Pelo próprio estudo do medo, digamos que se imagina uma ação que se encontra em repouso. Ela não é um acontecimento. Um devir talvez preso em possíveis galhos da vida – subida. Ganhamos experiência e adquirimos os cantos da escolha. Um livro de contos não é apenas uma coleta ou coletânea de fábulas ou narrações, pois até para o real  existem coisas bem surreais e fantásticas, acontecendo. Um livro destes é opção de livre arbítrio; de formas de pontuar uma ou outra imagem sobre o papel ou tela. Escolhemos as histórias que contamos assim como elas nos tomam como fantasmas que foram quando não são mais presenças e sobem para o arquivo da memória.

No livro de contos, Acerba Dor”, do escritor Decio Zylbersztajn pela Editora Reformatório, contos com diversos extratos sociais de personagens dos mais distintos meios de experiência biográfica. Personagens como professores, escritores e investidores do meio financeiro que optam por guinar suas vidas por outras navegações; outros embarques sempre apostando num tipo atento de olhar à volta sem revolta com a acuidade dos objetos atentos.

Como a freira no primeiro conto, ‘Acerba Dor’, saindo do claustro para ir a uma pinacoteca olhar esculturas e obras de pintura onde o nú lhe dúbia o lábio num sorriso de Monalisa. Não chega a ser um travestismo, mas um corte através de uma potência realizável. Onde o desejo de vestir uma calça jeans se traveste em vestimenta cumprida. Talvez nestas narrações o importante é não entender o agora como: via de regra, mas de acaso, onde se brota encontros, os afetos por pessoas e fatos: uma duplicidade de destinos ou bifurcações que são poeticamente belas no terreno da ficção.

Tão bem realizadas nas estradas da vida ou ficção, os contornos/reviravoltas são engenhos narrativos que dão à historia contada um teor de mil e uma noites. A noite é uma ótima bifurcação? (Potencialidades) do outro dia: entre o dia que passou e o dia que vinga. Quem nunca fez planos ou traçou uma estratégia para o dia seguinte?