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HQ Digital: Contratempos Modernos

Esta semana o entrevistado é o Rodrigo Chaves, autor das tiras “Contratempos Modernos“.

Já temos uma carioca, um capixaba, e agora um gaúcho. :)

Nome: Rodrigo Wiedemann Chaves

Nascido em: 27 de março de 1980

Cidade natal e atual: Nasci em moro em Porto Alegre

Contratempos Modernos

HQD: Porque quadrinhos?

RC: Porque quadrinhos são a junção de duas coisas que eu gosto: inventar histórias e desenhar.

HQD: Pelo que nos conta em seu próprio site, sua primeira charge data de 1999, mas dai, como vieram as tirinhas?

RC: Sim, a minha primeira charge publicada em um jornal é de 1999. Mas não conheço nenhum desenhista que não tenha se aventurado a fazer charges e quadrinhos desde pequeno. Comigo não foi diferente. Mas descobri, desenhando as charges para a Zero-Hora, que desenhar charges de atualidades é algo penoso para mim. Não sou uma pessoa acostumada a ficar por dentro das notícias, ter opiniões políticas fortes e, principalmente, comentários sagazes e inteligentes sobre tudo isso. As tirinhas se prestam mais para as coisas sobre as quais quero falar e o tipo de humor que me sinto a vontade fazendo.

HQD: Como foi a recepção do público no site? Como é essa parceria com o Claudio Patto nas tirinhas sobre professores e alunos?

RC: Tenho recebido mais críticas positivas do que negativas. Isso é bom, não? Acho que pode ser considerado uma boa recepção do público.

A parceria com o Claudio (que é meu cunhado) surgiu das histórias que acontecem na escola onde ele dá aula em São Paulo. Um dia ele chegou para mim e disse “Pô, as coisas que acontecem lá dariam boas tirinhas, quer desenhar para mim?” e feito. Simples assim. Ele começou a fazer os roteiros e me mandar e eu desenho e mando para ele corrigir e colocar no site. Às vezes eu dou pitacos no roteiro, às vezes ele dá pitacos no desenho…

High School Comics

HQD: Suas primeiras postagens foram sobre os cursos que ministra. Mas foi apenas isso que o incentivou a criar o site?

RC: É, os cursos estão nas primeiras postagens do blog, mas não quer dizer que tenha sido as primeiras coisas que postei. Para quem não sabe, é possível postar com qualquer data no blog. Depois que o blog já tinha um tempo achei que ele seria um bom veículo para divulgar os cursos e coloquei as coisas lá no início porque é lá que estão os textos sobre mim e tal. O objetivo do blog sempre foi divulgar o meu trabalho como desenhista, mostrar os desenhos que faço para que eles não fiquem fechados na gaveta. Porque não divulgar o meu trabalho como professor também?

HQD: Qual o seu ritmo de criação?

RC: É mais lento do que eu gostaria mas, quando tento fazer as coisas rápidas, não gosto do resultado. Gosto de maturar as idéias, repensar os desenhos, o número de quadrinhos, as falas…. e tudo isso demora.

HQD: Como costuma trabalhar? Escreve algo antes ou sai desenhando e criando os textos a partir das imagens e vice-versa?

RC: Normalmente eu tenho uma idéia do que será a tira, mas isso não quer dizer que ela não poderá mudar completamente durante o processo de ser feita. Mas depende muito, algumas idéias já nascem mais prontas na minha cabeça e vão diretamente para o papel e outras eu escrevo e reescrevo antes de desenhar, para ver quantos quadrinhos vou precisar e o que aparecerá em cada quadrinho. Às vezes a gente tem que obrigar uma tira a funcionar.

HQD: Qual o material de trabalho predileto? O que prefere usar para desenhar?

RC: Normalmente eu desenho usando nanquim e pincel numa folha de papel sulfite. É o material com o qual consegui o resultado que mais me agrada atualmente e, principalmente, é bem barato. Depois eu escaneio e coloco os textos e as cores no Photoshop.

Capitão Aleja

HQD: Qual sua inspiração nos desenhos? E na temática? Pelo traço e algumas coisas que cheguei a ler, Bill Watterson e autores similares são grande inspiração.

