[Atenção, texto com spoilers]

Versar sobre a estreita relação entre tirania e poder, sob um arco épico fantástico e baseado num antológico livro de sucesso é mesmo uma tarefa difícil. Game of Thrones (HBO) completou sua segunda temporada ainda com o peso dessa responsabilidade nas costas, mas agora, com esse suplício mais externado dramaturgicamente.

A guerra pela soberania dos reinos é formada por diversos “núcleos” que acabavam não se desenvolvendo plenamente, o que desnivelava gritantemente a narrativa. A trama de Ayra como serviçal improvável dos Lannister que tinha uma interessante tensão, foi abruptamente “resolvida”, Daenerys tendo de abrir mão de duas das coisas que mais queria para achar seus dragões: o Trono de Ferro e Khal Drogo com seu filho. Ou seja, ela passou a temporada inteira naquele lenga-lenga de ser a rainha do mundo para só finzinho ganhar alguma dramaticidade com esse dilema? Esses são só alguns exemplos do atropelo e da falta de aprofundamento do roteiro.

Muito melhor que a maioria das séries no ar hoje, Game of Thrones ainda é um primor de diálogos interessantes e virados bem sustentadas em suas próprias pretensões. Além disso o elenco (sobretudo o infanto-juvenil) realmente é muito bom e inteirado do universo retratado.

Os dois últimos episódios até corresponderam à expectativa que a série vem suscitando desde a repercussão de seu esperado lançamento. Para quem leu o livro, a estrutura dramática ainda é um problema, não por esperar que a TV reflita o livro, mas pelo viés homogêneo que o discurso da história agrega a todas as partes da narrativa.

Essa é uma questão que a série está com claras dificuldades de resolver e que fragiliza o impacto da história, porém ainda resta um bom número de temporadas para que isso se acerte.