Rosa Magalhães ganha biografia e documentário inéditos | Agenda | Revista Ambrosia
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Rosa Magalhães ganha biografia e documentário inéditos

Lançamento do Livro + DVD acontece no Rio

Um passeio pela infância e adolescência de Rosa nos ‘anos dourados de Copacabana’, a passagem pela Escola de Belas Artes (EBA) nos ‘anos de chumbo’, o aprendizado com mestre Fernando Pamplona, os 50 anos nos barracões do samba, a carreira no teatro iniciada em 1973 com a censurada “Calabar”, de Chico Buarque e Ruy Guerra, a vida afetiva e muito mais.

Além da história de Rosa Magalhães pelo escritor Luiz Ricardo Leitão, livro conta com mais de 180 imagens, entre desenhos da própria artista, fotos, documentos inéditos e é acompanhado por um DVD com documentário sobre Rosa.

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Ícone do carnaval carioca, Rosa Magalhães é a homenageada da vez, depois das biografias de Aluísio Machado, Zé Katimba e Noca da Portela. No ensaio biográfico, que engloba também um documentárioproduzido pelo Centro de Tecnologia Educacional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CTE), o público será apresentado às diversas facetas dessa multiartista, revelando a pintora, a cenógrafa, a figurinista e a carnavalesca oito vezes campeã dos desfiles das escolas de samba do Rio.

Poesia e brasilidade fazem parte do livro-DVD “Rosa Magalhães: a moça prosa da avenida” (560 pg, R$60,00),deLuiz Ricardo Leitão, professor associado da UERJ e coordenador do Acervo do Samba. O livro é ovolume 4 da série “Acervo Universitário do Samba”, editado por DECULT-UERJ e Outras Expressões. A apresentação é da museóloga Maria Luiza Newlandse da atriz Zeni Pamplona (viúva do carnavalesco Fernando Pamplona), e o posfácio é assinado pelo carnavalesco e professor da UFRJ, Leonardo Bora.

“Depois de biografar três compositores (Noel Rosa, Aluísio Machado e Zé Katimba), era hora de homenagear uma narradora visual da arte popular. A escolha só poderia ser essa figura poliédrica chamada Rosa Magalhães, que dá voz às mulheres e promove enlaces entre vários mundos na Passarela do Samba, nos palcos teatrais e nos grandes eventos olímpicos.”, diz o autor, Luiz Ricardo Leitão.

O livro começa antes do nascimento de Rosa, e conta um pouco da vida de seus pais, o acadêmico cearense Raymundo Magalhães Jr. e a dramaturga paulista Lucia Benedetti. A mãe de Rosa Magalhães é considerada a precursora do teatro infantil no Brasil – em 1948, com a estreia da peça O Casaco Encantado, lançou as bases do que hoje é conhecido como dramaturgia infantil brasileira, buscando, desde então, em todos os seus espetáculos para esse público, a mesma qualidade cênica e literária das criações voltadas aos adultos.

Desse núcleo familiar intelectual e criativo, Rosa herdou a pródiga fabulação e dramaticidade, promovendo de forma única o encontro da cultura ‘letrada’ com a arte popular. Nos seus enredos, as rendas e o artesanato nordestino, ou a fauna e a flora do Brasil, convivem em harmonia com gravuras de Frans Post, Debret e Portinari, ou ensaios de Montaigne e Sérgio Buarque de Holanda. Barroco, moderno e pós-moderno, o imaginário da moça prosa acolhe uma profusão de signos.

O livro deixa claro como o interesse pela pesquisa e a sedução pelo cinema e pela ficção científica, assim como as viagens que fez pelos dois hemisférios com apoio do pai, estimularam Rosa a fundir os vários mundos. Em suas sinopses, vai-se do México ao Brasil e à Tailândia (“O ti-ti-ti do sapoti”, Estácio de Sá, 1987), camelos africanos desembarcam no Ceará do brioso jegue sertanejo (Imperatriz, 1995) e o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen visita o Sítio do Pica-pau Amarelo em terras paulistas (Imperatriz, 2005). Amante de barcos e navegações, a narradora é uma cronista de viagem – “de repente, de lá para cá; e dirrepente, de cá para lá” (Portela, 2018).

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Lançamento

Dia 26 de novembro (3ªf), às 18h30
Local: Teatro Odylo Costa, filho – UERJ (campus Maracanã)
Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã /RJ
Informações: 21 2334-0681
ENTRADA FRANCA

Programação: 18h30 – abertura
18h40 – exibição do documentário
19h20 – apresentação da obra ao público
19h40 – noite de autógrafos com exposição interativa e sarau acústico

A MOÇA PROSA E INSUBORDINADA

Para Leitão, “o peso concedido por Rosa à figura feminina em um meio ainda bastante patriarcal e, tantas vezes, misógino merece destaque”. De acordo com ele, a carnavalescarendeu homenagens na Sapucaí à Imperatriz Leopoldina, que guiou D. Pedro I nas trilhas incertas da Independência, à pioneira pianista Chiquinha Gonzaga e à valorosa Anita Garibaldi, lançando luz sobre a contribuição das mulheres àhistória e à cultura do país.

Uma passagem do livro mostra bem a verve da artista desde a juventude escolar:

Contudo, o espírito insubmisso da aluna falou mais alto quando o professor anunciou, no mês de setembro, que a turma teria lições de Geometria na reta final do curso. Ao saber da novidade, a tinhosa criatura prontamente retrucou: “Não! Eu não vou fazer aula nenhuma!”

