma protagonista bela e forte, como a Katniss de “Jogos Vorazes”. Só que com tempo para se envolver num triângulo amoroso, assim como a Bella de “Crepúsculo”, enquanto luta para sobreviver num universo distópico e violento. Acontece que “A 5ª Onda” é sabotado pela péssima direção, um roteiro ridículo que conta com alguns dos piores diálogos do ano, e um dos atores mais canastrões que surgiram em 2016, o fraquíssimo Alex Roe. Nem mesmo os talentosos Chloë Grace Moretz, Liev Schreiber e Manika Monroe conseguem salvar essa catástrofe em forma de filme. Provavelmente, não teremos novas adaptações da série de livros escritos por Rick Yancey. Talvez seja melhor assim.
Confira a crítica do filme aqui.

2) “Caçadores de Emoção – Além do Limite”

(de Ericson Core)
O filme de 1991, estrelado por Keanu Reeves e Patrick Swayze (provavelmente em seu melhor papel) era bem divertido e ainda mantém o seu frescor, graças à boa direção da então futura ganhadora do Oscar, Kathryn Bigelow. O remake, embora conte com uma belíssima fotografia e uma boa montagem, fracassa vergonhosamente se comparado com o original. Isso se deve a um diretor inexperiente, um roteiro risível e uma péssima escalação de elenco. O australiano Luke Bracey consegue a proeza de ser mais sem graça do que Reeves e o bom Edgar Ramirez não tem metade do carisma de Swayze como o líder do grupo de esportistas radicais que cometem roubos espetaculares. Facilmente esquecível, “Caçadores de Emoção – Além do Limite” leva, sem maiores dificuldades, o prêmio de pior refilmagem de 2016.
Confira a crítica do filme aqui.

3) “Deuses do Egito”

(de Alex Proyas)
O egípcio Alex Proyas, de “O Corvo”, “Eu, Robô” e “Presságio” parecia ser a pessoa ideal para criar uma nova franquia a partir da mitologia de seu país natal. A Lionsgate, mesmo estúdio de “Jogos Vorazes”, acreditou tanto no potencial de “Deuses do Egito”, que foi bem generosa e liberou US$ 140 milhões para o seu orçamento. O dinheiro, no entanto, não consegue ser visto na tela, já que os efeitos especiais, que deveriam ser grandiosos, conseguem ser piores do que de muitas cutsecenes de videogames. O desastre fica ainda maior graças às péssimas atuações do elenco (que inclui Gerard Butler, Nikolaj Coster-Waldau e Geoffrey Rush) e o roteiro vergonhoso. O plano de criar uma nova série caiu por terra por conta da péssima bilheteria. Parece que os deuses não estavam a favor dessa produção.
Confira a crítica do filme aqui.

4) “Orgulho e Preconceito e Zumbis”

(de Burr Steers)
O clássico livro de Jane Austen ganhou uma releitura por Seth Grahame-Smith (o mesmo que criou “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros”), onde adicionou mortos-vivos à trama que discute a divisão de classes na Inglaterra do século XIX e transformou a heroína Elizabeth Bennet (vivida no filme por Lily James) numa mestre em artes marciais e armas e o Sr Darcy (Sam Riley) num especialista em exterminar zumbis. A boa ideia poderia até render uma obra divertida, mas a péssima direção de Burr Steers (também autor do roteiro) não consegue criar nenhuma boa sequência de terror ou suspense e as cenas de ação ficaram bem genéricas. A cenografia e os figurinos se tornaram o grande destaque da produção, mas não evitam que o resultado final ficasse decepcionante. Uma pena.

