Pois é, 2018 já chegou e sobrou para este que vos escreve fazer o trabalho sujo (mas, por vezes, divertido) de selecionar algumas verdadeiras tristezas e desgraças da sétima arte, mesmo que algumas tenham até ido bem nas bilheterias no ano que passou. Pelo menos, desta vez, nenhum filme de super-herói entrou nesta lista (viva!). Mas mesmo assim, foi lançada muita produção que não vale a pena ver de novo, seja na telona ou na telinha. Sem mais delongas, vamos lá (lembrando que a ordem aqui é aleatória):

1) “Resident Evil 6: O Capítulo Final”

(de Paul W. S. Anderson)

A série baseada em um vídeo game mais longeva do cinema teve o seu encerramento oficial em 2017, repetindo os mesmos maneirismos vistos nos filmes anteriores, sem nenhum impacto, e com a direção de Paul W. S. Anderson no piloto automático. O que não impediu que os fãs prestigiassem esse epílogo nada emocionante. Mas o pior é perceber que não só a história não acabou como periga ter mais episódios num futuro não muito distante, mesmo que Milla Jovovich (musa da franquia e esposa do diretor) não queira voltar como Alice. No fim das contas, o desfecho se transformou, na verdade, num verdadeiro engana-trouxa.

Confira a crítica do filme aqui.

2) “Cinquenta Tons Mais Escuros”

(de James Foley)

O enorme sucesso de “Cinquenta Tons de Cinza” em 2015 não escondeu suas fraquezas em termos cinematográficos, especialmente no roteiro e na direção. Com a saída da cineasta Sam Taylor-Wood e a entrada do veterano James Foley, houve até uma esperança de que a continuação ficasse um pouco melhor. Doce ilusão. A sequência, “Cinquenta Tons Mais Escuros”, apresenta os mesmos problemas graves do primeiro filme, com diálogos terríveis, situações constrangedoras e um pseudo-erotismo que não é mais ousado do que as produções exibidas na finada sessão “Sexta Sexy”, da TV Bandeirantes. Para piorar, a trama conta com situações de suspense e mistério que não surpreendem ninguém e são resolvidos de forma corriqueira. Resta saber se Foley consegue ajeitar a casa em “Cinquenta Tons de Liberdade”, a última parte desta trilogia que faz a alegria dos fãs de Christian Grey (Jamie Dornan) e Anastasia Steele (Dakota Johnson), com estreia prevista para fevereiro deste ano.

Confira a crítica do filme aqui.

3) “A Cura”

(de Gore Verbinski)

Depois do fracasso de “O Cavaleiro Solitário”, o diretor dos três primeiros “Piratas do Caribe” voltou a apostar no terror e no suspense, gêneros que parecia dominar graças ao bem-sucedido “O Chamado”. Só que, em “A Cura”, nada deu certo para Verbinski, já que seu trabalho nunca obtém um bom resultado, ainda mais com um roteiro cheio de furos e uma inexplicável duração além do necessário. Nem mesmo a boa atuação de Dane DeHaan (aqui emulando Leonardo Di Caprio em “Ilha do Medo”, de Scorsese), o charme exótico de Mia Goth (revelada em “Ninfomaníaca: Volume 2”) ou mesmo a belíssima fotografia evitam o desastre que foi essa produção. O jeito é torcer para que Verbinski se reencontre no vindouro filme do Gambit, estrelado por Channing Tatum.

Confira a crítica do filme aqui.

