Depois de duas temporadas nas quais tinha boa fama, mas pouquíssima visibilidade, Black Mirror veio para a Netflix e se tornou um grande sucesso no seu terceiro ano, sendo hoje extremamente comentada e reverenciada, por suas inovações de roteiro e uma pegada diferenciada. A chegada da quarta temporada trouxe com isso uma grande expectativa e isso talvez seja seu principal defeito. Há boas histórias e algumas reflexões interessantes sobre como a tecnologia pode ser um grande problema, mas nessa temporada ela é percebida mais nos aspectos do indivíduo do que de uma sociedade como todo.

Um dos episódios que giram em torno desse mote é “Hang the DJ”, no qual a sociedade se baseia em um sistema estilo Tinder, que faz as escolhas sobre seu par e já definindo quanto tempo esse casal ficará junto. Até que ele decida quem será seu par perfeito. Mostra uma sociedade que não quer responsabilidades sobre suas escolhas e que não sabe lidar com rejeições ou rompimento de relacionamentos.

Black Mirror

“Black Museum”, conta histórias de manipulação de mentes das pessoas que acabavam desencadeando problemas bem complicados. O melhor dos episódios da temporada sem dúvida, que é melhor não tecer comentários que possam estragar sua experiência com ele.

Temos o episódio “USS Callister” sobre um mundo de simulação criado por um gênio da empresa, mas que por não saber lidar bem com seus funcionários. Tem uma vida isolado do mundo, que prefere passar como comandante de um programa de TV que ele é fã, numa clara referência a “Star Trek”, predominantemente da série clássica, que os Trekkers reconhecerão de imediato. As soluções, inclusive são todas que deixariam o Capitão Kirk orgulhoso.

Em Arkangel, vemos uma mãe que, devido ao trauma de quase perder a filha na rua, permite que implante nela um dispositivo no qual terá acesso a tudo o que a menina vê e que alerta sobre qualquer problema que o corpo dela tiver. Quando ela chega à adolescência, a mãe, que já não usava o aparelho há muitos anos, se desespera quando a filha não chegava mais em casa. Ao reutilizar o aparelho, descobre certas coisas que mudará o relacionamento entre elas. Uma pesada crítica aos pais superprotetores e em quanto tempo sistemas como esse tipo poderão vir realmente a acontecer.

Em “Crocodile” a vinda de um ex-namorado com o qual tinha um segredo guardado há muito tempo, repercute na vida de uma arquiteta famosa que passa a ter problemas quando ela é testemunha de um acidente na rua e uma mulher da seguradora vem lhe visitar trazendo um aparelho que visualiza eventos passados.

No episódio mais fraco da temporada, “Metalhead”, uma mulher luta para sobreviver em um mundo pós-apocalíptico da perseguição de uma pequena e incansável máquina de matar.

A temporada foi muito bem realizada e se as pessoas tivessem menos expectativas sobre a série, poderiam ter curtido muito mais.

Série: Black Mirror
Criação: Charlie Brooker
Elenco: Daniel Lapane, Hannah Jophn-Kammen, Michaela Coel
Gênero: Drama/Sci-fi/Thriller
País: Reino Unido
Data de lançamento: 2011
Emissora: Netflix
Duração: 58 min