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Madonna ainda é muito maior que suas músicas, como comprova “MDNA”

Madonna é Madonna e não existe sucessora(s). Esse parece ser o lema da popstar americana que possui uma capacidade impressionante de se reinventar e se manter relevante há quase 30 anos. O verdadeiro espetáculo que deu no precioso intervalo da final do SuperBowl 2012 (se não viu, corra para o vídeo abaixo) foi o ponta pé inicial, culminando no lançamento de seu mais novo álbum, MDNA.

Quando falo em reinvenção não chego ao tocante da linha musical, pois isso Madonna não tem sido muito inspirada. Cada vez mais segmentada em inúmeras contribuições de produtores, como o inglês William Orbit, o francês Martin Solveig e o italiano Benny Benassi, seu novo CD projeta a busca desenfreada de Madonna por essa atualização. Mas, por outro lado, é admirável a sua habilidade e produzir e reverberar hits, que funcionam e vendem. O seu criticado (mas que eu adoro) CD American Life, paradoxalmente, foi o último em que investiu em busca de sonoridades mais amplas, mesmo dentro da eletrônica Pop. Depois foi só seguindo a linha temática.

12º disco da carreira da cantora, MDNA é marcado pelas músicas de pista de dança. Girl Gone Wild, que abre o CD (e ganhou um clipe libidinosamente gay, ou seja, Madonna revivendo a década de 80…) é eficiente nesse fim e funciona que é uma beleza. E logo é seguido por Gang Bang (que pede um clipe explosivo) e que confirma a propensão dela em trazer ares épicos para suas batidas. E o álbum segue por essa batida com uma ou outra variação, mas a sensação de algo homogêneo é latente. Até que chega a divertida Give Me All Your Luvin, música de trabalho em Madonna explana – com direito a pom-pons – que não envelheceu nadinha para cultura pop, e sabe e domina muito bem o que está fazendo.

Dentre as últimas faixas, encontramos a premiada (!) canção de seu subestimado filme W.E., Masterpiece, que, cá entre nós, é muito parecida com as baladas que a cantora costuma produzir, ainda que seja bonitinha. Mas como “baladinha cretina”, a melhor é Falling Free, em que, pelo menos, sai um pouco do lugar comum, onde ela ainda arrisca uns agudos para atestar sua “versatilidade” e sua (digamos) audácia. E não é isso que gostamos nessa entidade?

Mas ao fim do CD o que fica é a sensação de que Madonna é maior do que a música que faz. Ela virou um ícone que tem a maestria de se regenerar, conquistando gerações desde o início da década de 80. Tanto que seus clipes são mais esperados que propriamente suas canções. Seus espetáculos são mais aguardados que seus shows ao microfone. Seus marketing é sempre mais sedutor que sua obra em si. Isso não é algo menor, muito pelo contrário. É um caminho que ela trilhou e promoveu como parâmetro, até para o showbusiness, tanto que é muito copiada. Se o gênio Michael Jackson foi refém de seu próprio sucesso, Madonna faz o público de refém com seu estandarte próprio. E, acredite, nesse caso, ninguém faz questão de resgate.

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Publicado por Renan de Andrade

Renan de Andrade

A paixão pelo audiovisual me pegou de assalto desde o berço. Assim como a necessidade de desbravar o alcance da comunicação. Formado em Jornalismo e atuando nas áreas de roteiro e direção na TV, sinto-me cada vez mais imerso nos matizes da arte (audiovisual) e da vida (comunicação).

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