O chefão está de volta! Menos de dois anos depois de lançar o excelente “Wrecking Ball”, Bruce Springsteen presenteou os fãs liberando as faixas para audição gratuita na internet uma semana antes do lançamento oficial de “High Hopes” (Columbia, 2014) em CD, vinil e iTunes, estratégia que tem se tornado comum em termos de divulgação de discos ultimamente.
Bruce Springsteen recentemente angariou novos fãs brasileiros depois de sua gloriosa noite no Rock In Rio em Setembro, em que fez um de seus tradicionais longos e energéticos shows, considerado pela crítica como o melhor do festival. Além de esbanjar carisma e simpatia, ainda deixou todos (especialmente todas) impressionados com sua excelente forma aos 64 anos.

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O herói de Nova Jersey configura no hall dos ícones do cancionário norte americano. Com forte influência de Bob Dylan e Bob Seger, Springsteen emplacou em meados nos anos setenta com o clássico “Born to Run”, até chegar ao auge da popularidade com “Born in the USA”, talvez um dos discos mais amados e ao mesmo tempo odiados da música pop. Depois de um período afastado da sua lendária E. Street Band, de 1987 a 1999, o chefe lançou no século XXI uma sequência de aclamados discos como “Magic”, “Working on a Dream” e The Wrecking Ball. Com High Hopes, ele mantém o bom nível de seus últimos lançamentos.
Não, este aqui não supera Wrecking Ball, mas a dignidade do artista é conservada nas 12 faixas distribuídas ao longo de 56 minutos que mal são sentidos. As músicas não são longas demais, com exceção de “American Skin (41 Shots)” e “The Ghost of Tom Joad”, épicos na casa dos sete minutos. O álbum, na verdade é uma compilação de faixas já gravadas, ou apenas compostas e não aproveitadas em álbuns anteriores. A faixa título foi gravada para o EP “Blood Brothers”, American Skin foi uma resposta ao assassinato de um imigrante da Guiné, morto a tiros por um policial a paisana em Nova York em 1999. Bruce escreveu a canção em 2000. A música só foi lançada em um CD promocional, hoje raro. The Ghost of Tom Joad é uma faixa do disco homônimo, que também foi regravada pelo Rage Against the Machine. O guitarrista da banda, Tom Morello participa dessa, inclusive nos vocais, e de mais oito faixas no disco. “Harry’s Place” foi escrita em 2001 a principio para ser incluída em The Rising, “Heaven’s Wall”, “Down in the Hole” e “Hunter of Invisible Game”, que foram escritas entre 2002 e 2008 e “The Wall”, que Bruce escreveu em 1998.

Como era de se esperar, a produção do álbum é impecável. O time que acompanha Bruce também merece todo o respeito. Ele conta com a E. Street Band, que em algumas faixas ainda contava com Clarence Clemons no sax, que faleceu em 2011, tendo seu sobrinho Jake Clemons em seu lugar, além da ‘patroa’ Patti Scialfa e do ensandecido Steven Van Zandt, mais as participações especiais de Morello e do casal de filhos de Bruce e Patti, Jessi e Evans Springsteen nos backing vocals.

“High Hopes” é sem dúvida mais um belo presente de Bruce Springsteen a seus fãs, trazendo um mosaico de velhas novidades. Não tem a coesão dos três álbuns anteriores, mas está longe de ser uma mera concha de retalhos oportunista para capitalizar enquanto um disco inteiramente composto de inéditas não sai.