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“If this a woman”, por dentro do horror de Ravensbruck

Se isto é uma mulher“, a frase encontrada na obra-prima de Primo Levi, é a referência utilizada por Sarah Helm para o título de seu livro, um calhamaço de mais de novecentas páginas, que recupera a história de Ravensbruck, o campo de concentração nazista somente para mulheres. Uma obra brilhante que traz a tona todo os segredos envolvendo o terrível local, de sua origem ao seu fim.

Publicado pela Record, If this a woman, com o título de Ravensbruck – A história do campo de concentração nazista para mulheres recupera os seis anos do campo fundado por Heinrich Himmler, um dos principais responsáveis pela Solução Final. O campo foi construído a beira de um lago e começou a funcionar em 1939, tomando o nome de uma pequena vila, próxima de Berlim. Seria libertado em 1945, pelos russos, sendo um dos últimos campos de concentração a que os aliados chegaram. Não foi construído especificamente para mulheres especificamente judias, mas a qualquer mulher que se opunha a Hitler como as Testemunhas de Jeová, que consideravam o líder nazista o anticristo, comunistas, membros da Resistência ou qualquer uma que os nazistas consideravam seres inferiores como prostitutas, criminosas, desabrigadas, ciganas e as judias.

É difícil saber por que a história de Ravensbrück, um local de morte tão próximo da capital alemã, permaneceu “à margem da história”. Himmler mandou destruir todas as evidências do local e tinha um interesse especial em sua criação, pois sua amante, morava nas proximidades. Helm faz de sua pesquisa histórica uma crônica profundamente emocionante dos seis anos que Ravensbrück existiu. “Assim como Auschwitz foi a capital do crime contra os judeus, Ravensbrück foi a capital do crime contra as mulheres”, afirma Helm. Então, por que sua história foi desviada para as notas de rodapé?

Em meio às especulações que levantadas pela História, a que mais chama a atenção é o silêncio das sobreviventes de mais de vinte países, entre os quais Hungria, França, Holanda, União Soviética e Grã-Bretanha. Podemos notar que mesmo em meio aos terríveis acontecimentos, na maioria atrocidades terríveis, no meio da lama da degradação e do desespero, mulheres se uniram e formaram laços de coragem e de lealdade que resultaram na sobrevivência de muitas.

Mas como sobreviveram? Helm procurou a resposta em países como a Polônia, França, Holanda, Israel e outras partes do planeta, entrevistando as poucas sobreviventes e seus filhos, para preencher lacunas que encontrou em cartas e documentos e com tudo isso, constrói uma autobiografia do campo e de quem passou por aquele local. Muitas mulheres excepcionais estiveram entre as cercas de Ravensbruck, como as ativistas dos direitos das mulheres Rosa Jochmann e Käthe Leichter, a brasileira Olga Benário Prestes, a jornalista francesa Thérèse Baton, entre outras.

De leitura obrigatória, Helm escreve de forma clara, um trabalho fruto de uma meticulosa e demorada pesquisa, responde muitas especulações dadas e preenche, de forma crua e avassaladora, a lacuna de informação que existia em relação a este campo de concentração. Aos curiosos de plantão ou para os especialistas sobre a II Guerra Mundial, qualquer que seja o tipo de leitor, a sensação levará a mesmerizar com as diversas informações contidas no livro. Já as mulheres a tristeza vai alcançar limites inalcançáveis pelo terror, tragédia e desumanidade que essas mulheres passaram. Uma lembrança para não ser esquecida.

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Publicado por Cadorno Teles

Habitante das terras áridas dos vales, guerreiro aposentado que desgraçadamente foi jogado numa dimensão que ninguém acredita nele. Se tornou professor, e nos momentos livre aproveita para ler e levar livros pelo sertão. RPG, quadrinhos, literatura e cinema estão entre seus vícios, para esquecer ou mesmo lembrar de seu mundo originário.

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