Há 20 anos ele se foi deste plano. Há 10, o espetáculo “Renato Russo – o musical”, estrelado por Bruce Gomlevsky, com direção de Mauro Mendonça Filho, estreou. E há 5 anos, o ator não apresentava a peça em que tão bem encarnou o maior poeta do rock brasileiro, Renato Russo. Mas parece que foi ontem.

Sozinho no palco, acompanhado apenas por uma banda, Bruce dá, literalmente, um show como Renato Russo. Em cerca de duas horas, passa a vida do roqueiro em revista, desde sua adolescência, em Brasília, até sua morte, em 1996, no Rio de Janeiro, vítima do vírus da AIDS.

Bruce é bem sucedido ao “imitar” o gestual, a dança, a entonação e o “pensamento” de Renato, que, aos olhos das novas gerações que não tiveram o privilégio de tê-lo em sua contemporaneidade, continua atual. Suas letras, escritas desde o tempo do “Aborto Elétrico”, ainda hoje causam efeito nas almas oitentistas e mesmo naquelas que vieram depois.

Temas recorrentes na obra do poeta como política, amor, relacionamentos, amizade, sofrimento fazem de Renato o porta-voz de várias gerações. A certa altura da peça, Bruce/Renato diz: “As letras são importantes, mas elas são o meio, não o fim”. Para arrematar em seguida, fazendo referência à sua arte que não iria salvar o Brasil. “Quem faz anúncio pra salvar o país é banco e bebida alcóolica”.

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Bruce canta, com vigor e energia, grandes sucessos da Legião Urbana. A deixa para a entrada de “Pais e filhos” no espetáculo é o episódio do nascimento acidental de Giuliano, seu filho único, fruto de uma relação com uma fã de Renato, “Raphaela Manuel Bueno”. “Um acidente maravilhoso”, diz Bruce no texto para emendar: “Os pais são sempre os pais. São só pessoas normais cheias de acertos e erros”. Fora esse, pode-se citar outros grandes sucessos listados na peça como “Eduardo e Mônica”, “Índios”, “Andrea Dória” e a consagradora “Tempo Perdido”, que finaliza a performance de Bruce em grande estilo.

Para aqueles que choram com comercial de margarina, é um prato cheio. Em vários momentos, dá pra se perceber uma lágrima caindo num canto do rosto ou um arrepio. Urbana Legio Omnia Vincit. A Legião Urbana a tudo vence. Força sempre, Renato Russo vive! Por ora, a peça vai até este domingo, dia 6/11, no Teatro Net Rio, mas em janeiro estará de volta, desta vez no Teatro Riachuelo. Bora lá!

Ficha Técnica

Idealização, Interpretação e Pesquisa: Bruce Gomlevsky
Dramaturgia e Pesquisa: Daniela Pereira de Carvalho
Direção Geral: Mauro Mendonça Filho
Direção Musical: Marcelo Neves
Iluminação: Wagner Pinto
Cenógrafo: Bel Lobo e Bob Neri
Figurino: Jeane Figueiredo
Foto: Flávio Colker
Design Gráfico: Redondo Design
Assessoria de Imprensa: Eduardo Barata
Direção de Produção: Bianca De Felippes

Prêmios e Indicações

Prêmio Shell de Melhor Diretor 2006
Três indicações ao Prêmio Shell 2006 (Melhor Ator, Melhor Diretor e Música ao Vivo)
Três indicações ao Prêmio Eletrobrás de Teatro 2006 (Melhor Ator, Melhor Texto e Melhor Iluminação)