em ,

A temática da jornada do herói apresentada em O Filho da Feiticeira

SINOPSE: De um menino desvalorizado em sua aldeia até a única esperança de todo o seu mundo, Ned já se acostumou ao seu apelido: o garoto errado. Desde que nasceram, foi sempre o irmão gêmeo, Tam, a estrela da aldeia; o mais habilidoso e querido. Quando decidem construir uma balsa para encontrar o mar, um plano que sai pela culatra, Ned se torna mais que o garoto errado: se torna o único.

Agora, Ned é visto como um pária. No entanto, numa reviravolta, ele se transforma no único capaz de impedir que a magia caia nas mãos do ambicioso Rei dos Bandidos. E, para isso, arruma uma insuspeita aliada: Áine, a filha do ladrão. E eles terão de aprender a confiar um no outro se quiserem impedir uma guerra entre dois reinos há muito separados.

capa-o-filho-da-feiticeiraO Filho da feiticeira da Kelly Barnhill, se trata da releitura da jornada de um herói, algo que a própria editora, a Galera Record, adiciona em meio ao marketing do título. Um bom aviso para quem compra o livro pela capa, mas que muita vezes se decepciona com as trapaças feitas para vender. A editora ganha pontos com essa atitude, parabéns.

Bem, voltando ao livro, a capa, por sinal, segue o original, é belíssima, e dimensiona bem a narrativa que apresenta. A história gira em torno de Ned e Áine, com vários outros pontos de vista de outros personagens. Ned, após perder o irmão, sente o conflito, o impasse e a segregação da aldeia, mas, após a ausência da mãe, uma feiticeira, a protetora da aldeia, ele toma para si a responsabilidade de sua mãe e é nesse ponto que ele encontra, Áine, a filha do Rei dos Bandidos que quer a todo custo ter o segredo da magia em suas mãos. E o que acontece, deixo para vocês lerem…

O Filho da Feiticeira é um livro para o público juvenil, com nada tão surpreendente, para quem já tem uma leitura experiente no gênero fantasia. Todavia, para o público mais jovem, é um belo conto da jornada de um herói, com todos aqueles clichês, mas bem distribuídos e eficazes aos seus leitores e consegue convencer. A maneira que ela ambienta as sombras e as crianças, passando a sensação de cada cena é bastante crível.  É muito apropriado para a ambientação da história a crença dos moradores que não há nada além das montanhas, cobertas de florestas. E que de um ponto em diante, era o limiar do seu mundo. 

A autora Kelly Barnhill
A autora Kelly Barnhill

Sua narrativa simples e direta tem pontos de vistas diferentes, mas o que merece destaque é o da mãe de Ned, como também de Ned e da Áine. A maneira que Barnhill desenvolve seus personagens e a crescente ligação entre eles é bastante interessante. Mas poderiam ter mais aprofundamento, porém tenho que lembrar para quem o livro é  feito. Algumas cenas são bem justapostas, por exemplo, quando Ned confia a Áine o segredo que ele encerra como o garoto errado que todos o chamam.

A autora faz da história uma maneira de mostrar esperança, lirismo e sinceridade contra o medo do desconhecido, a mentira e o preconceito. Uma boa pedida para quem deseja uma leitura rápida e para os mais jovens, um bom começo para apresentar histórias sobre heroísmo e a jornada por trás destes personagens, como Bilbo, Frodo, Harry, Luke, entre outros. Recomendado.

Deixe uma resposta

Publicado por Cadorno Teles

Habitante das terras áridas dos vales, guerreiro aposentado que desgraçadamente foi jogado numa dimensão que ninguém acredita nele. Se tornou professor, e nos momentos livre aproveita para ler e levar livros pelo sertão. RPG, quadrinhos, literatura e cinema estão entre seus vícios, para esquecer ou mesmo lembrar de seu mundo originário.

“Doutor Estranho” introduz bem (mas nem tanto) o mundo místico da Marvel no cinema

Avenged Sevenfold investe no art metal em seu disco surpresa “The Stage”