O primeiro disco é sempre um desafio. Não que Jongui esteja começando agora, muito pelo contrário, esse gaúcho radicado no Rio de Janeiro já fomentou a cena independente com sua gravadora Net Records, tocou com Lulu Santos, Ramiro Musotto, Daúde, Jorge Mautner, Jards Macalé, Vulgue Tostoi, além de ter produzido discos de Lucas Santtana, Zeca Baleiro, Rita Benneditto, Raquel Coutinho, entre outros.

“Elétrico Fio Que Teço”, é seu primeiro trabalho autoral, que ele não só concebeu mas produziu e mixou. Mesmo assim fica a indagação: como soar original em 2017 – quando a impressão que se tem é que tudo já foi feito e refeito? O músico concedeu entrevista por email à Revista Ambrosia. Confira abaixo:

Ambrosia: Você utiliza muita cordas (violoncelos) com elementos bem eletrônicos para criar ambiências para uma poética muito visual que estampa no papel (no encarte, no caso) uma iconografia sobre os espaços tanto das palavras quanto das suas substâncias. Pode falar um pouco desta proposta?

Jongui: Não é algo tão claro como sua ótima análise. da minha perspectiva, não é uma proposta. É um todo. Um todo que me habita. Ou, ainda, uma busca desse todo. Calha de ter essas características que você apontou.

A: A voz no seu trabalho é muito importante, pois ela modula a intenção poética entre o oral e o canto, entre a canção e a declamação. Como foi o seu trabalho de colocar a voz neste repertório?

Jongui: Foi o que mais demorou! Tentei bastante. achei um lugar potente pra me manter interessado em cantar. autoedição e autocoroação.

A: Os arranjos ficaram bem casados com o ritmodas palavras-versos. Como foi feita esta costura entre palavras e timbres?

Jongui: Muito obrigado pelo elogio. Acho que sua pergunta contém a resposta. É mesmo uma costura. Instinto, uma espécie de necessidade, busca. É um processo. Muitos ‘nerdismos‘ numa só pessoa.

A: “Passo a passo” é uma correnteza de palavras jogadas quase num mosaico/quadro. Esta escolha por palavras que aparentemente parecem aleatórias quando juntas, mas que dão, através da melodia também, uma ótima opção estética à canção. Como é a sua parte textual? Você cria primeiro o poema?

Jongui: Caramba! que delícia ler essa análise/elogio! Quem ler vai ficar instigado e vai querer ouvir! Fica interessante, o maior elogio. No caso dessa, foi desse jeito, poesia primeiro. Mas não é regra.

A: Como está a divulgação do seu álbum? Como está a agenda de shows?

Jongui: Demos início agora. essa entrevista me mostra que a divulgação vai bem. Interesse e inteligência, adoro. Fiz um show de lançamento intenso no teatro Ipanema, foi massa. A andança vai pra BH e Sampa. Sou todo ouvidos para propostas e parcerias (risos).