Arrisco dizer que Com Amor, Simon é um dos filmes mais importantes para a disseminação das ações afirmativas através do cinema. Ações afirmativas essas que nada mais são do que a normalização social de toda e qualquer forma de relação amorosa, independendo do sexo, raça ou credo. Assim, é de se festejar que uma major como a Fox invista numa comédia romântica para o grande público com temática gay adolescente.

É a primeira vez que um grande estúdio hollywoodiano promove um filme assim nesses termos. Antes, a temática se restringia aos democráticos nichos de longas oscarizáveis. Dito isso, Com Amor, Simon é uma legítima comédia romântica “high school” norte-americana. Baseado no romance da psicóloga Becky AlbertalliSimon vs A Agenda Homo Sapiens”, a trama acompanha o protagonista de 17 anos, enfrentando o despertar da sua homossexualidade diante de sua família e de toda a sua escola.

Simon Spier (Nick Robinson, carismático e sensível) leva uma vida totalmente normal. Porém, esconde o segredo de sua sexualidade. Ninguém sabe sobre isso. Até que começa a trocar mensagens com uma pessoa que se identifica como Blue e que também é gay. Não se sabe muito bem que é, apenas supõe-se que estuda na mesma escola. Cria-se assim, uma relação de confiança e descoberta entre os dois, mesmo sem nunca terem se visto. Entretanto, é dessa sintonia que emerge todos os aparentemente problemas de Simon.

O conflito interno é bem trabalhado pelo roteiro e ilustrado pela direção esperta e correta de Greg Berlanti (mas conhecido pelo trabalho em séries teens). Há sim uma certa leveza na abordagem, mas é coerente com universo do livro, que busca uma bem vinda descentralização da maneira como protagoniza a orientação sexual de seu protagonista. O filme fala sobre outras facetas, como a juventude em suas contradições, pressões e relacionamentos, indo muito além de ser apenas (mais) uma historinha gay.

Tudo é complementar. A vida pessoal e social de Simon. Até a reverberação na família acompanha esse caminho (a mãe de Simon – Jennifer Garner, que faz falta no cinema – é psicóloga, assim como a autora do livro, o que explica a maneira assertiva como a família encara o filho). Então não é apenas a leveza da abordagem, mas também a leveza da questão em si. Por isso o filme é tão fluído e despretensioso. A relação epistolar que Simon mantém com Blue, um admirador secreto vai desabrochando sua identidade, a delicadeza do filme e nossa simpatia. Como o próprio filme defende, “todo mundo merece uma grande história de amor”, Com Amor, Simon, reitera o quão simples é a propriedade disso.

Filme: Com Amor, Simon (Love, Simon)
Direção: Greg Berlanti
Elenco: Nick Robinson, Jennifer Garner, Josh Duhamel
Gênero: Drama, Comédia
País: EUA
Ano de produção: 2018
Distribuidora: Fox Film do Brasil
Duração: 1h 49min
Classificação: 12 anos

Deixe um comentário

avatar
  Assinar  
Notificar