Flavio Tris é cantor e compositor. Lançou em 2013 seu disco homônimo de estreia, com produção de Alê Siqueira e participações especiais de Tulipa Ruiz, Filipe Catto, Celso Sim, entre outros. O álbum recebeu críticas elogiosas da imprensa especializada e figurou em diversas listas de melhores discos do ano. Nos anos seguintes. Tris acaba de lançar seu segundo álbum, “Sol Velho Lua Nova”, pelo selo Circus. O disco traz 9 faixas autorais e representa a guinada do autor a um universo sonoro mais uniforme, de aspecto minimalista e contemplativo, ao contrário da atmosfera multifacetada de seu disco de estreia. .

Ambrosia: Você constrói uma poética da natureza muito particular sua no álbum “Sol velho lua nova”, talvez pelo núcleo do seu som que vai numa linha que passa pelo folk. Mas há outras células de som, como um certo psicodelismo. Como foi chegar a esta concepção de som deste seu novo trabalho?

Flavio Tris: A concepção do som foi alcançada em um processo coletivo junto àqueles que arranjaram e gravaram Sol Velho Lua Nova, embora o conceito artístico já estivesse sendo estruturado por mim ao longo dos últimos dois anos. Todos os arranjos foram criados logo antes da gravação, já em estúdio, por mim, Luiz Gabriel Lopes, César Lacerda, Guiaugusto Pacheco e Elisio Freitas, a partir de uma intenção que tínhamos formulado uma semana antes. As atmosferas sonoras criadas derivam portanto não apenas das minhas referências – entre elas certamente o folk norte-americano e a música psicodélica dos anos 60 e 70 – mas também das referências da equipe que arranjou e gravou o disco. É fato que a confluência desses vários campos de referências fez com que fosse fácil e natural atingirmos uma sonoridade com a qual ficamos todos satisfeitos.

A: Você acha que há um efeito minimalista na estrutura melódica do álbum? Pelo uso apenas do violão como base das canções?

Flavio: Certamente o minimalismo foi uma das premissas desse álbum. Era nossa intenção que voz e violão estivessem sempre à frente, dando ênfase ao aspecto mais essencial e estruturante das canções. Os demais instrumentos geralmente aparecem apenas como suporte desse núcleo voz-violão, mas curiosamente o disco não soa como um disco de voz e violão, o que me agrada muito. Não apenas a instrumentação mas também o canto obedecem a essa nossa vontade de “enxugar” o som, deixá-lo menor.

A: As melodias carregam um forte acento emotivo. E junto disso, as letras parecem que vão pela mesma sinalização estética. Como foi o processo de pensar as letras para as canções? Como foi a poética?

Flavio: Apesar de haver uma coesão poética consciente, as canções do disco não foram pensadas para compor o disco, simplesmente foram nascendo – junto de muitas outras – ao longo dos últimos anos. Pensando nas canções separadamente, elas nascem da minha experiência e passam meu filtro poético, pela minha linguagem. Creio que é sempre assim o surgimento da canção, quando o autor de fato se propõe a dizer algo e não apenas a preencher as lacunas com voz. E meu filtro poético, minha linguagem, estão muito ligados aos elementos da natureza e a alguns temas como ancestralidade e auto-observação. Então a poética das minhas canções como um todo naturalmente reverberam essa linguagem. Outra coisa é a concepção do disco como conjunto coerente dessas nove canções, e nesse  ponto sinto que o discurso foi se constituindo também naturalmente ao longo da escolha de repertório e da gravação propriamente dita. Em síntese, eu poderia dizer que a poética do disco se constituiu dentro dessa esfera minimalista e que expressa sobretudo a provocação para uma atenção especial sobre o canal energético cardíaco.

A: Como está a divulgação do álbum? Há uma agenda de shows?

Flavio: O disco está disponível em todas as plataformas de streaming, também para download gratuito e em versão física. Em breve teremos a data do show de lançamento, e a partir disso começaremos a fazer shows para a efetiva circulação do disco.