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Reencontro com “Super-Homem: Paz na Terra”

Anos de faculdade são difíceis, lembro que todo dinheiro ganho era para gastos em transportes, impressões, comida e alguma coisa que o Centro Acadêmico pedia. E só. Para quem viveu os anos escolares, colecionando quadrinhos diversos, vê que não podia comprar nenhum naquela fase era duro. E muita coisa boa saiu, entre elas, Super-Homem: Paz na Terra, que reencontrei nestes dias, após quase dezessete anos de sua publicação.

Superman: Peace on Earth, no original, faz parte da The World’s Greatest Super-Heroes, uma coleção de livros de histórias em quadrinhos de capa dura de grandes dimensões, que consiste em seis romances gráficos de grandes dimensões todos criados pelo escritor Paul Dini e o artista Alex Ross. Uma Hq, ou melhor, uma graphic novel – termo cunhado por Will Eisner quando uma história em quadrinhos chega a um certo nível – das mais procuradas e sem dúvida a melhor história do Super-Homem de todos os tempos.

Mas o que tem de tão especial nesta obra. Sua premissa é bastante sensível: o homem de aço propõe a ONU se dedicar por um dia aos pobres, a todos os desfavorecidos do planeta inteiro. Levando provisões numa jornada que explorará sua própria psicologia e refletirá sobre seu lugar no mundo, enquanto tenta finalizar sua missão altruísta. Entretanto, o argumento da narrativa serve para mostrar as pinceladas e as matizes que o personagem é desenhado, num perfeito retrato deste mestre que é o Alex Ross.

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Dini sabe transmitir o roteiro sobre o que significa ser e o que é o Superman. Um símbolo, um ícone, uma ideia sobre o arquétipo sobre humano, a essência de um personagem clássica da DC Comics, que vem sendo mostrado tão diferente ao longo das décadas. O Super-Homem sempre, em sua maneira, significa esperança, luz, otimismo…

Tanto o super-herói e seu alter ego, Clark Kent, vem transmitindo esses valores com seus atos e sua filosofia. Podemos fazer uma comparação com o Bruce Wayne, que sob o manto do Batman transmite outros sentimentos bem diferentes: o medo aos seus inimigos e inclusive nos cidadãos que está a proteger, obscuridade, um amargurado pessimismo sobre a natureza humana…

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Superman e Batman são como o yin e o yang, se complementam entre si, num equilíbrio perfeito. E é por isso que são os ícones mais representativos da DC Comics, e seus personagens mais populares. O que quero expressar nesta comparação é assinalar as diferenças entre os personagens, e mostrar o quão Paul Dini, perante a aparência de um roteiro em uma obra a priori a serviço do desenhista, consegue captar o espírito do Super-Homem, de sua psiquê e no que sua existência implicaria a humanidade. Saindo das páginas, indo para nossa realidade, com um mérito sem igual. Bravo Paul. Você consegue nos lembrar de nossa humanidade. Tanto quanto o personagem inspira em suas histórias,  Dini buscou trazer a todos os leitores que atos heróicos estão dentro de nós, e para agir sobre pensamento, em vez de passivamente ignorar, podemos fazer algo, impulsionar e trazer a esperança onde estivermos.

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E o que dizer da arte do Ross? Um trabalho perfeito, chamativo pelo realismo absurdo, com incríveis “splash-page” acompanhados com textos estrategicamente colocados para não interferir nas ilustrações. A capa é pura expressão, sem igual, o formato de 25,5x34cm ajuda muito na estrutura arte/texto, sem igual.

“Super-Homem: Paz na Terra” é uma HQ que enamorei por anos, e pensava que tinha perdido, mas a reencontrei num grupo de leilões. E após a compra e o tempo de espera, posso garantir que é maravilhosa. Arte que sentimos ao primeiro olhar e que não necessita saber absolutamente nada do personagem nem do Universo DC para desfrutá-la. Espetacular, espero que a Panini ou alguma outra editora relance, pois merece pelo conto que traz, pela arte e pela lição. 

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Publicado por Cadorno Teles

Habitante das terras áridas dos vales, guerreiro aposentado que desgraçadamente foi jogado numa dimensão que ninguém acredita nele. Se tornou professor, e nos momentos livre aproveita para ler e levar livros pelo sertão. RPG, quadrinhos, literatura e cinema estão entre seus vícios, para esquecer ou mesmo lembrar de seu mundo originário.

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