Realizadores e produtores de cinema participaram de um debate na última quinta-feira (22) sobre a internacionalização da produção audiovisual no País. O evento faz parte da programação do 19º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), realizado até o próximo domingo (25), na Cidade de Goiás (GO). A mesa contou com a participação de Carla Esmeralda, curadora do Rio Content Market; Angelisa Stein, realizadora e advogada com larga experiência em acordos de produção audiovisual entre diferentes países; e Andrea Coberlla, diretor de uma empresa americana de desenvolvimento Entertainment 360.

Segundo Carla, há um “ensimesmamento” da produção audiovisual brasileira decorrente da falta de conexão com outros mercados. Para ela, é necessário atravessar pontes para a construção de co-produções, principalmente com mercados fora do País – grandes consumidores de conteúdo. Além disso, para alçar voos em outros mercados, a curadora do Rio Content Market explicou que produtores devem estar atentos a dois aspectos primordiais no audiovisual: conteúdo e narrativa. “É preciso ter clareza sobre o que se quer dizer e como se quer dizer. Mas não apenas para o público; também para compradores”, afirmou. Carla também citou exemplos de produtos que foram criados no Brasil e projetaram a produção audiovisual local. “Um marco no mercado é o sucesso da primeira série brasileira do Netflix “3%”. Fez sucesso nos EUA, na Coreia, em vários países como uma série brasileira vista pelo mundo”, lembrou.

Ainda a respeito da internacionalização das obras, os realizadores Angelisa Stein e Andrea Coberlla ressaltaram a importância de roteiros que tenham uma linguagem com apelo a diferentes públicos. Atuando como “script-doctoring”, ou um “especialista em melhoramento de roteiros”, Andrea Corbella destacou que o produto final de qualquer obra que queira alcançar mercados estrangeiros deve estar preocupada com uma narrativa global. Angelisa corroborou a tese e complementou: é preciso ir além das fronteiras para se entender o que são essas narrativas globais e um dos caminhos que pode ser seguido por produções independentes é focando em parcerias com produtoras de países que tenham mecanismos de fomento. Em relação à América Latina, nos sempre demos as costas, mas agora isso está mudando”, complementou.

FICA Film Market

A mesa redonda faz parte de um movimento iniciado ano passado, o FICA Film Market, promovido pela Associação das Produtoras Independentes de Cinema e TV de Goiás (GoFilmes). De acordo com a realizadora Kelly Alves, o objetivo da ação é fomentar o desenvolvimento das produções audiovisuais para as diversas plataformas existentes, principalmente colocando em contado produtoras do Estado de Goiás e players nacionais e internacionais. “A essência de uma co-produção advém da capacidade associativa dos produtores. Por isso, é fundamental que os realizadores goianos projetem suas obras para fora do Estado e alcem voos mais altos”, afirmou.