No dia seguinte da notícia da morte de Chris Cornell, o Brasil perde seu herói da resistência do rock: o icônico Kid Vinil. Nascido Antônio Carlos Senefonte em 10 de março de 1955, em São Paulo, foi vocalista da banda punk/rockabilly Verminose. Conheceu o sucesso em 1983 à frente da banda Magazine com os hits ‘Eu Sou Boy’ e ‘Tic Tic Nervoso’. Dois anos depois, ainda com o Magazine, emplacou ‘A Gata Comeu’, que foi tema de abertura da novela homônima da Rede Globo, sucesso no horário das seis (recentemente reprisada no canal Viva).

Kid Vinil sempre foi um agitador cultural. Foi um dos maiores incentivadores do início do movimento punk no Brasil, que floresceu em São Paulo. Ele organizava shows e divulgava bandas em seu programa de rádio. Na TV passou pela TV Cultura (0-nde apresentou o Boca Livre e o Som Pop), Bandeirantes e MTV (onde apresentou o Lado B, destinado a bandas alternativas). Chegou a retomar o Magazine em 2000. Kid Vinil pode ser considerado o John Peel brasileiro. Assim como o lendário radialista inglês, possuía um vastíssimo conhecimento musical na mesma proporção de seu acervo de rock em vinil.

Em 2008, lançou o livro “Almanaque do Rock”, que contava um pouco da trajetória do rock desde os anos 1950. Tinha planos de escrever mais um livro. Nos últimos anos atuou como DJ (sua atividade original) e tinha um programa na 89FM de São Paulo.

Kid Vinil morreu nesta tarde (dia 19 de maio), aos 62 anos, em São Paulo, depois de um mês internado. Era diabético e sofreu uma parada cardíaca no dia 16 de abril. Chegou a ser colocado em coma induzido. Ele passara mal depois de um show em Conselheiro Lafayette (MG) e foi levado para um centro médico da cidade. Em seguida, foi transferido para Hospital da Luz, na Vila Mariana, na zona sul da capital paulista.