4) “A Grande Muralha”

(de Zhang Yimou)

Grandes cineastas podem cometer erros em suas carreiras. Mesmo realizadores consagrados como Steven Spielberg derrapam quando menos a gente espera, como nos recentes “Cavalo de Guerra” e “O Bom Gigante Amigo”. É também o caso aqui do diretor Zhang Yimou que, depois de se consagrar com dramas como “Lanternas Vermelhas” e “Nenhum a Menos”, mostrou que sabia como comandar épicos como “Herói” e “O Clã das Adagas Voadoras”. Então, quando Yimou foi anunciado como o condutor da super produção que unia Estados Unidos e a China, o projeto obteve mais credibilidade junto aos cinéfilos. Mas, infelizmente, “A Grande Muralha” acabou desabando graças a um roteiro pouco criativo, que mistura “Dança Com Lobos” e “O Último Samurai”, além de efeitos especiais que parecem ter sido feitos pela Equipe D da Industrial Light and Magic. Nem o elenco multinacional, encabeçado por Matt Damon, escapa ileso da desgraça que se abateu sobre essa obra. Este ano, Yimou ficou devendo.

Confira a crítica do filme aqui.

5) “Alien: Covenant”

(de Ridley Scott)

Falando em decepções com grandes diretores, o que dizer de Ridley Scott? Quando todo mundo achou que, depois de dividir opiniões com “Prometheus”, o cineasta britânico colocaria a franquia de volta aos eixos ao anunciar a volta do alienígena xenomorfo mais temido do universo em sua sequência. O resultado não foi menos que decepcionante, com personagens sem carisma (como a protagonista interpretada por Katherine Waterson, nitidamente inspirada na Ripley de Sigourney Weaver) e incrivelmente burros para serem exploradores espaciais, situações ridículas e pouco impactantes, além da preguiça de Scott em ser mais criativo nas cenas de terror e suspense, chegando a criar momentos dignos de slasher movies como os da série “Sexta-Feira 13”. Pelo menos Michael Fassbender se sai bem como os androides David e Walter. Mas o gosto amargo de desilusão é mais forte. Tanto que a bilheteria abaixo do esperado pode cancelar novos filmes da franquia. Scott vai ter que rebolar para reverter a situação no futuro.

Confira a crítica do filme aqui.

6) “Transformers: O Último Cavaleiro”

(de Michael Bay)

Não tem jeito: Sempre que lançam um novo capítulo da saga dos Autobots contra os Decepticons, as chances do filme aparecer em listas de piores do ano são enormes. O diretor Michael Bay sempre promete que o seu mais recente projeto vai divertir bastante o espectador. Mas fica difícil quando ele não se mostra muito interessado em fazer muito além do que belos enquadramentos: a ação permanece caótica, o roteiro não faz o menor sentido e os atores estão ali apenas para garantir seus pagamentos. Mas ele conseguiu se superar em “Transformers: O Último Cavaleiro” e deixa tudo ainda mais bagunçado do que nos filmes anteriores, em seus inacreditáveis 149 minutos (!!!), em que nem mesmo o grande Anthony Hopkins consegue escapar da mediocridade. A única notícia boa é que esse filme arrecadou menos que os outros. A má notícia é que vem aí um filme estrelado pelo Bumblebee.

Confira a crítica do filme aqui.

7) “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

(de Luc Besson)

Projeto de estimação de Luc Besson, “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” chegou aos cinemas com toda a pompa e circunstância, graças a um orçamento mais do que generoso que tornou possível transpor para a telona o visual incrível criado por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières. Só que isso não foi o suficiente para tornar o filme bom. Besson comete erros graves na direção e no roteiro superficial e uma edição mais dinâmica deixaria o filme mais enxuto na duração e menos cansativo (erro, aliás, cometido também por Denis Villeneuve no também aguardado – e melhor – “Blade Runner 2049”). Além disso, o cineasta de “O Profissional”, “Nikita” e “O Quinto Elemento” pecou principalmente em escalar Dane DeHaan, inadequado como o protagonista, além de ter química zero com a fraca Cara Delevigne (a Magia de “Esquadrão Suicida”), o que faz com que o público não se importe mais com a personagem de Rihanna do que com o casal principal. Uma pena, pois a produção tinha muito potencial para render sequências no futuro.

Confira a crítica do filme aqui.

