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Relembre os momentos marcantes de Robin Williams no Cinema

No dia 11 de agosto de 2014, o mundo ficou chocado com a notícia da morte do ator, comediante, diretor, produtor e escritor Robin Williams, aos 63 anos. Ele foi encontrado sem vida em sua casa em Tiburon, Califórnia (EUA) e a polícia suspeitava que ele havia se suicidado o que mais tarde foi confirmado pela perícia. Em sua carreira, fez mais de 100 filmes, alguns realmente marcantes para os amantes do Cinema. Confira aqui alguns dos papéis mais representativos desse grande artista:

Popeye”, de Robert Altman (1980)

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A transposição do famoso personagem dos Quadrinhos e dos Desenhos Animados para as telas é considerado por muitos um dos maiores equívocos do diretor de obras como “Nashville”, “Short Cuts – Cenas da Vida” e “Assassinato em Gosford Park”. Mas não há como negar que o filme seria pior se não fosse à ótima caracterização de Williams como o personagem-título, um marinheiro bom de briga que chega a um vilarejo procurando pelo pai desaparecido e acaba arranjando confusão ao se engraçar para o lado de Olívia Palito (Shelley Duvall) e provocar a fúria de Brutus (Paul L. Smith), que controla o local. Cheio de números musicais desnecessários, “Popeye” vale como curiosidade e mostra que Williams estava destinado a ser um grande astro do Cinema.

“Bom Dia Vietnã” (“Good Morning, Vietnan”), de Barry Levinson (1987)

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A história de Adrian Cronauer, um radialista nada ortodoxo que bateu de frente com os militares ao usar muita irreverência e músicas fora do convencional de artistas como James Brown, Bob Dylan e The Beach Boys, em seu programa para as tropas que lutavam durante a guerra do Vietnã, foi um prato cheio para Williams, que pôde mostrar todo o seu talento para a comédia e também em alguns momentos dramáticos. Sua atuação foi reconhecida por todos, tanto que ganhou, entre outros prêmios, o Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia ou Musical daquele ano, além de sua primeira indicação ao Oscar (perdeu para Michael Douglas, por seu desempenho em “Wall Street: Poder e Cobiça”). Sua estrela começava a brilhar cada vez mais.

“Sociedade dos Poetas Mortos” (“Dead Poets Society”), de Peter Weir (1989)

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No final dos anos 50, os alunos da conservadora academia Welton ficam surpresos com as aulas do novo professor de Literatura, John Keating, com espírito liberal e pouco interessado em seguir antigas convenções. Aos poucos, ele conquista a todos com suas tiradas bem-humoradas e, ao mesmo tempo profundas, sobre poesia e a própria Vida. Um grupo de estudantes resolve reabrir a Sociedade dos Poetas Mortos, da qual Keating fazia parte anos atrás, mas acabam sendo perseguidos por outros mestres. Neste belo drama que inspirou (e ainda inspira) vários jovens a se interessar por grandes escritores, há vários momentos antológicos, como quando Keating explica aos alunos o que realmente significa a expressão ‘Carpe Diem’ (‘Aproveite o dia’) e como ela deve ser aplicada em suas vidas, além da emocionante cena final. Williams teve um de seus melhores momentos em sua carreira como o homem que queria mais do que ensinar seus pupilos, mesmo que, no fim, não tenha sido completamente compreendido. O filme ganhou (merecidamente) o Oscar de Melhor Roteiro e recebeu outras indicações, inclusive de Melhor Ator para Williams, que foi derrotado por Daniel Day-Lewis e sua assombrosa atuação em “Meu Pé Esquerdo”. Mas os prêmios não importam para uma obra de grande qualidade que ainda significa muito para tantas pessoas, graças, em parte, a mais um ótimo trabalho de Williams.

“O Pescador de Ilusões” (“The Fisher King”), de Terry Gilliam (1991)

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O DJ Jack Lucas (Jeff Bridges) estava no auge com seu programa de rádio, onde provocava a tudo e a todos com seu jeito arrogante, que ele também usava no seu dia a dia. Até que, um dia, deu um conselho equivocado a um ouvinte, que decidiu realizar uma chacina num restaurante chique de Manhattan. Anos depois, na sarjeta, Jack é atacado por bandidos e é salvo por Parry (Williams), um homem sem-teto, aparentemente insano, que quer sua ajuda para conquistar a pouco social Lydia (Amanda Plummer) e resgatar o Santo Graal, o cálice que Jesus Cristo usou durante a Santa Ceia e que estaria em Nova York. Em sua segunda colaboração com Terry Gilliam após uma pequena participação em “As Aventuras do Barão Münchausen” (1988), Williams mais uma vez brilha ao personificar um tipo ora divertido, ora traumatizado por seus demônios internos, representados por um Cavaleiro Vermelho que surge em suas alucinações. Com belíssimas imagens, como o balé na estação de trem segundo a visão de Parry ao avistar Lydia no meio da multidão, “O Pescador de Ilusões” foi um grande sucesso e deu a Williams sua terceira indicação ao Oscar de Melhor Ator. Mais uma vez ele perdeu, desta vez para Anthony Hopkins e seu antológico Hannibal Lecter de “O Silêncio dos Inocentes”. Mercedes Ruehl, no entanto, levou a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante por sua interpretação de Anne, a namorada de Lucas que dá uma força ao novo amigo do radialista.

