Depois da divulgação dos resultados dos ENnies nessa sexta, acredito ser interessante falar um pouco dos ganhadores, e minha opinião sobre a premiação. Obviamente os Ennies sofrem de um pequeno “problema”, que é legal em um ponto (o de todos participarem) e chato por outro (ganha sempre o mais popular e nunca o melhor). Acredito que o ideal seria ter juízes e fazer uma premiação com jurados e em separado uma de público (só para as categorias mais populares mesmo). O resultado fica aquela coisa meio estranha, é como se colocássemos a Madonna contra o Chet Baker em um disputa de melhores composições, e sabemos que se fosse depender de voto popular a loira, mesmo com músicas execráveis em comparação ao bom Chet Baker, sairia vencedora. Sempre defendi que popularidade e qualidade não são sinônimos nem de perto (sendo dois termos que geralmente são antagônicos, ainda que existam coisas populares, como os Beatles, que possuem toda a qualidade do mundo).

Confesso que as duas grandes premiações do RPG, o prêmio Origins e os Ennies (por que infelizmente o Indie RPG Awards não pode realmente ser chamado de grande), ambos tem seus problemas grandes, o Origins possui jurados, mas tem poucas categorias destinadas ao RPG e realmente às vezes premia algumas coisas bem aleatórias. Já os ENnies que possuem categorias excelentes, mas peca pelo uso único do voto popular.

Vamos então aos comentários dos prêmios mais relevantes:

Melhor Arte de Capa
Prata – Pathfinder: Howl of the Carrion King (Paizo Publishing)
Ouro- CthulhuTech (Catalyst Game Labs)

Convenhamos, a arte da capa do Pathfinder não tem nada demais, para mim Pathfinder está com essa bola toda por causa de suma imensa popularidade. É fácil atestar que a Paizo e o Pathfinder em si ganhou todas as categorias que participou.

Melhor arte interna
Prata – Mouse Guard (Kunoichi/Archaia Studios Press)
Ouro – Dark Heresy RPG (Fantasy Flight Games)

Dois prêmios justos aqui, ainda que a arte de Mouse Guard, baseada na HQ homônima seja belíssima, Dark Heresy realmente possui um excelente trabalho gráfico para ninguém botar defeito. Portanto, acredito que tenha sido uma escolha justa.

Melhor Custo e Benefício
Prata – Mouse Guard (Kunoichi/Archaia Studios Press)
Ouro – Dark Heresy RPG (Fantasy Flight Games)

Mais uma vez aqui a disputa está entre os ratos e os inquisidores da Fnatasy Flight. Este prêmio é bastante difícil de julgar, ainda que Dark Heresy seja mais caro que Mouse Guard, o segundo me parece um pouco menos interessante que o primeiro, e também é bem menor. Portanto compensa a diferença de preço. Premiação justa.

Melhor escrita
Prata – Don’t Lose Your Mind (Evil Hat Productions)
Ouro – Kobold Quarterly (Open Design)

Nunca li a Kobold Quartely, mas adoro Don’t Lose your Mind, portanto acho que não posso julgar qual dos dois é melhor. No entanto, acredito que o Hunter’s Recognition Guide era de longe a melhor opção para esse prêmio.

Melhores regras
Prata – A Song of Ice and Fire (Green Ronin Publishing)
Ouro – Dungeons and Dragons 4E: Players Handbook (Wizards of the Coast)

Eu li o Player’s Handbook do novo D&D quando saiu, e tive a chance de joga-lo pouco depois. Não gostei, a coisa toda me soou muito chata e optei por me manter na terceira edição (ainda que não tenha jogado mais D&D desde a partida teste da Quarta edição). Portanto não poderia discordar mais deste resultado, ainda mais considerando jogos como Dark Heresy e Hunter: The Vigil, que possuíam regras excelentes e que não foram premiados.

Melhor monstro ou adversário
Prata – Dark Heresy: Creatures Anathema (Fantasy Flight Games)
Ouro – Dungeons and Dragons 4E: Monster Manual (Wizards of the Coast)

De novo terei que falar um pouco do mais do mesmo. O novo Monster Manual não é um livro ruim (ainda que seja bem mais feio que seu antecessor), ele desenvolveu status bastante dinâmicos para monstros e torna a coisa toda mais fácil para os narradores, portanto ponto para ele. Mas Dark Heresy é um RPG muito melhor na minha opinião, o que torna o seu livro de antagonistas algo realmente útil.

Melhor jogo
Prata – Dark Heresy (Fantasy Flight Games)
Ouro – Dungeons and Dragons 4E (Wizards of the Coast)

Ok. Fiquei feliz que Dark heresy tenha entrado. Mas é aquilo outros jogos legais como a nova edição de a Song of Ice and Fire certamente caberiam melhor do que o D&D, mas pode ser implicância minha, me perdoe os fãs do jogo.

Produto do ano
Prata – Mouse Guard (Kunoichi/Archaia Studios Press)
Ouro – Dungeons and Dragons 4E: Players Handbook (Wizards of the Coast)

Tantos livros bons na categoria que é até difícil escolher um. Por mim, manteria o Mouse Guard e acrescentaria o Dark Heresy.

Melhor editora segundo os fãs
Ouro – Wizards of the Coast
Prata – Paizo Publishing

A Wizards, uma empresa que fez cagada atrás de cagada esse ano, levar um prêmio desses chega a ser sacanagem. Sério, mesmo os fãs de D&D deveriam ter tido um pouco mais de consciência das ações recentes da empresa e não ter votado na mesma. Enfim, fico triste que as empresas menores nunca tenham chance de ganhar esse prêmio.

Vale notar que Hunter: The Vigil não ganhou nenhum prêmio, em total discrepância com o ano passado, onde Changeling foi o grande campeão da noite. Isso mostra que apesar de promissor no início, a linha realmente não foi das melhores apostas da White Wolf. Eddy Webb, desenvolvedor dos produtos alternativos na editora afirmou no fim de semana, que Geist: The Sin Eaters já vendeu mais do que Hunter, e teve uma recepção excelente na Gen Con.

Dark Heresy mostrou que tem muita força com o público, além de ser um jogo fantástico. A linha de fato me impressionou muito e estou bastante ansioso para começar uma mesa com os inquisidores. Mouse Guard também se encontra em posição semelhante. Aguardo meu livro dos ratinhos com anseio.

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