5) “A Série Divergente: Convergente”

(de Robert Schwentke)
Definitivamente, 2016 não foi um bom ano para os futuros distópicos. O fracasso de “A 5ª Onda” já indicava o desgaste da fórmula, mas houve quem acreditasse que a terceira parte das aventuras de Tris (Shailene Woodley) faria tanto sucesso quanto os capítulos anteriores. Eles não podiam estar mais errados. “Convergente” é inferior a tudo em relação aos outros filmes da série, com efeitos especiais constrangedores, reviravoltas previsíveis e uma trama romântica totalmente sem graça. Isso acabou refletindo em sua arrecadação, tão baixa que os planos de fazer o quarto filme, “Ascendente” (que adapta, na verdade, a metade final do último dos livros escritos por Veronica Roth), foi por água abaixo e pode ir direto para a TV. E pode não contar nem com Woodley nem com os astros principais da franquia. Um triste fim para a série que parecia ter força para competir pau a pau com “Jogos Vorazes”.
Confira a crítica do filme aqui.

6) “Independence Day: O Ressurgimento”

(de Roland Emmerich)
Desde que “Independence Day” se tornou um grande sucesso mundial em 1996, os fãs pediam por uma continuação, que levou 20 anos para ser lançada. Só que, no cinema, há coisas que nunca deveriam ser mexidas novamente e aqui é um caso claro. Na sequência, tirando os bons efeitos especiais, praticamente nada mais funciona. Uma história ruim que é esticada até a exaustão, piadas fracas e, principalmente, um excesso de clichês põem tudo a perder. Para piorar, todo o elenco de “Independence Day: O Ressurgimento” (que inclui atores do filme original, como Bill Pullman e Jeff Goldblum e novos nomes como Liam Hemsworth e Charlotte Gainsbourg) é desperdiçado e ninguém consegue se destacar, ainda mais com um material ralo que tiveram que trabalhar. O filme termina com a possibilidade de mais uma aventura, mas pode ser que ela nunca aconteça por causa da bilheteria abaixo do esperado. Will Smith, que foi o protagonista do ID4 original, fez bem em ter recusado voltar dessa bomba intergalática.

Confira a crítica do filme aqui.

7) “A Era do Gelo: O Big Bang”

(de Mike Thurmeier e Galen T. Chu)
Em 2016, foram lançadas diversas animações que divertiram crianças e adultos com boas histórias, como “Zootopia”, “Kubo e as Cordas Mágicas”“Procurando Dory”, que foi um super sucesso de bilheteria, assim como o filme original, “Procurando Nemo”. Mas “A Era do Gelo: O Big Bang” mostrou que a franquia de onde ela surgiu não tinha mais necessidade de existir. Com uma história repetitiva, cheia de piadas que não são tão engraçadas quanto nos episódios anteriores e com personagens novos nada marcantes, a quinta aventura de Sid, Manny e Diego se tornou um indigesto mais do mesmo e, apesar de ser um sucesso de bilheteria no Brasil, provavelmente a série chegou ao seu fim com esse capítulo chocho e desnecessário (assim como era “A Era do Gelo 4”).

Confira a crítica do filme aqui.

8) “A Lenda de Tarzan”

(de David Yates)
No mesmo ano em que David Yates retornou ao universo mágico de Harry Potter com o delicioso “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, o diretor lançou uma nova aventura com o Rei das Selvas, estrelada por Alexander Skarsgård (da série “True Blood”), que até veio ao Brasil para divulgar o filme. Só que praticamente nada funciona em ” A Lenda de Tarzan”, apesar das várias cenas de ação e cheias de efeitos especiais, que ficaram artificiais demais. O oscarizado Christoph Waltz não está bem como o vilão e a bela Margot Robbie não tem muito o que fazer, a não ser mostrar que sua Jane não é uma típica donzela e tem bastante atitude. Samuel L Jackson acaba sendo uma espécie de alívio cômico e Skarsgård é inexpressivo demais como o Homem Macaco. Parece que o personagem, criado por Edgar Rice Burroughs, vai passar um tempo longe das telas até acharem um projeto que faça jus à sua importância.

Confira a crítica aqui.

