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Crítica: “Superpai” é uma piada pronta; antes até de ter sido filmado!

O que esperar de uma comédia cujo roteiro – escrito por americanos – foi rejeitado pela própria indústria hollywoodiana, e depois vindo ser produzido no Brasil? Superpai, de Pedro Amorim, nova comédia ruim figurando nos cinemas e, possivelmente, angariando seus milhões de reais, já nasceu como uma piada. Pronta. A trama é semelhante ao que os americanos produzem como comédia (de erros!) diariamente – e que vem demonstrando cansaço da fórmula, uma vez que nem o valioso Adam Sandler tem conseguido encher os cinemas nos últimos anos.

Diogo (Danton Mello, ótimo) é um pai de família pouco dedicado e irresponsável, que, quando a esposa (Monica Iozzi) precisa se ausentar, deixa o filho numa creche noturna, para poder comparecer a festa de 20 anos da formatura e transar com uma colega de turma da qual não havia conseguido consumar na adolescência. Daí, uma sucessão de contratempos e idiotices tornam a sua noite (e de seu grupo de amigos) uma desventura para lá de inverosímel.

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Com quase todo o time de comediantes mainstream do momento no elenco – apesar de tudo, os ótimos Dani Calabresa e Antonio Tabet, além de Danilo Gentilli e Rafinha Bastos –  o roteiro tenta se sustentar na graça espontânea de seu elenco, já que a narrativa não amarra bem sua proposta, numa descarada falta de sentido que ligue todas as etapas da “confusão de um noite só”. Até rimos de algumas sacadas, mas nunca das situações em si. Isso é um sintoma e tanto. Daí, pensamos que não foi a toa que até os mercenários de Hollywood dispensaram esse roteiro. Mas, no mercado brasileiro de comédia, pelo que se vê, qualquer porcaria pode chegar às telas.

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Publicado por Renan de Andrade

Renan de Andrade

A paixão pelo audiovisual me pegou de assalto desde o berço. Assim como a necessidade de desbravar o alcance da comunicação. Formado em Jornalismo e atuando nas áreas de roteiro e direção na TV, sinto-me cada vez mais imerso nos matizes da arte (audiovisual) e da vida (comunicação).

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