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"Guerra Fria" – Um exímio melodrama desconstruído

Quando ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2015, com o belo Ida, o polonês Pawel Pawlikowski já apontava o quanto sua obra obra seria perene e substancial, especialmente na subjetiva e reducionista seara dos “filmes de arte”.
Introdução essa, corroborada por uma surpreendente (não pelo incontestável mérito, mas mais por questões mercadológicas) indicação a Melhor Diretor com seu novo filme Guerra Fria, juntamente com uma nova indicação à Melhor Filme Estrangeiro.
Apesar do nome e ambientação política, Guerra Fria é uma engenhosa história de amor, sob as turbulências dos conflitos entre os Estados Unidos e a União Soviética resvalando sobre toda Europa. A Polônia era estratégica na difusão da US, ou seja, Stalinista e com restrita liberdade individual. Dali nasce o sentimento entre a cantora Zula (Joanna Kulig) e o regente Wiktor (Tomasz Kot).
A paixão nasce numa seleção para uma escola de música em Varsóvia, onde ele fica hipnotizado com a beleza e personalidade dela. Dali, a relação reflete a inconstância político-social do mundo que os cerca, passando por Berlim, Iugoslávia e Paris.

"Guerra Fria" – Um exímio melodrama desconstruído | Críticas | Revista Ambrosia

Homenageando os pais nomeando seus protagonistas com seus homônimos, Pawel constrói esse relacionamento entre as ruminações de suas carência íntimas e o que isso acaba representando mutuamente. Zula transpira selvageria e delicadeza em seus traços típicos do Leste Europeu, resultando numa personalidade expansiva dentro de sua melancolia.
Wiktor é pura sensibilidade e resignação pulsando em sua paixão desmedida.
O filme – com fotografia em tela 4:3 num preto e branco reluzente e bem iluminado – pulsa através da força desse encontro. O roteiro faz desses desencontros o ponto de contato mais visceral com o espectador. É um melodrama desconstruído, mas honesto o suficiente para sensibilizar.
Guerra Fria é um filme de sentimentos. Tanto como Ida é. Mas com Pawel cada vez mais seguro de sua forma de fazer cinema. Abrangente no aspecto humano e Visceral na visão estética. Essas propriedades o gabaritam como um dos melhores filmes do ano.
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Publicação Renan de Andrade