RC: Com certeza, Bill Watterson é uma grande inspiração para os desenhos. Mas, mais do que isso, considero ele um mestre. Lendo os livros dele aprendi que é preciso lutar contra o comodismo e os desenhos das tirinhas que tem se tornado cada vez mais chatos. Essa coisa de “cabeças falantes que fazem uma piadinha fácil no final” é muito fraco. O desenho tem que ser interessante para quem olha, tem que ser instigante, tem que contar a história também. Em algum livro ele comenta que seria muito fácil para ele desenhar as cabecinhas dos personagens com balõezinhos em 4 quadrinhos e colocar as falas, mas isso é muito fraco, então ele criou o artifícios, como desenhar o Clavin e o Haroldo descendo o morro em um trenó enquanto conversam e fazer da descida uma metáfora do diálogo. Isso deixa a história muito mais rica e mais interessante para quem lê. Outro cartunista que é um mestre para mim é o Quino. Foi com ele que aprendi a fazer historias sem diálogos, valorizando muito o desenho e as situações surreais. Acho que poderia dizer que fico feliz com uma tira minha quando penso que o desenho ficou a lá Bill Waterson, mas a história ficou a lá Quino. Mas isso é o feijão com arroz de todo dia, gosto muito de variar e tentar coisas novas.

HQD: Qual(is) o quadrinho que mais curte na web e no formato impresso?

RC: Vamos falar só do pessoal que ainda está na ativa, senão essa lista não vai acabar. Dos já consagrados da Web eu gosto muito do André Dahmer, do site Malvados, mas tem muita gente boa começando (ou nem tão começando assim), como o Ricardo, do Ryotiras  (http://ryotiras.com/ ) e a Samanta Flôor, do Cornflake  (http://www.cornflake.com.br/blog/ ). Mas tem vários outros, quase tudo o que eu leio está nos links lá no Contratempos Modernos.

Engraçado, mas não tenho curtido muito as tiras que leio em formato impresso. Quantos anos será que faz que não aparece nos jornais um novo grande personagem como Calvin, Hagar ou o Recruta Zero?

HQD: Possui alguma profissão além de quadrinista/desenhista/professor? Ou melhor dizendo. Você consegue viver de sua arte?

RC: Eu também trabalho como pintor, vendendo minhas telas e pintando telas sob encomenda. Mas não sei se dá para dizer que “vivo disso”. Estou tentando aprender a fazer fotossíntese.

HQD: Fora criar tirinhas, o que curte fazer nas horas vagas?

RC: Gosto de tocar violão, ler e ver filmes. Mas “ler e ver filmes” eu considero pesquisa de campo para depois criar as minhas histórias.

Novela da Vida Real

HQD: Possui outro site ou link, seu ou não, que nos recomendaria?

RC: Sempre dá para olhar o site do High School Comics, com as tiras em inglês. http://www.highschoolcomics.com/ , na pasta do flickr com as tiras que desenho do Cartão TRI http://www.flickr.com/photos/cartaotri e no meu blog com pinturas http://rodrigochavespinturas.blogspot.com/

HQD: Possui ou possuía alguma meta para seus quadrinhos? Ainda tem planos para novas criações, seja nas tirinhas ou em outras mídias, mesmo que distintas dos quadrinhos?

RC: Acho que a meta de todo quadrinhista é a dominação mundial através do desenho, não? Mas para mim, por enquanto, se der para pagar as contas com isso, já tá bom. Quanto a outras mídias, eu sempre tenho o meu trabalho de artista plástico.

HQD: Você se vê trabalhando no estrangeiro, desenhando ou escrevendo outros títulos?

RC: Com certeza, é só surgirem as oportunidades.

Mute

HQD: Você já publica suas tirinhas (High School Comics) num site em inglês. Como tem sido este trabalho? O retorno do público estrangeiro é melhor que o nacional?

RC: Temos recebido alguns comentários bem favoráveis de estrangeiros e tal, pessoas que eu não atingiria com o site em português. Mas quem cuida do site é o Claudio Patto, então a minha experiência em relação a isso é meio limitada.

HQD: Alguns criadores querem apenas entreter, outros pretendem deixar alguma mensagem, ou abrir a mente das pessoas para outros pontos de vista. Como você se vê?

RC: Eu acho que quadrinhos são uma forma de arte que pode ser fruída em qualquer nível que o leitor estiver disposto, e eu tento fazer quadrinhos que dêem isso ao público. Quem quiser apenas ler uma piadinha, ok, a piadinha está lá. Agora, se alguém quiser se aprofundar e apreciar o meu desenho ou tentar ver a minha visão de mundo, está tudo lá. Tento trabalhar dessa maneira multinivelada. Mostrar para as pessoas que quadrinhos podem ser bem mais do que um simples entretenimento raso e mal feito.

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