8) “Antes que eu vá

(de Ry Russo-Young)

O que aconteceria se “Feitiço do Tempo” fosse estrelado não por Bill Murray, mas por uma adolescente bonita e popular na escola? A resposta é “Antes que eu vá”, baseado em best seller de sucesso de Lauren Oliver. Embora Zoey Deutch demonstre carisma e potencial para papéis maiores e melhores, nem mesmo seu talento pode salvar uma produção burocrática, dirigida sem brilho por Ry Russo-Young. Cheio de clichês manjados de filmes ambientados em escolas americanas, além de tratar a questão do bullying de maneira superficial, “Antes que eu vá” só serve mesmo para os fãs do livro. O jeito é torcer para que Zoey apareça mais e melhor em breve.

Confira a crítica do filme aqui.

9) “A Torre Negra

(de Nikolaj Arcel)

Stephen King teve um ano cinematográfico interessante em 2017. De um lado, viu a adaptação de seu “It: A Coisa” ser consagrada pela crítica e se tornar um mega sucesso de bilheteria, fazendo seu livro voltar a ser um dos mais vendidos nas principais lojas e deixou o público ansioso pela segunda parte (que deve ser lançada em 2019). Do outro, viu outra de suas criações mais populares chegar ao cinema sem brilho, mesmo contando com astros de primeira grandeza como Idris Elba e Matthew McConaughey. A fraca direção de Nikolaj Arcel, que transforma a trama que deveria ser épica numa aventura que não é digna nem de telefilme, afunda as pretensões de “A Torre Negra” inaugurar uma franquia cinematográfica, porque King escreveu vários livros estrelados pelo pistoleiro interpretado por Elba. O jeito é recomeçar do zero e com mais paixão pelo material criado pelo mestre do suspense. Quem sabe fica melhor?

Confira a crítica do filme aqui.

10) “Boneco de Neve

(de Tomas Alfredson)

Se tem uma pessoa que deve lamentar bastante o ano de 2017, esse alguém é Michael Fassbender. Nenhum dos projetos em que se envolveu no cinema foi sucesso de crítica ou bilheteria e “Boneco de Neve” certamente foi o que ele mais se arrependeu. Inspirado no best seller de Jo Nesbø, com o plano de criar uma franquia (sempre ela) com o personagem interpretado por Fassbender (o detetive Harry Hole), o filme apresenta uma trama fraca, com vários buracos e um suspense falho, graças a uma direção ruim de Tomas Alfredson (que confessou não ter filmado todas as cenas previstas) e uma inexplicável edição capenga de Thelma Schoonmaker (com Claire Simpson), habitual colaboradora de Martin Scorsese. Além de Fassbender, atores como Rebecca Ferguson, J. K. Simmons, Toby Jones, Val Kilmer e Charlotte Gainsbourg são desperdiçados. Em meio a tantas falhas, o Boneco de Neve acabou derretendo.

Confira a crítica do filme aqui.

Então? Gostaram da lista? Sentiram falta de algum filme? Coloque nos comentários a sua lista de piores filmes do ano. Ficaremos felizes em saber. Abraços e Feliz 2018!!!

  • Marcelo

    Pergunta, sobre o filme 50 tons mais escuros, pode ter sido muito ruim. Também duvido essa opinião. Mas ele seguiu o livro? Caso positivo, o livro que é muito ruim

  • Salvador Camino

    Haha gostei de A Torre Negra, mas concordo que deve ter sido por ter lido pois o filme mesmo é uma bagunça perto dos livros

  • Não cheguei a ler o livro, aliás nenhum deles. Mas mesmo livros ruins ou medianos podem ainda assim render bons filmes. Não foi o caso aqui, tamanha a mediocridade obtida pelo roteiro e pela direção. Mas as fãs dos livros adoraram e até o defendem de críticas. Ou seja, o filme foi feito mais para agradá-las do que ser bom cinema. Abraços.

  • Que bom que você gostou. Mas o filme é genérico demais até para quem nunca leu os livros. Deveriam ter caprichado mais.