Esta resenha contém Spoilers!!!

Se os robôs de hoje em dia tivessem uma mente, eles provavelmente iriam assistir Transformers 2: A Vingança dos Derrotados com seus faróis acesos, pois é isso que eu vi hoje na tela do cinema: um filme pornô para e com robôs.

E não me refiro as imagens porno eróticas de Megan Fox montada em cima de uma motocicleta, com um short que faria Carla Peres corar de vergonha, desenhando uma diabinha no tanque de combustível ou a aparição de uma Decepticon que se disfarça de humana e tenta usar sua língua como arma de jeitos estranhos.

Não meus caros, eu me refiro ao fato de que o filme é basicamente um amontoado de explosões, robôs se pegando na pancada, tirando espadas de lugares nunca dantes imaginados, sem sequer um pingo de história, que deixo claro desde já, que, quando ela aparece, é mais cheia de furos do que a cueca velha do meu falecido avô.

O resumo politicamente incorreto abaixo contem muitos spoilers e não irá estragar em nada o prazer do seu filme.

Sam (Shia LaBeouf) está na faculdade, Mikaela (Megan Fox) está trabalhando com seu recém ex-condenado pai em uma oficina, os Autobots estão ajudando o governo a caçar Decepticons nos últimos 2 anos. Então, do nada, surge “The Fallen”, o Caído/Desgraçado que deveria estar no título, como uma espécie de Poderoso Chefão dos Decepticons, vivendo no que restou de Cybertron. E nenhum dos Autobots se lembrava dele no primeiro filme? Furo de roteiro 1.

Eles ressuscitam Megatron com um outro pedaço do Allspark achado na base do exército em que estavam todos os Autobots, sendo que nenhum deles fez nada para impedir o ataque de Ravage (o robô felino du mal, pena que ele não vira mais uma fita cassete, hehehe).

Sam encontra um pedaço do Allspark e fica doidão que nem sua mãe comendo Brownies com maconha na hora de deixá-lo na faculdade. Ele começa a ler livros sobre Astronomia, tem um surto na sala de aula e vai parar nas mãos dos Decepticons que querem seu cérebro para achar a Matriz que acionará uma máquina que irá gerar Energon, a energia do qual vivem os Transformers. E o Fallen lá em Cybertron na boa…

ravage

Megatron, junto de Starscream e Blackout perseguem Sam e Mikaela. Com ajuda de Optimus Prime, eles fogem com Bumblebee e os robôs gêmeos, sem antes Optimus ser morto por Megatron.

Enquanto Sam e Mikaela buscam um meio de ler os símbolos que ele viu durante seu surto, o Caído vem para a Terra. Blá blá blá, perseguição, papo, papo, explosão, papo, papo, vamos a batalha final. Jetfire, um belo Blackbird, é um ex-Decepticon que resolveu virar Autobot, porém, devido a idade, se aposentou e agora só serve como piadas envolvendo peidos e pessoas velhas.

Ele ajuda o grupo de Sam a achar a Matriz, mas diz não querer se envolver, o que implica que ele vai se envolver, claro.

Sam descobre o local da máquina que irá gerar Energon depois de consumir o Sol e que os primeiros Transformers não queriam que fosse usada em razão do planeta ser habitado,  e convoca apoio do exército e dos Autobots (Furo de Roteiro 212312: Se a Terra era o problema, construíssem em Vênus, Marte, sei lá). Enquanto isso, os Decepticons se unem e cercam o lugar. Tiroteio federal começa, os Constructicons se unem e criam o Devastator que é basicamente um aspirador de pó gigante usado para derrubar uma das pirâmides que escondia a máquina.

Sam consegue reviver Optimus usando a Matriz, mas esta vai parar nas mãos dos Decepticons que ferem Optimus mortalmente de novo. Jetfire aparece e se desmonta para que Optimus se una a ele e desta forma, tenha possibilidade de vencer o Caído/Desgraçado e Megatron.

História bunitinha né?! Podiam colocar um cartaz na porta do cinema escrito assim: “Para entretenimento descerebrado, assista Transformers 2!” Pois é isso que temos, um belo dum filme pornô com robôs, em que a história se perde em meio a um emaranhado de coisas se enroscando em close. No pornô, pelo menos se tem a satisfação do prazer final, neste, meus caros, a gozada final é bem na cara do espectador.

 

Têm-se a sensação de que os próprios atores reais estão cansados de ter que fazer um filme como esse. Megan Fox, por mais acusada de ser mais uma carinha bonita em Hollywood, é a que mais demonstra estar cagando e andando para o filme. A falta de expressão dela me espantou. É nítido que ela foi paga para se fazer de gostosa burra, o que não a agradou. Shia é o mesmo sem sal de sempre, não importa o que digam, ele é o novo Nicholas Cage, o homem sem expressão! O resto do elenco só aparece para ficar gritando, fazendo macaquices ou piadas.

Mas, tendo-se em vista o fator diversão, Transformers é tiro e queda. Olhando por este aspecto, o filme é fantástico, afinal, Michael Bay sabe fazer um filme explodir bem na nossa cara. O apoio dos militares fornecendo caças e armamento pesado para a produção é um dos fatores que mais contribui para o efeito diversão do filme, porém, ao mesmo tempo, exagera-se um pouco na temática do “Nós americanos vamos salvar todo mundo”.

Para os fãs de Vale Tudo, Luta Livre ou Boxe, Transformers 2 é aquele filme que permite você ver tudo isso na forma de robôs se estapeando e com direito a decote e muita pele de Megan Fox. Ou seja, homens de 8 a 80 irão amar e as namoradas irão odiar porque terão de agüentar seus namorados comentando com os amigos como a Megan Fox é linda, todas morrendo de inveja.

Como eu sei que esse filme nunca teve a intenção de ser cult, eu dou uma nota 8.5 e deixo a recomendação para mais este belo pornô com robôs.

J.R. Dib