“Hook – A Volta do Capitão Gancho”, de Steven Spielberg (1991)

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Imagine que Peter Pan resolveu crescer e deixar a Terra do Nunca. Imagine que ele esqueceu seu passado e que, agora adulto, se tornou um advogado dedicado ao trabalho e com pouco tempo para os filhos. Pois é, isso aconteceu com Peter Banning (Wiliams), que acaba sendo forçado a relembrar suas origens após suas crianças serem sequestradas pelo Capitão Gancho (Dustin Hoffman). O problema é que, além de estar fora de forma, Banning tem medo de voar e não consegue pensar em coisas boas, algo essencial para se dar bem na Terra do Nunca. As únicas pessoas que podem ajudá-lo são os Meninos Perdidos e a Fada Sininho (Julia Roberts). Apesar do ótimo argumento, “Hook – A Volta do Capitão Gancho” não foi totalmente satisfatório e é considerado um “Spielberg menor”. Vale pelo excelente elenco (em que Williams e Hoffman dão um show), que conta também com Maggie Smith como uma envelhecida Wendy e Bob Hoskins como o divertido braço direito do Capitão, Smee. Uma curiosidade é que este foi o primeiro filme de Gwyneth Paltrow, que interpretou Wendy jovem.

“Aladdin”, de Ron Clemens e John Musker (1992)

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Nesta brilhante animação da Disney, o principal destaque foi o Gênio da Lâmpada, com suas tiradas muito divertidas e inspiradas. O mérito foi todo de Robin Williams, que improvisou tantas piadas durante as gravações de suas falas que os animadores tiveram que se adaptar ao seu ritmo alucinado para criar as cenas do personagem. O material gravado por ele, no final, tinha cerca de 16 horas de duração!!! O trabalho de Williams se tornou único e, quem só viu o desenho dublado em português, procure um DVD ou Blu-Ray do filme e veja com o som original para constatar a genialidade (sem trocadilhos) do ator, que voltou a fazer o personagem em “Aladdin e os 40 Ladrões, em 1996. Vale destacar também a dublagem que Williams fez para Happy Feet: O Pinguim (2006), em que fez os pinguins Ramon e Amoroso (Lovelace, em inglês).

“Uma Babá Quase Perfeita”, (“Mrs Doubtfire”) de Chris Columbus (1993)

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O ator Daniel Hillard (Williams) é adorado pelos filhos, mas não é muito responsável. Isso acaba irritando a esposa Miranda (Sally Field), que decide se divorciar. Com saudade de suas crianças, Daniel pede ajuda ao irmão maquiador (Harvey Fierstein) para que o transforme numa mulher. Assim nasce a Sra. Doubtfire, que se torna a babá/empregada/cozinheira que Miranda pediu a Deus. O que não impede, no entanto, algumas confusões. O excelente trabalho de maquiagem (premiado com o Oscar) é só uma das qualidades desta comédia familiar que faz muito sucesso toda vez que é exibida na TV. Mais uma vez, Williams é a grande atração com sua facilidade em criar vozes (o que é mostrado num divertido momento em que mostra suas habilidades para uma assistente social muito mal-humorada) e faz rir em várias partes do filme, como quando implica com o personagem de Pierce Brosnan, que está de olho em sua ex-mulher. Vale a pena ver e rever mais um dos grandes tipos da carreira de Williams, que voltou a trabalhar com Columbus em “Nove Meses” (1995) e “O Homem Bicentenário” (1999).

“Jumanji”, de Joe Johnston (1995)

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Um misterioso jogo de tabuleiro é descoberto por dois garotos no ano de 1969 em Brantford, New Hampshire. Um deles, Alan Parrish (Adam Hann-Byrd) acaba sendo tragado para dentro do jogo e desaparece. Ele só consegue ser libertado 26 anos depois pelos irmãos Judy e Peter Shepherd (Kirsten Dunst e Bradley Pierce) que resolvem jogar uma partida. Mas não é só o agora adulto Alan (Robin Williams) que consegue deixar o tabuleiro. Animais nada amistosos e um impiedoso caçador também estão dispostos a destruir tudo o que vier pela frente. Embora aqui Williams não tenha espaço para uma boa atuação, pelo menos ajuda a manter a diversão em alto nível. O que realmente se destaca são os ótimos efeitos especiais, que tornam os animais virtuais bem realistas. Mais um clássico da Sessão da Tarde.

