É uma daquelas notícias que faz nosso dia simplesmente ficar triste e sem graça. Um dos maiores nomes de uma das melhores bandas de todos os tempos, Richard Wright faleceu hoje aos 65, vítima de câncer.

Richard William Wright foi membro fundador do Pink Floyd, ainda quando a banda era conhecida por Sigma 6. Juntamente de Nick Mason, Roger Waters e Syd Barret, ele foi uma das mentes idealizadoras da revolução conhecida por Rock Progressivo.

Em meados da década de 60, enquanto os Beatles faziam seu ié ié ié, o Pink Floyd criava músicas totalmente inovadoras e os teclados de Wright foram fundamentais a esta inovação.

Em Piper at The Gates of Dawn, A Saurceful of Secrets, a trilha do filme More, Ummagumma e Atom Heart Mother (o qual tem uma das melhores músicas dele chamada Summer ’68),, Relics e Obscured by Clouds Wright compunha pelo menos 1/3 das músicas, inicialmente com os integrantes originais e posteriormente, com a queda de Syd Barret ao mundo das drogas, com seu amigo e agora guitarrista e vocalista, David Gilmour.

Em Meddle, seus teclados foram fundamentais em composições como One of These Days e Echoes, uma viagem espiritual que com certeza faria qualquer pessoa se embriagar nas mais diversas fontes e influências usadas em uma das músicas mais psicologicamente pesadas já feitas.

Em “Dark Side of the Moon”, Wright brilhou com seu piano e vocal em “Breath, Great Gig in the Sky, Us and Them, Time e Eclipse”, praticamente dois terços do álbum tem músicas de sua autoria. O mesmo pode-se dizer de “Wish You Were Here”, onde as belas partes de “Shine On You Crazy Diamond” são esplendorosamente tristes. Os fãs de Floyd sabem do que eu falo.

A partir de “Animals”, Roger “A Gralha Rouca” Waters toma conta da banda, chegando ao ápice de seu egocentrismo com a demissão de Wright, um membro fundador, durante a elaboração de “The Wall”. Durante a turnê, Wright foi recontratado apenas para os shows e logo após dispensado por Waters novamente.

Após a batalha judicial travada em meados dos anos 80 entre Roger Waters e David Gilmour pelos direitos de uso do nome Pink Floyd, Wright foi reintegrado a banda e junto com Nick Mason, formaram a nova cara do Floyd, agora sem a Waters.

O retorno de Wright ao Pink Floyd se deu em 1987, nas gravações de A Momentary Lapse Of Reason. Ele chegou no meio das gravações, ocasião em que não trouxe contribuição relevante para o álbum, mas participou da turnê mundial de promoção do disco.

Já em The Division Bell, Rick Wright voltou a participar ativamente do processo criativo, retomando-se a cooperação coletiva que se havia perdido nos anos 70. Wright é co-autor de “Wearing The Inside Out” com Anthony Moore e das músicas “Cluster One”, “What Do You Want From Me”, “Marooned”, e “Keep Talking” com David Gilmour.

Este álbum, com certeza, um dos mais bonitos do Floyd, trazendo uma mensagem que nos leva a ver que o mundo está cada dia mais se isolando e praticamente implorando para que todos voltem a conversar. É quase uma analogia a situação em que o Floyd se encontrava, afinal, Syd havia ficado louco e Waters era um ditador megalomaníaco destronado.

Após anos tocando, a banda se aposentou em 1994. Todos lançaram álbuns solos e Wright, eventualmente se unia a Gilmour em suas turnês solos, tocando algumas músicas antigas do Pink Floyd. Em 2 de Julho de 2005, os fundadores (tirando Syd), se uniram para um único show, onde tocaram 4 músicas do Pink Floyd, mas isso foi o fim.

E hoje, aos 65 anos de idade, o câncer matou mais um dos cinco homens que fizeram a história do Pink Floyd. Syd Barret morreu em Julho do ano de 2006, Rick hoje, e eu sinceramente lamento muito e podem ter certeza que essa noite será de plena dedicação a Pink Floyd e as músicas que Rick Wright teve a competência de escrever e dar vida.

Em homenagem a Richard, a mais bela música do Pink Floyd: “The Great Gig in the Sky”.

J.R. Dib

  • Vitor Lamy

    Uma perda terrível para o rock’n’roll de verdade…

  • alex nathan moreira de jesus

    descançe em paz no céu de diamantes