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A profunda sensibilidade pretensa em “Mulheres do Século 20”

A pretensão contida claramente no título, ganha novo significado ao logo da ramificada narrativa de Mulheres do Século 20″. Mais uma vez o filme de Mike Mills tem fortes tintas autobiográficas (como em seu filme anterior, Toda Forma de Amor”), nesse caso, baseado diretamente na vida de sua mãe. E a perspectiva sobre ela, vem da figura de um adolescente de 15 anos, desabrochando junto com o mundo em franca transformação de fins da década de 70 e início dos 80.

Dorothea (Annette Bening, luminosa), Abbie (Greta Gerwig, sendo Greta e isso não é uma crítica) e Julie (Elle Fanning, hipnotizante como sempre) representam essas mulheres, em suas respectivas gerações e referências, lidando com o presente que as espreita. O longa conta a história de uma mãe (Annette) que cuida sozinha do filho de 15 anos, mas acha importante o auxílio de suas duas hóspedes: uma artista punk e uma adolescente amiga do filho. Indicado ao Oscar de melhor roteiro original, Mills fez um filme em cima da absorção desse garoto nesses universos tão femininos e afetivamente feministas, mesmo que de pontos de vista tão distintos.

O roteiro se enriquece exatamente desses conflitos que emergem naturalmente da história. A fotografia e a direção de arte, com figurinos detalhadamente escolhidos, reforçam o período de ebulição tanto espacial quanto comportamental que eclodia naquela casa (onde todos moram) e no mundo (que a todos influencia). A trama se conecta pelas elipses que solta ao longo da narrativa. Mills enche suas cenas de significados e humanidade. Por isso que dá tão certo. Por isso também que pode ter o titulo que tem, sem ser afetado por sua própria pretensão.

Filme: “Mulheres do Século 20” (20th Century Women)
Direção: Mike Mills
Elenco: Anette Benning, Greta Gerwing, Elle Fanning
Gênero: Drama, Comédia
País: EUA
Ano de produção: 2017
Distribuidora: Sony Pictures
Duração: 1h 59min
Classificação: 14 anos

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Publicado por Renan de Andrade

Renan de Andrade

A paixão pelo audiovisual me pegou de assalto desde o berço. Assim como a necessidade de desbravar o alcance da comunicação. Formado em Jornalismo e atuando nas áreas de roteiro e direção na TV, sinto-me cada vez mais imerso nos matizes da arte (audiovisual) e da vida (comunicação).

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