O desconforto pela urgência da realidade invadiu a Premiere Brasil do Festival do Rio 2016 com a exibição do novo filme da diretora Eliane Caffé, Era o Hotel Cambridge. Mas um desconforto banhado, na medida do possível, a uma interessante visão poética da questão também.

O longa retrata – de maneira semi documental – o dia a dia dos moradores da ocupação da Frente de Luta por Moradia no prédio de 15 andares que entre 1951 e 2002 sediou um dos mais luxuosos hotéis da capital de São Paulo. Trata-se da trajetória de refugiados recém-chegados ao Brasil que, juntos com trabalhadores sem-teto, ocupam um esse edifício abandonado. Em meio à tensão diária da ameaça do despejo, revelam-se dramas, situações cômicas e diferentes visões de mundo.

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Eliane coloca sua câmera como elemento integrante do movimento, nunca de forma intrusa, o que vai tornando a visão da questão mais partidária, porém infinitamente mais humana. Com uma montagem de impacto, a diretora procura fugir do clichê da estética desejada trabalhando o lado lúdico do lugar, através de um grupo teatral de moradores, ao mesmo tempo em que levanta discussões sobre xenofobia e políticas públicas, numa dramaturgia de filme coral, e em uníssono com um forte discurso político-social. Era o Hotel Cambridge acaba funcionando para refletir seu tempo e seu espaço pelos meandros do (bom) cinema.

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