No dia 22 de março de 1965 era lançado “Bringing It All Back Home”, o quinto álbum de Bob Dylan. Foi o definitivo pé na bunda do seu fiel público folk. Um público musicalmente reacionário, que exigia letras panfletárias e melodias e instrumentos musicais tradicionais. Dylan estava mais interessado em criar com a maior liberdade possível. A poesia de Rimbaud, de William Blake e dos escritores beatiniks, a arte surrealista, o rock e o blues elétrico foram influências fundamentais. O resultado foi uma obra onde suavidade e estridência convivem harmonicamente. Ou quase. Guitarras e baixos elétricos dão vida e aspereza à primeira metade do álbum, e nem a mixagem tímida consegue diminuir o impacto da peça de abertura.

“Subterranean Homesick Blues” soa como um texto do escritor junkie William Burroughs musicado por Chuck Berry. É um turbilhão narrativo estroboscópico, faz referência à drogas vagabundas e às revoltas políticas contra o governo, com doses equivalentes de humor e paranóia. Crítica social e sarcasmo animam “Maggie´s Farm”, enquanto a doçura pop de “She Belongs To Me” e “Love Minus Zero” ajudam a vender o disco.

Ouvir o lado B do álbum é como entrar lentamente em uma floresta sombria, sem a intenção de sair de lá. O personagem/narrador de “Mr Tamborine Man”, mesmo perdido, ainda possui uma vaga e confusa esperança, mas “Gates Of Eden” é a afirmação decisiva de que não há esperança, reforçada pela sinistra “It´s Alright Ma (I´m Only Bleeding)”. “It´s All Over Now Baby Blue” encerra o disco com uma melodia delicada e versos que se encaixariam bem tanto em um poema romântico como em um bilhete suicida.

“Bringing It All Back Home” foi o primeiro disco de rock voltado para o público adulto e o primeiro a explodir o formato convencional do pop. Influenciou desde a música psicodélica até o hardcore. E nem era o melhor que Dylan podia fazer. Seus dois discos seguintes iriam ainda mais longe e o colocariam em um patamar que poucos músicos conseguiram alcançar.

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