O segundo filme concorrente na Première Brasil do Festival do Rio 2013 também discorreu sobre meandros da Solidão, como o primeiro “Os Amigos” (exibido um dia antes). “O Homem das Multidões”, parceria entre o mineiro Cao Guimarães e o pernambucano Marcelo Gomes é livremente inspirado no conto homônimo do escritor norte-americano Edgar Allan Poe e acompanha o cotidiano de Juvenal (Paulo André), um solitário maquinista de metrô mineiro, que se mistura ao aglomerado de gente do centro de uma grande metrópole em busca das companhias que ele não tem na sua vida particular. O longa-metragem é uma coprodução entre Minas Gerais e Pernambuco e foi todo realizado em locações no centro de Belo Horizonte (MG). Resultado de quase sete anos de trabalho conjunto da dupla, marca o oitavo longa-metragem assinado por Cao e o quarto por Marcelo. A notável fotografia é de Ivo Lopes Araújo e a direção de arte é de Marcos Pedroso. A trilha sonora e desenho de som ficaram a cargo do duo O Grivo. Muito bem fotografado (curiosamente em formato quadrado), a trama é prejudicada pelo excesso de placidez, reforçada para ilustrar os hiatos de seu personagem. Mas aí é que está: fazer do silêncio e da pausa uma opção estética (como bem faz Sofia Coppola) é uma coisa, deixar isso se refletir como uma banalidade narrativa, é outra muito diferente. Os diretores (com extensos trabalhos em artes visuais) nivelam seu filme a isso. E o resultado é quase enfadonho…

[xrr rating=2/5]

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