Livro de poemas “O nome pela metade” é um belo construto poético

Se acaso, leitor deste récita, encontrar um poeta no vasto mundo vegetal e mineral e curioso perguntares, se ele poeta, faz métrica e poesia com seus temas: um pedra rochosa, um tronco de árvore que suba 10 metros, uma passagem de água pelo córrego do bosque. Faço tudo pela metade, diz o poeta. Se esta for a resposta dele, desconfie que este poeta é um fingidor. Não há metade na natureza, há sim, trechos de mata, pedaços de riacho, visual encoberto de árvore que sobe acima da copa.

Só há metade, na construção humana. No labor do homem fábrico. Assim como a fábrica compartimenta coisas; segmenta acessórios. O material humano de que a poesia rudimenta, ou talha, também é manobrável em espaços e tempos. Por que forjamos em barro nossa própria ideia de rosto? O barro é moldável, como a palavra poética o é.

No poema o sentido nunca é único. Luiz Frason o poeta do livro O nome pela metade (editora Patuá). Ele, artesão, utiliza o material ou o corpo dos objetos das ações humanas para lhes dar forma. O poeta, Luiz, usa as ferramenta que por, causo, seria da razão? Mas razão para dialetar dentro do poema, a sapiência do humano perante o desgoverno, o desdestino. A técnica do manuseio, as ferramentas do intelecto são juízos para a relação entre o saber e ignorância. Mas Luiz tira proveito da sua linguagem para criar no poema desvãos de luzes e sombras enrodilhando feito serpente dialética, a ambiguidade do nome.

Divididos em pequenas seções ou suítes, o poeta cria uma espécie de bíblia da nomeação, se a religião se une ao sagrado para titular a gnose, Luiz encurta caminho através da sua linguagem tateando ou sondando a obra Dele.