Livro Diário da Vertigem faz do real uma máquina de jogo poético.

Não gente, os poemas de Marília Kubota em “Diário da Vertigem”, pela Editora Patuá, não partem de uma negação. Eles são muito brincalhões para isso! Partem, sim, de uma ideia enviesada, na transversal, com muita dialética entre conversas e versos e valsas, pois seu nítido estilo de escrever está deveras associada à música, aquela coloquialidade de sons e tons MPB dianos.

Ela sim, carrega um pouco do formalismo de estruturar seus poemas com repetições anafóricas, de modular o poema entre jogos de sentidos para lá e para cá. Carregam no ventre a dúvida sim, esta importante questão filosófica e poética. Mas nesta dúvida ,ela nem é devidamente ontológica, ela faz mais parte de uma estrutura da própria música que não é uma arte simétrica, talvez a mais desordenada arte de assimilar contrastes e diferenças.

Há também dentro dos poemas um diálogo referencial com os temas mais abordados no mundo de hoje, mas a autora aqui joga com o conteúdo, não inferindo neles qualquer vetor informacional puro e simples, mas sim formas de versificação crítica destes conteúdos, elevando-os a um grau de esvaziamento de sua noção de relevância. Mas este esvaziamento não se dá por negação, e sim por jogá-los numa máquina quântica de quebras semânticas, onde a informação é trabalhada e brincolarizada com os versos que é também uma fonte dialética de síntese e antítese.