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Uma caixa para ouvir a ‘nata’ do rock

Supergrupo formado por Jack Bruce, Eric Clapton e Ginger Baker, superou as diferenças pessoais e criou um som que jamais foi repetido

Quando foi criado o Cream era tudo, menos uma reunião de músicos humildes. O próprio nome Cream (Nata) já dava a noção do tamanho dos egos dos seus componentes — Jack Bruce (1943-2014), Ginger Baker (1939-2019) e Eric ‘God’ Clapton.

No curto período no qual estiveram juntos (1966-1968) produziram 3 álbuns de estúdio, algumas canções icônicas, criaram um som único no rock — algo que depois foi desenvolvido pelo rock progressivo — e realizaram uma série de concertos inesquecíveis.

Agora, a sua última turnê enquanto banda em atividade, em 1968 — eles se reuniram para uma série de shows em 2005 — ganha uma caixa de 4 CDs, com 36 faixas, sendo 19 delas inéditas.

Cream’s ‘Goodbye Tour – Live 1968’ já pode ser encomendada em pré-venda (o lançamento será em 7 de fevereiro) e divide opiniões entre os fãs.

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Nata boa ou ruim?

Apesar da quantidade de faixas inéditas e da promessa de que a transcrição da gravação dos shows — LA Forum, Oakland Coliseum, San Diego Sports Arena e o último concerto da banda, gravado no Royal Albert Hall, em Londres, no dia 26 de novembro de 1968 — usou as “melhores fontes disponíveis”, não convence totalmente nem mesmo os fãs mais ávidos da banda.

As desconfianças principais são: quais são essas “melhores fontes disponíveis” e se as performances são diferentes o suficiente para valer o preço que será pago.

Devemos lembrar que o Cream era falamos por suas jams e um approach quase jazzístico, mas que os shows — como era praxe na época — eram relativamente curtos. No caso do Cream, normalmente “parcas” nove ou dez canções. Pouco, mesmo que algumas delas durassem mais de 10 minutos.

A favor pesam o formato (de um LP), o bom livro com notas sobre a turnê e o grupo e a curiosidade em ouvir os verdadeiros duelos instrumentais protagonizados pelos seus integrantes.

Uma difícil convivência

A convivência entre os integrantes do Cream nunca foi pacífica, principalmente entre Baker e Bruce, que já trocavam rusgas e até socos mesmo antes da formação do grupo — antes do Cream eles já faziam parte do Graham Bond Organisation.

A coisa era tão séria que, após a reunião de 2005 (que rendeu um excelente álbum), Eric Clapton chegou a dizer que não estava disposto a realizar outra reunião do grupo porque “não quero sangue em minhas mãos”.

Entretanto, a química entre os três era inegável. Cada um fazia com que o outro se sentisse desconfortável e desafiado a tocar mais e melhor.

“O Cream era circo formado por personalidades diversas que descobriram que, juntas, se energizavam… Era só colocar nós três diante de uma platéia interessada em curtir nosso som e nós poderíamos “viajar” para sempre. E nós fizemos isso… viajamos até a lua toda vez que tocamos”, disse Clapton.

Pode ser que tenham feito apenas um álbum de estúdio que realmente traduziu todo o seu potencial — Disraeli Gears (1967) —, mas há pérolas nos outros dois álbuns e também nos registros ao vivo lançados até hoje.

Portanto, não importa qual instrumento prefira, a Goodbye Tour – Live 1968 pode ser uma grande oportunidade para ouvir três mestres indo ao extremo como nunca ninguém foi.

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