Ciente do temperamento forte da jovem, a colega do curso procurou contornar a situação, minando a resistência da amiga com algumas ponderações: “Como assim, Rosa? Você já está pagando! Fica aí, assiste à aula…” O pedido acabou surtindo efeito e a aluna rebelde, mesmo contrafeita, foi ficando. É claro que isso não evitou alguns entreveros bem engraçados entre ela e o professor, como no dia em que este saiu para tomar café e decidiu passar uma tarefa extra à estudante:

— Olha! Eu vou desenhar para você uma circunferência e você acha o centro. Vou tomar um café e já volto…

Encontrar o centro da circunferência era um mistério transcendental para a filha de Lucia e Raymundo. Ela própria confessa que não sabia nada daquilo – julgava a tarefa algo muito abstrato para sua cabeça. Ainda assim, quando o professor voltou, o dever tinha sido feito: lá estava a pintinha que Rosa havia feito no ponto central do malfadado círculo. O mestre, no entanto, desconfiou da pupila e lhe perguntou à queima-roupa:

— Como você achou o centro?

A resposta de Rosa foi direta e franca:

— Ué! Eu coloquei na luz: tinha um furinho, eu fiz uma pinta. Qual é o problema?

Ficha técnica

Título: “Rosa Magalhães: a moça prosa da avenida”
(quarto volume da série organizada pelo Acervo Universitário do Samba UERJ)
Autor:Luiz Ricardo Leitão(professor associado da UERJ e coordenador do Acervo do Samba)
Apresentação e posfácio:o texto é apresentado pela museóloga Maria Luiza Newlands e pela atriz e bailarina Zeni Pamplona, viúva de Fernando Pamplona, decano dos carnavalescos do Rio de Janeiro. Leonardo Bora (professor da EBA e carnavalesco do GRES Grande Rio) assina o posfácio.
Editores: DECULT-UERJ (Rio de Janeiro) & Outras Expressões (São Paulo)
Financiamento: DAF (Diretoria de Administração Financeira da UERJ)
Tiragem e número de páginas: Mil exemplares, com 560 páginas
Detalhes da edição: miolo em papel couché, em 04 cores, com capaduracolorida e sem orelha
A obra inclui mais de 180 imagens, entre documentos, fotos e ilustrações da própria artista
DVD encartado: “Rosa Magalhães: a moça prosa da avenida” (documentário de 40 minutos sobre a vida e a obra da artista, com três extras, uma coprodução da TV UERJ e do Acervo do Samba)
Preço do volume (livro + DVD): R$ 60,00(valor de capa)
Promoção de lançamento: R$ 50,00(em dinheiro ou cartão)

ROSA MAGALHÃES

Rosa Magalhães, que já foi oito vezes campeã do carnaval carioca, tem dois livros anteriores publicados – “Fazendo Carnaval (Ed. Nova Aguilar), nos anos 1990; e “O inverso das origens”, junto com Maria Luiza Newlands (Ed. Nova Terra).

Rosa é formada pela Escola de Belas Artes UFRJ, onde também deu aulas. Lecionou ainda na escola de Artes Visuais do Parque Lage, na Faculdade de Arquitetura Bennett e no Senai Cetiqt.

Alguns de seus principais trabalhos são: “O Circo Místico”, com o Ballet Teatro Guaíra – cenários e figurinos; “Sagração da Primavera” com o Ballet da Cidade de São Paulo, coreografia de Luiz Arrieta; Ópera “Lulu”, no festival de ópera de Manaus – figurinos; Ópera “A menina das nuvens”, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte – cenários e figurinos; Concerto de José Carreras na Pedreira de Curitiba – cenário; “Flicts”, com o Ballet Teatro Guaíra – cenários e figurinos.

Carnavalesca, já atuou nas escolas de samba Imperatriz Leopoldinense, Portela, São Clemente, União da Ilha do Governador e Mangueira. Oito vezes campeã do carnaval carioca.

Concebeu grandes eventos como o desfile comemorativo pelos 300 anos de Curitiba; o desfile em Salvador, Bahia, pelos 500 anos do Brasil; uma reunião das exposições de São Paulo e do convento das Mercês, em São Luis do Maranhão, da exposição Brasil 500 anos; as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Panamericanos Rio 2007; e a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Alguns de seus principais prêmios são o Emmy de Melhor Figurino, pela abertura Jogos Panamericanos, pela ESPM – EUA; dois prêmios MinC, e os prêmios Carlos Gomes, Ordem do Mérito Cultural, Medalha de Prata governo Austríaco, e mais 12 Estandartes de Ouro do Jornal O Globo.

LUIZ RICARDO LEITÃO

Escritor, professor associado da UERJ e Doutor em Estudos Literários pela Universidad de La Habana. Além de obras sobre literatura brasileira, compêndios gramaticais e manuais de produção textual, ele tem se dedicado, na última década, a escrever ensaios biográficos sobre mestres do samba e da MPB, entre eles “Noel Rosa: Poeta da Vila, Cronista do Brasil” (2009); “Aluísio Machado: sambista de fato, rebelde por direito” (2015); e “Zé Katimba: antes de tudo um forte” (2016).

Desde 2018, o professor coordena ainda o projeto Acervo Universitário do Samba da UERJ, uma iniciativa acadêmica em defesa da cultura popular brasileira e do samba carioca.

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