“Vamp, O Musical” é bom e ruim. Na mesma medida de sua própria pretensão. Talvez seja melhor para aqueles que têm a novela guardada no seu imaginário infanto-juvenil. O sabor dos signos da trama são acentuados quase que isoladamente no todo. Aos demais, seus defeitos ficam ainda mais explícitos.

Tanto o Vlad de um hilário Ney Latorraca, quanto a Natasha de uma impressionantemente conservada Claudia Ohana, estão lá em suas personas muito conhecidas e ainda vívidas. São o que impulsionam essa reimaginação teatral e garantem o jogo (quase) ganho. Mas se a história gira em torno deles, o autor Antonio Calmon pouco desenvolve os personagens que os gravitam, tornando todo o resto um tanto artificial e diminuindo o potencial de seu próprio clímax.

Ainda que a direção de Jorge Fernando e Diego Morais (e coreografia de Alonso Barros) entreguem algumas boas ideias e soluções, como a abertura de impacto e a metade final do número Thriller (porque o número todo é bem desperdiçado no início), o musical carece de maior acabamento cênico na narrativa, atrapalhando a fluidez das cenas, seja pela montagem protocolar dos cenários (com contrarregras de preto empurrando praticáveis em meio às cenas), seja pela burocrática aparição de seus personagens (que só ganham algum capricho quando descem ou sobem de elevadores submersos).

A encenação vive desse conflito de algumas escolhas erradas diante de toda a competente entourage que tem: luz de Maneco Quinderé, visagismo de Martin Macias, cenários de José Claudio Ferreira. “Vamp” é um universo. Dos poucos que sobrevivem para além do tempo e veículo em que surgiram. Sua transposição para os palcos necessitaria de uma maior dimensão dessa universalidade. Com o que fez, deu para divertir. Até pelos atores originais que tem em mãos, sobretudo Ney. Ou boas surpresas no todo, como a Ms. Penn Taylor de Evelyn Castro. Talvez o gênero no Brasil ainda precise de mais expertise. Vamp, O Musical” ficou devendo como espetáculo teatral, o que tão bem alcançou como novela.