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Triângulo amoroso entre Edgar Allan Poe, sua esposa e a poeta Frances Osgood inspira romance

AM5396wNova York, inverno de 1845, Edgar Allan Poe havia escrito “O corvo” e se tornado uma das maiores celebridades literárias americanas. Nessa mesma época, a escritora Frances Osgood, abandonada pelo marido, oferece seus poemas a jornais e passa a frequentar salões literários, em busca de reconhecimento por suas obras e dinheiro para sustentar suas duas filhas com a literatura. Poe, casado com a prima Virginia, bem mais jovem que ele, frequenta as mesmas reuniões e é cortejado por várias mulheres, mas se encanta por Frances.

Inspirada pelo encontro dos dois, a escritora Lynn Cullen escreveu Sra. Poe, em que imagina os detalhes do que teria sido esse romance conturbado e descreve o ambiente literário numa cidade que crescia e começava a se modernizar.

$_12 (1)Para atrair Frances, Poe a convida para visitar sua mulher, enferma, e para assistir a peças de teatro, ir a suas palestras e conviver com o casal. Com sua fama de misterioso e antipático, além de crítico literário severo, Poe atrai tanto a ira de seus pares quanto a curiosidade da sociedade. Ao passar a conviver com o casal, Frances se vê em meio a uma trama de mistério e passa a desconfiar primeiro das intenções de Virginia, depois a temer o próprio Poe e sua literatura gótica e assustadora. À medida em que o romance entre os dois avança, os ciúmes da mulher de Poe aumentam e o medo de serem descobertos transformam cada cena do livro em um suspense digno dos melhores contos do autor.

“Quando comecei a escrever ‘Sra. Poe’, minha intenção não era escrever uma história ‘arrepiante’. Estava interessada em saber como Frances Osgood tinha se tornado amante de Edgar Poe — fato ainda negado por alguns estudiosos de Poe. O plano era dei­xar registrados acontecimentos e cartas, e os próprios escritos de Frances e Edgar me mostraram o caminho. Eu também estava predisposta a me apaixonar por Edgar Poe, conhecido por exercer imenso fascínio sobre as mulheres de seu tempo. Mas eu não sabia que estava escrevendo uma história de mistério”, escreve Lynn, em nota no fim do livro. “No entanto, quanto mais eu pesquisava, mais descobria que Poe não escrevera apenas histórias assustadoras, mas as vivera. Os terríveis acontecimentos ocorridos durante sua infância e descritos em meu livro são todos verdadei­ros. Ele enfrentou perdas afetivas e imensa pobreza a vida inteira.”

Em meio aos encontros e desencontros dos personagens principais, Lynn constrói um interessante painel da literatura americana no século XIX. Nos salões frequentados por Poe e Frances, figuram nomes como Walter Whitman e Herman Melville, e discutem-se novidades como a fotografia feita pelo daguerreótipo, instrumento criticado pelo marido de Frances, que vive de atrair mulheres ricas para pintar seus retratos. A água encanada, a construção de prédios e a discussão sobre o que viria a ser, no futuro, o Central Park, são temas dos salões das casas ricas de Nova York – uma delas, a de John Bartlett, famoso lexicógrafo, que acolhe Frances quando esta é abandonada pelo marido.

Numa sociedade extremamente conservadora, em que o casamento não pode ser desfeito, a mulher é vista como propriedade do homem e a hipocrisia se destaca na maioria das relações, o triângulo amoroso entre Poe, Virginia e Frances é um escândalo notório. É na ambiguidade que perpassa a relação das duas mulheres, com as duas lutando pelo título de Sra. Poe, pontuada pela presença da misteriosa senhora Clemm, tia de Poe e mãe de sua mulher, que o romance tem a sua força. “Para mim, os fatos que inventei poderiam ter realmente ocorrido”, diz a autora. Ao leitor, resta imaginar que sim.

SOBRE A AUTORA:

13516426_120129675084399_1659028546322477313_nLynn Cullen é a autora de “The creation of Eve” e “Twain’s End”. Também escreveu premiados livros infantis e o aclamado romance juvenil “I am Rembrandt’s daugther”. Mora em Atlanta, Georgia.

Mais informações no seu site: www.lynncullen.com

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Publicado por Cadorno Teles

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