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A atualidade incômoda por trás de “Segredos Oficiais”

Talvez para fora dos limites geográficos britânicos, Segredos Oficiais soe mais interessante, já que o escândalo retratado, por mais curioso que seja, reverberou sim, mas no meio do turbilhão que foram os cinco anos após os atentados do 11/9 em Nova York.

A história se baseia no caso de Katherine Gun (Keira Knightley), tradutora de uma agência de inteligência inglesa (GCHQ), que basicamente trabalha para vigiar os amigos de comunicação. Um dia, Gun descobre documentos que revelam a pressão que os EUA e a Inglaterra fizeram para que a ONU aprovasse a invasão ao Iraque, mesmo sem provas concretas de que o país era uma ameaça bélica iminente. Num ímpeto, ela faz com que esse documento vaze para a imprensa, gerando uma comoção internacional.

O roteiro se desmembra na verdadeira perseguição que o governo empreende para com ela, inclusive com seu marido imigrante e muçulmano, a montagem do quebra-cabeças com viés político que Martin Bright (Matt Smith), jornalista que publicou a matéria no tradicional The Observer, se vê envolvido, quando pressões institucionais colocam em cheque o trabalho da investigação, e o trabalho complexo do advogado de Gun, Ben Emmerson (Ralph Fiennes) para estabelecer sua defesa um tanto polêmica diante do aparente poder da acusação.

O diretor Gavin Hood constrói a trama mais interessado no caso que na protagonista em si. O que não é um demérito e funciona bem, especialmente pela maneira com que o thriller político vai se firmando sobre os fatos narrados.

O uso da trilha, a fotografia escura e a atuação precisa do elenco enrijecem ainda mais a proposta. Há uma objetividade na visão de Hood que torna a experiência mais sedutora para quem não se inteirou tanto sobre o caso, principalmente no surpreendente final. Para os iniciados, Segredos Oficiais pode parecer protocolar. Para ambos, incomodamente atual.

Cotação: Muito bom (3,5 de 5)

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Publicado por Renan de Andrade

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