colecaomanga1Obviamente, todo colecionador procura ter tudo já produzido daquilo que lhe interessa. Quando você começa a comprar tudo ligado à mangás, surgem novas águas, pois enquanto o formato possui histórias simples, também tem materiais bastante pesados, com sexo explícito incluindo todas as coisas que você possa imaginar. O problema é que, segundo uma nova lei americana, produzir/possuir qualquer material “artificial” que apresente cenas de sexo com menores permite processar o proprietário pelas leis de pedofilia, o que significa que todo desenho, escultura, pintura, cartoon ou imagem gerada por computação está agora sob vigilância.

Recentemente foi Christopher Handley quem inaugurou a lei, sendo declarado culpado  por enviar material obsceno e posse de representações visuais obscenas representando abuso sexual em crianças. Três outras acusações foram retiradas após a realização de um acordo entre o advogado do acusado e a promotoria e a pena máxima a ser enfrentada pelo réu é de 15 anos de prisão.

O caso, porém, vêm causando polêmica, pois não foi encontrado nenhum outro tipo de material que corroborasse com a hipótese de Handley ser um pedófilo. Além disto, a defesa afirma que ele era um colecionador compulsivo, portanto procurava colocar as mãos em todo tipo de produção para mangás, e não apenas nesse tipo de história, ainda que em momento nenhum tenha se falado que qualquer tipo de patologia. Por fim, a pior desculpa foi que “esse tipo de coisa é muito freqüênte no Japão e em toda a Ásia”, palavras de Frenchy Lunning, especialista em mangás da Minneapolis College of Art and Design, que trabalhou como consultor no caso.

Um grande número de pessoas se manifestou contra o caso, incluindo fãs de quadrinho e a Comic Book Legal Defense Fund (uma importante junta de defesa dos direitos dos quadrinhos e quadrinistas), que afirmou que “os desenhos não são obscenos e não equivalem à pornografia. São traços em um papel”. O estranho desta frase é que o próprio advogado de Handley, Eric Chase, decidiu fazer um acordo com a promotoria pois sabia que uma vez que o júri visse as fotos, não iriam absolver o réu. Claro, podemos considerar que algumas pessoas são muito conservadoras e não levariam os “traços inocentes” numa boa, mas essa atitude significa que os desenhos, bem ou mal, são sim obscenos.

Tudo isso começou em 2006 quando oficiais checaram encomendas que vinham do Japão para a casa de Handley e descobriram que sete dos mangás encomendados possuiam cenas de sexo explícito com crianças, incluindo algumas com bestialidades. Por enquanto, o réu encontra-se em liberdade enquanto aguarda o cálculo da sentença.