9) “Esquadrão Suicida”

(de David Ayer)
Após a recepção morna de “Batman Vs Superman: A Origem da Justiça” (que até hoje gera discussões acaloradas entre os que amaram e odiaram o filme), a Warner Bros. e a DC Comics voltaram suas atenções para a primeira adaptação do grupo de vilões que é recrutado para fazer missões arriscadas em troca de diminuições em suas penas. Amparado por ótimos trailers que contavam com hits pop/rock, “Esquadrão Suicida” criou uma senhora expectativa que, no fim das contas, não se cumpriu. Houve quem achasse que o filme seria para a DC o que “Guardiões da Galáxia” foi para a Marvel Studios. Só que a fraca direção de Ayer, o roteiro cheio de diálogos e situações patéticos e a má escalação de parte do elenco transformaram a produção numa das maiores decepções do ano que passou. Pelo menos Will Smith como o Pistoleiro, Viola Davis como a durona Amanda Waller e, principalmente, Margot Robbie como a enlouquecida Arlequina (que vai até ganhar um filme próprio) se salvam do desastre completo. Já Jared Leto consegue a proeza de ser o pior Coringa que surgiu no cinema até agora. Mas a Warner está feliz porque, apesar do péssimo resultado, o filme foi um grande sucesso de bilheteria e deve ganhar continuações no futuro.

Confira a crítica do filme aqui.

10) “Bruxa de Blair”

(de Adam Wingard)

Com quase 20 anos de atraso, eis que surge, quando ninguém mais esperava, mais uma continuação do terror que foi um verdadeiro fenômeno quando foi lançado em 1999. Só que o novo “Bruxa de Blair” não traz praticamente nada de novo, tanto na história quanto no formato (mais uma vez é usado o já batido recurso de found footage) e deixa os fãs do filme original com aquela sensação de que já viu tudo antes (e melhor). Para piorar, a produção peca justamente onde não poderia, que é conseguir assustar o público. Felizmente, boa parte dos espectadores não caíram nessa armadilha em forma de filme e não foram aos cinemas prestigiar essa verdadeira desgraça. Parece que a Bruxa vai ter, finalmente, seu merecido descanso.

Confira a crítica do filme aqui.

Menções Desonrosas: “Pequeno Segredo” (de David Schurmann ) e “É Fada” (de Cris D’Amato)

Um dos momentos mais polêmicos para o cinema no Brasil foi a escolha do drama “Pequeno Segredo” para representar o Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Estrangeiro do Oscar 2017. A produção, dirigida por David Schurmann, e inspirada num fato real que aconteceu com sua família foi considerada bem mais fraca que seus adversários, especialmente “Aquarius”, que era visto como o franco favorito. O filme ficou de fora logo nas primeiras eliminatórias, mostrando que a decisão não foi das melhores. “Pequeno Segredo” acabou sendo massacrado pela crítica especializada e não teve uma bilheteria expressiva.

Confira as crítica do filme clicando aqui ou aqui.

Já o primeiro filme estrelado pela atriz e youtuber Kéfera Buchmann foi um grande sucesso de bilheteria, com mais de 1,6 milhão de espectadores, provando a popularidade de Kéfera entre os adolescentes. Porém, “É Fada”, inspirado num livro de Talita Rebouças,  foi uma das produções mais criticadas negativamente do ano, graças a sua má realização, com piadas de baixo calão e efeitos especiais questionáveis. Mas provou que as celebridades da internet podem, sim, atrair um bom público. Tanto que, para os próximos anos, novos filmes estrelados por youtubers, como Chrsitian Figueiredo, chegarão aos cinemas ainda em 2017.

Bem, gostaram da lista? Sentiram falta de algum filme ou acharam injusto a colocação de algum neste ranking? Deixe a sua opinião aqui embaixo e Feliz 2017!!!

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Publicado por Célio Silva

Célio Silva

Sou um cara que, desde que viu Flash Gordon na telona, com 7 anos de idade, sempre foi apaixonado por cinema. Também curto muito TV, música e livros. Mas é na sétima arte que sinto o maior prazer.

Afinal, por que 2016 parece ter “matado” tantas celebridades?

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