Nas primeiras cenas, ao ver um muito sarado e bronzeado Mark Walhberg correndo da Polícia, e todos aqueles planos e cortes de câmera, já anunciam: é um filme do Michael Bay. Além de, claro, da paleta de cores vivas e saturadas nos mostrando que estamos em Miami, também é típico do diretor. Ainda assim, nada nos prepara para o absurdo das próximas 2h de filme.

Daniel Lugo (Mark Walhberg) é um halterofilista que sonha em ter o famoso “american dream”. A casa no subúrbio, grama verde e dinheiro na conta. Acontece que Lugo não quer necessariamente se esforçar muito para conseguir isso. Não. Ele prefere se esforçar levantando pesos e dedicando tudo ao seu corpo. Trabalha na Academia Sun Gym e parece ser o dono do lugar, pois o próprio dono mesmo, Mese (Rob Corddry), está mais para pau mandado de Lugo, e sua autoridade de patrão é inexistente. Lugo já teve passagem pela Polícia por fraudar títulos e ações, mas aparentemente não foi suficiente para que ele se redimisse. Sua função na academia é de personal trainer e com isso ele desenvolve amizade com seus clientes. Só que alguns como Victor Kershaw (Tony Shalhoub), acabam falando demais.
Mark-Wahlberg-Dwayne-Johnson-and-Anthony-Mackie-on Kershaw é um judeu-colombiano que fez sua fortuna com uma cadeia de fast-foods. É rude, mal-educado e faz questão de esfregar seu status de rico na cara de quem quer que seja. Isso incomoda muito a Lugo, que enfia na cabeça que ele não merece o que tem e por isso vai lhe tirar tudo. Mas, sozinho ele não consegue, e, por isso, precisa recrutar mais pessoas. É então que ele fala com seu amigo de academia, Doorbal (Anthony Mackie), um outro halterofilista, que é bem mais sentimental que Lugo e que por conta dos muitos esteroides que toma, está com disfunção erétil e precisa de grana para pagar as injeções do tratamento. A terceira pessoa envolvida é o ex-detento Doyle (Dwayne Johnson), um halterofilista muito maior que os outros dois, mas totalmente devoto ao cristianismo e a não-violência.

Juntos, eles começam a bolar um plano para sequestrar Kershaw e obriga-lo a lhes passar tudo o que é seu. Mas como eles são mais músculo do que cérebro, o plano dá errado muitas vezes antes de dar certo. Ainda assim, Kershaw reconhece Lugo e agora eles estão com um impasse em mãos. A idéia inicial era libertar Kershaw, mas agora isso não será possível ou ele vai denuncia-los. O que fazer então? Simples. Matar Kershaw. Mas até isso eles não conseguem e, mesmo muito machucado, Kershaw sobrevive e decide se vingar do trio de fortões.
PAIN AND GAIN

Tudo não passaria por um completo absurdo, se “Sem Dor, Sem Ganho” não fosse baseado em uma história real. Pois é. Na década de 90, uma gangue de halterofilistas de Miami sequestrou um e matou duas pessoas para poder ficar com o dinheiro deles. Todos os personagens retratados no filme são reais e alguns foram condensados em um único personagem, que é o caso de Paul Doyle, vivido pelo Dwayne Johnson, que tem peculiaridades de duas outras pessoas que também fizeram parte da gangue.

Kershaw é, na verdade, Marc Schiller, que durante um mês foi torturado das piores maneiras possíveis chegando a passar fome, ser queimado, levar choques com um taser, apanhar todo dia, além de sofrer torturas psicológicas. Por algum milagre, ou burrice dos sequestradores, Schiller sobreviveu.
A essa altura, Schiller já tinha tentado falar com a Polícia, mas ninguém acreditou nele. Foi então que ele contactou o detetive particular, Du Bois (Ed Harris no filme) que acreditou em Schiller e tentou convencer a polícia que deveria ser verdade só pelo tamanho disparate de tudo; e que por isso mesmo a gangue tentaria fazer outras vítimas. Nada aconteceu e a Polícia de Miami se manteve nula. A próxima vítima da gangue seria Frank Griga e sua namorada. Griga era famoso em Miami por ter ganhado muito dinheiro com tele-sexo. Os dois foram mortos e esquartejados. Eventualmente todos os envolvido foram presos e condenados a prisão perpétua.
Pain-and-Gain-Mark-Wahlberg

O simples fato de que Michael Bay faz de uma história como essa virar um filme de comédia quase pastelão é de assustar. É compreensível que a surrealismo de tudo o tenha levado a essa visão do caso. Ainda assim, não justifica o que vemos em longas 2h 06m de filme. O roteiro é repleto de piadas infames e o filme, em sua forma técnica, fotografia, planos, cortes, parece muito com Transformers, mas sem os robôs. As atuações da gangue beiram o exagero, com muitas caras e bocas, parecendo que eles são amadores em seu primeiro filme.
E justamente por serem bons atores, conseguirão apagar esse fiasco fazendo outros papéis e deixando esse para trás. Já a credibilidade de Michael Bay continuará em declínio.

Estréia nos cinemas em 23 de Agosto.

  • Pedro Henrique

    Mais uma otima review ::)

  • Muito obrigada!!

  • crítico

    Olha…. sou viciado em filmes…. já vi a crítica de cinema falar cada asneira sobre os filmes que nem quero saber da opinião deles….achei muito bom o filme….conseguiu transformar o drama real em algo divertido, irônico, bom de assistir…. e quem realmente presta atenção sente o drama no final…. com o longo braço da lei fazendo a devida justiça, ético e moral, bom filme…e aos críticos….vão assistir mais filmes antes de falar bobagens!

  • Melissa Andrade

    Obrigada Pedro!

  • Melissa Andrade

    Que bom que você gostou do filme. O que seria do amarelo se todos gostassem do azul?

  • Mariza Moura

    Amei o filme . Não me canso de assistir. Pra mim esta crítica esta equivocada.

  • lucas ferla

    cara, esse filme foi demais, assisti praticamente todos os filmes de Michael Bay e “sem dor, sem ganho” foi pra mim o filme mais bacana dele, envolve comédia, ação e um pouco de suspense, queria ter assistido no cinema esse filme, mas em minha cidade isso chega depois de dois meses, muito bacana, parabéns a Michael Bay, pena que não tem continuação…

  • Aranha Escarlate

    Você leu a crítica? isso foi um caso real ‘-‘

  • Felipe

    Eu assisti sem saber que era baseado em uma historia real , e acho que pra que assistir assim o filme fica MIL vezes melhor , é divertido de mais , e também né , não tem como odiar o Dwayne , o cara é o carisma em pessoa…

  • luan rivera

    Que lixo de review, o filme é excelente já assisti umas 5 vezes. Todo mundo pode bancar o entendedor se fingir manjar de detalhes tecnicos.

  • Daniel Keppler

    A autora da crítica deixa claro em certos pontos que tem uma certa bronca com o Michael Bay, seja pelas ponderações ácidas ou pelas desqualificações suaves, e isso deve ter contaminado a visão dela sobre o filme. Compreensível, mas nessas horas o melhor mesmo era passar a análise por outros filtros, mais isentos, antes de sair postando. O filme jamais vai estar numa lista de clássicos do cinema, mas cumpre seu papel de entreter com extrema facilidade. As atuações não são amadoras, longe disso, estão ajustadas ao que a história exige. Enfim, a crítica pesa demais a mão, sem motivo pra tanto.