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“A Caçadora de Bruxos” marca estreia de Virginia Boecker misturando magia e política

Na Ânglia do século XVI, a prática da magia é ilegal e infratores são queimados nas fogueiras. Elizabeth Grey é uma das melhores caçadoras de bruxos do rei: ela localiza e captura os  suspeitos de praticar feitiçaria para que sejam julgados e executados, conforme manda a lei. Até que, inexplicavelmente, ela é incriminada e acaba presa sob a acusação de praticar a arte que se dedicou a erradicar.

A salvação vem de um homem que ela pensava ser seu inimigo. Nicholas Perevil, o mago mais  perigoso do reino, que lhe oferece um acordo: ele a salva da execução, se ela ajudá-lo numa missão muito difícil. Entretanto Nicholas e seus seguidores não sabem nada do passado de caça às bruxas de Elizabeth – se eles descobrirem, fazer a missão será a menor das suas preocupações.

E à medida que Elizabeth se associa aos rebeldes, suas crenças sobre a legitimidade da proibição da magia são profundamente abaladas. Ela se vê em meio a uma contenda política de grande proporções  e percebe que seus antigos aliados agora são seus inimigos mortais. Será que Elizabeth está pronta para decidir de qual lado está sua lealdade, afinal de contas?

virginia-boecker-660x371A jovem autora, saída do ramo de tecnologia, Virginia Boecker tece em A caçadora de bruxos (The Witch Hunter, tradução de Ivanir Calado) um conto fascinante de magia, intriga, traição e sacrifício,  numa estreia que a editora Record, selo Galera Record traz para o público. A trama se desenvolve em meio aos ardis políticos de um reino obscurecido por uma doença, que poderia ter sido iluminado pela magia e foi levado a uma contudente e cinzenta maneira de enxergar as cores.

Elizabeth passou a maior parte da sua vida, caçando bruxas e bruxos, vendo eles se extinguindo nas fogueiras. Treinados para odiarem tudo que envolvem magia, os Caçadores de Bruxos, seguem o desejo de seu mestre, Lorde Blackwell, de extirpar a magia daquele reino. Elizabeth, como órfã da peste que vitimou seus pais, não conhecera outra coisa, senão o que vivera no castelo dos caçadores, seguindo a risca as ordens de seu lorde. A mudança drástica, ao ser acusada de bruxaria, por um segredo que desconhecia, faz o sofrimento pela primeira vez, surgir em sua vida e a procura da verdade por trás da acusação e a aliança com quem perseguia faz a mulher amadurecer frente ao que realmente ocorre em seu reino.

images-livrariasaraiva-com-brPegando a parte do desenvolvimento da trama, sobre as intrigas que surgem ao longo das trezentas e tantas páginas do livro, posso dizer que estão bem construídos, porém poderiam terem sido mais profundos, pois para alguns personagens faltava fundamento para os diálogos. Mas ao longo da narrativa, a autora alimenta esses aspectos de forma gradual, o que acarreta uma surpresa para aqueles que não desistem da leitura.

A narrativa é em primeira pessoa, segue em um cenário real, a Inglaterra medieval (anos 1500), mas ambientado num mundo de magia, bem parecido com As aventura do Caça-Feitiço, mas para leitores mais velhos. Pois, mesmo que comparem com a Guerra dos Tronos, as intrigas políticas interagem, criando um clima legal, porém são rasas, lembrando muito a politicagem de um certo país tropical. Enquanto em GoT, temos múltiplas camadas de intrigas se alastrando, aqui temos uma simplista e dimensional maquianação política.

A narrativa em geral é  interessante e gosto de como a autora incorpora usuários de magia contra usuários não-mágicos. Porém, não entendi como é que a magia foi proibida. Porque era perigosa? Ou porque trouxe a peste que vitimou milhares de pessoas? Não houve nenhuma ponta de explicação. Li o livro, esperando as respostas, mas talvez o segundo livro as traga.

A personagem título poderia ter sido mais explorada emocionalmente. Os pontos positivos que são desenvolvidos são: o questionamento de seus príncipios mais profundos, a oscilação entre a força e a fragilidade, o passado incógnito e um romance morno. Os demais personagens considero a melhor parte dos livros, suas descrições e seus trejeitos poderaim ter sido melhor trabalhados, mas em conjunto, mesmo exagerados, interagem com a aventura que a narrativa gtraz.

Com um tema bastante explorado, Boecker consegue captar a essência da época e passar para o papel. Diverte, porém para quem deseja encontrar um suspense maior, algumas cenas são bem óbvias para leitores experientes. Para os fâs do gênero, temos uma heróina que luta muito bem, as cenas de ação são críveis, personagens secundários que satisfazem, uma aventura em meio às intrigas do reino e um antagonismo que lembra muito o que sentimos em nossa veia política atual. Por fim, é uma leitura recomendada a todos que sentem falta do estilo que Harry Potter e A Pedra Filosofal apresentou e também para os que buscam uma visão diferente da bruxaria. Divertida aventura, mas sem muitas pretensões.

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Publicação Cadorno Teles