“Gênio Indomável” (“Good Will Hunting”), de Gus Van Sant (1997)

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O faxineiro Will Hunting (Matt Damon) tem um talento nato para a Matemática, mas seu temperamento explosivo impede que ele possa alçar voos maiores na vida. O professor Gerald Lambeau (Stellan Skarsgard) resolve pedir ajuda ao amigo Sean Maguire (Robin Williams) para descobrir o que perturba tanto a mente do jovem. O drama, escrito por Damon e seu amigo Ben Affleck (que interpreta o parceiro de Will, Chuckie), deu à dupla o Oscar de Melhor Roteiro e a única estatueta da carreira de Williams, como Melhor Ator Coadjuvante. Com uma interpretação bem mais contida, é inegável que Williams é uma das forças motrizes do filme, especialmente nos momentos em que mostra que seu personagem ainda sente a falta de sua falecida esposa e comove genuinamente o espectador. Embora “Gênio Indomável” não seja uma obra perfeita, a atuação de Williams é um de seus pontos fortes.

“Patch Adams – O Amor é Contagioso” (“Patch Adams”), de Tom Shadyac (1998)

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Ambientada no fim dos anos 1960, o filme se baseia na história real de Hunter “Patch” Adams (Robin Williams) que, após passar um período numa instituição para pessoas com problemas mentais, voluntariamente decide estudar Medicina. Durante esse tempo, ele desenvolve um método para tratar os pacientes com humor e mais calor humano, o que desagrada outros médicos. Mesmo assim, ele mantém seus ideais e consegue criar a Clínica Gesundheit, e passa a atender pessoas que não foram bem tratadas em hospitais. Williams usa seu conhecido talento para fazer rir e também emocionar neste drama que só peca em ser piegas em alguns momentos da trama. Porém, mais uma vez, o ator consegue contornar este problema e realiza mais uma atuação memorável.

“Retratos de uma Obsessão” (“One Hour Photo”), de Mark Romanek (2002)

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Depois de provar que podia fazer rir e emocionar, Robin Williams resolveu mostrar que também podia assustar o público. Em “Retratos de Uma Obsessão”, ele interpreta Seymour ‘Sy’ Parrish, um funcionário de um laboratório que revela fotos em uma hora, e sendo um homem solitário acaba ficando obcecado por uma família que ele considera perfeita através de suas fotografias. Tanto que chega a fantasiar que também faz parte dela e é adorado por todos. Mas quando Sy descobre que eles estão longe da perfeição, começa a enlouquecer e passa a aterrorizar aqueles que eram seu objeto de adoração. Williams se dedicou tanto a esse papel que aparece no filme com um visual bem diferente do que o espectador estava acostumado a ver, mais magro, calvo e grisalho. E o esforço valeu a pena, já que sua interpretação foi bastante elogiada e mostrou que o ator poderia fazer outros papéis.

“Uma Noite no Museu” (“Night at the Museum”) , de Shawn Levy (2006)

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Depois de alguns anos colhendo alguns fracassos no Cinema, Robin Williams voltou a fazer sucesso com este que é o primeiro filme da franquia (a terceira parte está prevista para estrear em Janeiro de 2015). Nele, conhecemos Larry Daley (Ben Stiller), que consegue emprego como vigia noturno do Museu de História Nacional. Ele descobre que, durante à noite, estátuas e esqueletos de animais voltam à vida por causa de uma maldição. Entre eles, está o boneco do ex-presidente Teddy Roosevelt, interpretado por Williams, que se torna parceiro de Larry. Embora não seja memorável, “Uma Noite no Museu” é um bom e inofensivo passatempo, que traz no elenco, além de Stiller e Williams, nomes como Owen Wilson, Steve Coogan, Carla Gugino, Paul Rudd e os veteranos Mickey Rooney e Dick Van Dyke.

Robin Williams foi realmente um grande ator e partiu cedo demais. Ainda poderia nos surpreender, fazer rir ou mesmo chorar em projetos que viriam no futuro. Espero que, onde quer que ele esteja, seja bem recebido e que divirta a todos quando chegar.

E aí? Curtiu a lista? Achou que faltou algum filme? Não deixe de comentar e um abraço.

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Publicado por Célio Silva

Célio Silva

Sou um cara que, desde que viu Flash Gordon na telona, com 7 anos de idade, sempre foi apaixonado por cinema. Também curto muito TV, música e livros. Mas é na sétima arte que sinto o maior prazer.

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