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A leitura pós-filme dos livros baseados no cenário Warcraft

Para quem jogou, é melhor tentar esquecer tudo o que você sabia sobre Warcraft. O jogo da desenvolvedora Blizzard Entertainment, surgido em 1994, expandiu e construiu todo um universo de histórias. Após o surpreendente filme, Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos (Warcraft, EUA/2016) e com diversas narrativas já publicadas bem antes, o trabalho de Christie Golden, já renomado escritor na série de orcs vs humanos, seria essencial trilhar um novo caminho para os personagens da franquia. Em Warcraft: Durotan e Warcraft: O Livro do Filme Oficial temos dois exemplos desta modificação, mas que não será tão fácil, dado que Golden foi responsável por um pedaço gigantesco da vasta gama de livros com a marca Warcraft, incluindo a inédita Rise of the Horde, que conta a formação da Horda e da corrupção da raça Orc.

Após assistir o filme e analisar os prequels e alguns livros anteriores da franquia, posso dizer que muita coisa mudou entre a apresentação cinematográfica de Warcraft e o que já sabemos do jogo. Bem, estava cético sobre a necessidade de um prólogo para este filme , até que recebi e li os dois volumes e, acreditem, é absolutamente necessário. 

Warcraft tem mais de vinte anos, e como acompanhei a série e joguei muito o RPG de estratégia, lembro da história de Draenor, sobre a corrupção dos Orcs, o abate do Draenei, a história complicada entre Ner’zhul e Gul’dan, a abertura do Portal Negro, Kil’jaeden e Medivh, tudo isso acontecendo no período da Primeira Guerra e não teria como apresentar esse universo complexo em um filme de duas horas, seria um enorme exercício de impossibilidades caso tentassem fazer algo parecido.

E não fizeram, entretanto, como num Ponto de Ignição (lembrando do que o Flash fez, lá na DC Comics), uma nova que realidade reaparece perante a anterior. Onde muito foi destilado para algo mais fácil de entender, mais enxugado. E é essa a razão pela qual disse que é melhor esquecer tudo o que sabemos sobre Warcraft, pois realmente não será mais preciso. A história muda em alguns aspectos, mas a essência é exatamente a mesma. E para aqueles que têm ainda o interesse em saber o que aconteceu, quando, quem corrompeu quem e quais clãs foram predominantes durante o período do tempo anterior aos prequels aqui apresentados – ESQUEÇA TUDO. Esqueça.  Se tentar concentrar no que mudou, perde-se completamente a nova narrativa e após a leitura, podemos dizer que realmente vale a pena.

Honestamente, fiz minha leitura com ressalvas do que anteriormente já tinha sentido e uma montanha russa de emoções passou a cada página, mas consegui afastar aquela enciclopédia interior e apenas desfrutar as narrativas. Os livros me tiraram do estado junkie, mais Durotan do que o roteiro do filme. São leituras diferentes? Sim, com certeza. Não há nada sobre Nagrand ou de Kosh’harg ou mesmo Ner’zhul. Sem muito spoilers,  a história de Durotan e Orgrim mudou, porque Orgrim é agora um Frostwolf, e sempre foi um neste universo.

Mas será que tudo isso realmente importa? Não, nem um pouco – porque o coração do livro, e o que está no filme, é Warcraft. Vinte anos de uma longa e complicada história foi destilada e simplificada em um conto. E, em vez de enfraquecer essa história, esse tão necessário enxugamento apenas fortaleceu o universo warcraftiano.

Warcraft: Durotan é essencialmente uma versão recontada de Rise of the Horde, apresentada quase exclusivamente do ponto de vista do Durotan. É um olhar diferente para o mundo de Draenor e sua queda, a partir do ponto de vista daqueles que lá viveram. Os nomes familiares ainda estão todos lá, mas as situações mudaram, e os acontecimentos que sabemos que estão acontecendo em algum lugar não são sequer insinuado, porque eles não são importantes. Já O Livro do Filme Oficial só oferece o roteiro do filme, sem muitas mudanças.

Ambos os livros não são épicos, no sentido que o gênero fantasia possui, mas Warcraft: Duritan é, com certeza, um verdadeiro conto que apresenta um mundo gigantesco que o autor desenvolve convincentemente. Em relação ao que os Lobos do Gelo passaram, seguindo uma linha que lembra muito a travessia céltica. Se você não assistiu ainda o filme, eu recomendo pegar Warcraft: Durotan, pelo universo menor, mais íntimo do que estamos acostumados, mas que trás toda a corrupção e o caos dos orcs da Horda, além da honra e da sabedoria do clã de Durotan.

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Publicado por Cadorno Teles

Habitante das terras áridas dos vales, guerreiro aposentado que desgraçadamente foi jogado numa dimensão que ninguém acredita nele. Se tornou professor, e nos momentos livre aproveita para ler e levar livros pelo sertão. RPG, quadrinhos, literatura e cinema estão entre seus vícios, para esquecer ou mesmo lembrar de seu mundo originário.

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